Coronel Sapucaia
Mulher diz que sequestradora tentou se aproximar de seus filhos em frente à UPA
Segundo ela, Suzilaine da Graça Costa teria convidado a família para buscar doações de roupa no Universitário
CLARA FARIAS, VICTóRIA COSTACURTA E BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
Cerca de 20 dias antes do sequestro de uma bebê de 28 dias, uma dona de casa de 26 anos afirma ter sido abordada pela mesma mulher suspeita de levar a criança, em frente a uma unidade de saúde no Bairro Universitário, em Campo Grande. Segundo ela, a mulher insistiu para que a acompanhasse até uma suposta casa próxima à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), sob a justificativa de que teria roupas para doar.
A mãe, que prefere não ser identificada, contou ao Campo Grande News que estava com a filha de 3 anos, além do filho de 8, quando foi abordada por Suzilaine da Graça Costa. Ela afirma que reconheceu a mulher depois de ver as notícias sobre a prisão pelo sequestro da recém-nascida em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
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Segundo o relato, a suspeita estava do lado de fora da unidade de saúde e chamou a mulher várias vezes para oferecer roupas que, conforme dizia, haviam sido doadas a ela por uma pessoa que tinha um brechó. “Ela me chamou várias vezes para eu ir buscar umas roupas. Eu falei que não, falei que não', contou.
Mesmo diante das recusas, a mulher teria continuado insistindo. Em determinado momento, chegou a oferecer uma alternativa para convencer a mãe a acompanhá-la. “Se você quiser, eu ligo aqui para a minha amiga, ela vem pegar a gente aqui. Aí nós vamos lá e eu trago você de volta', teria dito.
A mãe afirma que desconfiou da situação e recusou novamente. Naquele momento, a filha estava doente, com febre alta, e aguardava atendimento na unidade de saúde.
Ainda conforme o relato, a suspeita também teria tentado se aproximar do filho de 8 anos. A mulher teria segurado a mão do menino por duas ou três vezes e feito convites para que ele a acompanhasse. A mãe, no entanto, retirou a mão do filho e não permitiu a aproximação.
“Do nada, ela já falava com ele: ‘Ah, vamos ali com a tia comprar isso, comprar aquilo’. Aí eu falei: ‘Não, não vai, não. Eu não gosto de ninguém segurar na mão dele’', relatou.
A dona de casa conta ainda que percebeu a mulher conversando com outra mãe que estava no local. Segundo ela, a desconhecida teria interrompido a conversa e deixado o local depois de ser chamada pela outra mulher.
A abordagem aconteceu na região da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário. A dona de casa afirma que chegou a ser orientada a registrar a situação e tentar entrar na unidade de saúde com a suspeita para que as câmeras pudessem registrar a presença das duas. No entanto, segundo ela, a mulher se recusou a entrar na UPA.
Na época, a dona de casa não registrou boletim de ocorrência. Depois de reconhecer a suspeita nas notícias sobre o sequestro da bebê, porém, tentou fazer a denúncia pela internet, mas afirma que não conseguiu concluir o procedimento por não saber utilizar a ferramenta.
O reconhecimento também foi feito pelo companheiro da mulher, que, segundo ela, estava presente quando ocorreu a abordagem. Ela afirma ter identificado Suzilaine por uma marca no rosto.
“Quando eu vi a postagem, falei com o pai dos meus filhos: ‘Você está lembrado da mulher?’. Ele falou que lembrava. Então eu falei: ‘Essa dita mulher é a mesma mulher que pediu para ficar com minha filha’', contou.
Depois de saber do sequestro da bebê, a mãe diz que passou a ter medo de sair de casa e de deixar os filhos sozinhos. Ela afirma que a situação mexeu com seu psicológico e reforça o alerta para que pais tenham atenção com pessoas desconhecidas que tentam se aproximar das crianças. “Quando eu conheci, por isso que eu liguei para o 190, porque pensei: ‘Meu Deus, que livramento que Deus me deu [...] É por isso que eu falo, não deixe seu filho ser abordado por ninguém’', disse.
Caso recente - Uma bebê de 28 dias foi separada da família no último dia 7, em Campo Grande. De acordo com o boletim de ocorrência, a mãe da criança havia conhecido uma mulher pela internet durante a gestação. A mulher teria se aproximado da adolescente com a promessa de fazer um ensaio fotográfico da bebê e, posteriormente, ofereceu R$ 100 para que a jovem cuidasse de outra criança.
A mãe da bebê e a irmã dela, de 13 anos, foram até uma casa ligada à mulher, no Bairro Universitário. Conforme o relato, as duas teriam sido amarradas e, posteriormente, deixadas em uma área de mata, sem a bebê.
A família registrou o desaparecimento da criança, e a Polícia Civil iniciou as buscas. Com apoio de equipes especializadas em buscas e de forças de segurança da região de fronteira, Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa foram presos na madrugada de domingo, em uma casa em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A bebê estava com o casal.
Após o resgate, a menina foi encaminhada ao Hospital Regional para avaliação médica, enquanto o casal foi entregue à Polícia Federal.
Nesta terça-feira (11), a bebê chegou a Campo Grande e está sob os cuidados do Conselho Tutelar. Conforme apurado pelo Campo Grande News, ela está bem, sem sinais de maus-tratos, e sendo alimentada com fórmula. A criança permanecerá sob os cuidados da rede de proteção enquanto a Justiça analisa o caso e decide sobre a guarda.
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