Coronel Sapucaia
Militância em festa: vitória de Lula renova expectativa por melhorias sociais
Apoiadores do presidente comemoram reeleição e esperam avanços na economia nos próximos 4 anos
ANAHI ZURUTUZA E JUDSON MARINHO / CAMPO GRANDE NEWS
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25), foi recebida por militantes e apoiadores em Mato Grosso do Sul com expectativas de avanços na legislação trabalhista, na distribuição de renda e na reforma agrária. Durante a comemoração do resultado do segundo turno, na sede do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), representantes de movimentos sociais destacaram a mobilização popular na campanha e defenderam mudanças nas políticas sociais nos próximos quatro anos.
A vereadora Luiza Ribeiro (PT) avaliou que o resultado representa uma vitória dos trabalhadores e associou a reeleição de Lula ao debate sobre a redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários.
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Para ela, a discussão ganhou espaço durante o segundo turno e demonstrou a importância das pautas trabalhistas na disputa presidencial. “O que nós temos que entender é que essa é vitória dos trabalhadores, dos trabalhadores e das trabalhadoras, contra a opressão do capital. Veja que o centro da discussão do segundo turno foi a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Isso é um indicador muito importante', afirmou.
A parlamentar também destacou a trajetória de Lula como um dos fundadores do PT e defendeu que o próximo mandato seja marcado por mudanças nas condições de trabalho e na distribuição de renda.
Ao avaliar o desempenho da campanha em Mato Grosso do Sul, a vereadora afirmou que o apoio de lideranças políticas estaduais ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) não foi suficiente para garantir a vitória nacional do adversário. “O Bolsonaro e o bolsonarismo tinham o apoio em Mato Grosso do Sul do governador do estado, de quase todos nas Assembleia Legislativa, de todos os prefeitos e prefeitas, quase todas as câmaras, mas eles perderam. Perderam porque cada pessoa vale um só voto e os trabalhadores estão em maioria', declarou.
Para os próximos quatro anos, ela espera medidas de distribuição de renda, mudanças na tributação das grandes fortunas e avanços na reforma agrária. A parlamentar também citou a necessidade de enfrentar problemas associados às apostas esportivas.
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Reforma agrária – A militante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Sandra Procópio, de 53 anos, também comemorou a reeleição e afirmou que o resultado representa uma conquista coletiva dos movimentos sociais.
Voluntária da organização, Sandra contou que sua história está ligada ao campo. Descendente de famílias camponesas e com trajetória nos assentamentos, ela considera que a eleição abre espaço para ampliar a discussão sobre a distribuição de terras no Brasil.
Segundo a militante, a participação de estudantes, movimentos populares e apoiadores que atuaram nas redes sociais foi fundamental para a mobilização eleitoral, especialmente nas duas últimas semanas de campanha. “Então, isso significa que não foi só uma vitória do MST, foi uma vitória de movimentos sociais que saíram nas ruas, porque a luta é contra o fascismo, a luta é pelos direitos sociais, pelos direitos humanos, pelos direitos daquelas populações que são a grande parcela da sociedade, mas que são consideradas minorias', afirmou.
Sandra também mencionou a mobilização digital de apoiadores do deputado federal André Janones como parte da campanha em favor do presidente.
Para o próximo mandato, a expectativa da militante é que o governo federal avance na reforma agrária e na demarcação de terras indígenas. Ela defendeu a continuidade das manifestações populares para pressionar pelo atendimento dessas reivindicações. “Olha, pra nós, no MST, a vitória do Lula, ela é muito importante pra acumular força pra nossa organização, mas a gente espera reforma agrária', declarou.
Memórias da militância – Para a professora aposentada Rosaura Pedrosa da Silva, formada em Biologia, a reeleição teve um significado pessoal. A apoiadora de Lula acompanha a trajetória política do presidente desde suas primeiras disputas eleitorais e guarda fotografias antigas de sua participação em manifestações e atividades políticas.
Durante a comemoração, Rosaura mostrou à reportagem algumas dessas imagens, que acredita serem da época das primeiras campanhas presidenciais de Lula, em Brasília (DF). “Eu enfrentei gás lacrimogênio, eu enfrentei cavalos e aqueles, sabe? Porque a gente ia para Brasília para brigar pelos nossos direitos, e muitos dos nossos direitos foram conquistados através da luta', recordou.
Rosaura disse que ficou abalada com o resultado do primeiro turno e chegou a temer que Lula não conseguisse vencer a disputa presidencial. Mesmo assim, continuou acompanhando a campanha e participando de mobilizações nas redes sociais.
A professora aposentada afirmou que a vitória trouxe alívio e renovou sua confiança na preservação dos direitos conquistados ao longo das últimas décadas.
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