• Quarta, 12 de Agosto de 2026

Defesa de militar que matou vigilante em acidente pede exame de insanidade

Juiz aceitou pedido, mas negou suspensão da ação; atropelamento aconteceu em junho deste ano

ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Corpo da vítima e motocicleta no local do acidente (Foto: Osmar Veiga)

A defesa do soldado do Exército Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, denunciado por homicídio com dolo eventual e embriaguez ao volante, pediu à Justiça a instauração de incidente de insanidade mental com pedido de suspensão da ação penal. O objetivo dos advogados é atestar se o militar era capaz de entender o caráter ilícito de seus atos quando atropelou e matou a vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos.

O pedido, assinado pelos advogados Renato da Rocha Ferreira e Patrícia Sanches Ferreira, sustenta haver 'dúvida razoável e robusta' sobre a imputabilidade penal do jovem. Entre os documentos anexados ao processo estão relatórios do Hospital Militar de Área de Campo Grande e do Hospital Psiquiátrico Nosso Lar.

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De acordo com a defesa, Victor tem histórico prévio de graves distúrbios psíquicos e tentativas de suicídio antes mesmo da tragédia. Em maio de 2025, o militar chegou a ficar internado por quase um mês no Hospital Nosso Lar. Diagnósticos anexados à petição indicam que ele é acompanhado de laudos de transtornos psicóticos e de humor e transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos, além de fazer uso irregular das medicações prescritas.

'É imperioso determinar se a embriaguez, embora voluntária, agiu como fator desencadeador ou agravante de seu quadro psiquiátrico, diminuindo ou eliminando sua capacidade de discernimento e de controle de seus atos ao tempo da ação', argumenta a defesa na petição.

O documento ainda aponta que quatro dias após o acidente que matou Miriam, em 24 de junho de 2026, Victor teve de ser levado às pressas, sob escolta policial, para atendimento de emergência psiquiátrica no Hospital Militar por conta de severa ideação suicida e forte sentimento de culpa, sendo diagnosticado na ocasião com Transtorno Depressivo Maior.

Além da perícia, a defesa requereu a imediata paralisação do processo, a nomeação de um curador para acompanhar o réu e a manifestação do MPMS (Ministério Público Estadual).

No dia 5 de agosto, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida deferiu o pedido para instauração do incidente de insanidade mental de Victor e a curadoria ficou em nome de  seu advogado. Na decisão, o magistrado considerou que o MP já se manifestou sobre o pedido e nomeou o médico Rodrigo Ferreira Abdo como perito do caso. No entanto, o processo não foi suspenso.

Relembre

O acidente aconteceu na manhã de sábado, 20 de junho de 2026. Conforme a denúncia oferecida pelo promotor José Arturo Iunes Bobadilla Garcia, Victor ingeriu bebida alcoólica em bares do Centro da Capital. O vídeo mostra o veículo do militar em alta velocidade.

Em alta velocidade, o militar conduzia uma caminhonete Chevrolet S10 branca quando atingiu a lateral de um Volkswagen Virtus. Em seguida, fugiu pela Rua Maracaju, avançou o sinal vermelho no cruzamento com a Rua Padre João Crippa e colidiu com a motocicleta Yamaha Factor, pilotada por Miriam Rosa Matos, que não resistiu ao impacto e morreu no local.

Com o impacto da colisão, a caminhonete rodou na pista, subiu na calçada e destruiu a fachada, as grades e os corrimões de uma clínica médica. O teste do bafômetro, feito após a prisão, apontou 0,42 mg/L de álcool por litro de ar alveolar, e uma garrafa de uísque quase vazia foi apreendida no veículo.

Preso em flagrante no dia do crime, Victor virou réu pelo crime de homicídio simples e por dirigir sob influência de álcool em julho deste ano. O presidente da 1ª Vara do Tribunal do Júri aceitou a denúncia após denúncia do MPMS e as penas máximas dos crimes podem chegar aos 23 anos de prisão.



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