Coronel Sapucaia
Santa Casa diz não ser adversária e só busca remuneração compatível
Hospital se manifestou após fala de secretário, que pediu transparência e disse querer reduzir dependência
MARISTELA BRUNETTO / CAMPO GRANDE NEWS
A Santa Casa de Campo Grande reagiu às declarações do secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, que, em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, falou que a Prefeitura busca reduzir a dependência da rede pública em relação à instituição ao apostar na ampliação de atendimento com a criação de um hospital municipal e a ampliação de serviços por meio de outras unidades.
Em nota, o hospital afirmou que a relação com o Município não é de dependência, mas de cooperação dentro do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo a Santa Casa, a cobrança é por equilíbrio contratual e remuneração compatível com os serviços de alta complexidade prestados à população. A entidade sem fins lucrativos, que é a principal no atendimento de pacientes do SUS no Estado, tem feito cobranças judiciais de valores e há uma ação civil pública movida pelo Ministério Público que pede uma solução para a crise que envolve os serviços. Uma liminar fixou prazo para que as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde busquem uma solução estrutural para o problema.
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O hospital pontuou, em nota, que luta por remuneração justa pelos serviços e por equilíbrio contratual para os atendimentos pelo SUS. Por ordem da Justiça, uma perícia avaliará as contas do hospital e deverá subsidiar a definição de um novo contrato. “O adversário não é a Santa Casa. É a doença, a fila, a falta de medicamentos e a desassistência', consta em trecho da manifestação.
O hospital é referência em atendimentos de alta complexidade, como neurologia, ortopedia e cardiologia. Na entrevista, Vilela apontou que, se a perícia revelar defasagem de valores e necessidade de aportes, a União também deverá contribuir, uma vez que a saúde tem recursos das 3 esferas de governo. Segundo ele, a União mantém os valores da alta complexidade desatualizados há cerca de uma década.
Vilela ainda cobrou transparência nos dados do hospital, para detalhamento do que são despesas e receitas ligadas à saúde pública e o que se refere a serviços privados e ao plano de saúde da entidade. O hospital teve que apresentar uma série de documentos contábeis em uma ação popular que também é sobre os atendimentos do SUS. São dados que estão protegidos por segredo de justiça.
Conforme o titular da secretaria, houve um esforço de ampliar serviços com outros hospitais e reduzir o encaminhamento de pacientes, o que se soma à iniciativa de concretizar o hospital municipal para “sair dessa dependência da Santa Casa.' Houve incremento de 89 leitos e a Prefeitura conseguiu emendas parlamentares ao orçamento da União para mutirão de cirurgias eletivas e procedimentos.
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