Coronel Sapucaia
Mãe de jovem que matou padrasto já havia sobrevivido a tentativa de feminicídio
Defesa afirma que rapaz agiu para proteger a mulher durante mais um episódio de violência doméstica
CLARA FARIAS / CAMPO GRANDE NEWS
A mãe de Lucas Daniel Vieira Nepomuceno da Silva, de 24 anos, preso em flagrante após matar o padrasto em Rio Verde de Mato Grosso, já havia sobrevivido a uma tentativa de feminicídio praticada pelo companheiro menos de três meses antes do crime. A informação foi divulgada pela defesa do jovem, que sustenta que ele agiu para proteger a mãe durante mais um episódio de violência doméstica.
Segundo a advogada Danielle Guimarães, a mulher sofria agressões recorrentes do então companheiro e, meses antes do homicídio, foi atacada com um taco de sinuca dentro de um bar.
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'A mãe dele sofria violência doméstica há muito tempo. Há menos de três meses, ela sofreu um atentado do ex-padrasto. Ele a agrediu com um taco de sinuca e só não a matou porque pessoas que estavam no bar conseguiram interromper as agressões', afirmou a defensora.
Conforme a advogada, na noite do crime, Aucindirlei Araújo de Almeida, de 48 anos, voltou à residência da ex-companheira fazendo ameaças de morte e dizendo que iria agredi-la. Diante da situação, Lucas teria intervido para defender a mãe.
'A defesa demonstrou no pedido de liberdade provisória o contexto de violência doméstica e familiar envolvendo a mãe do custodiado, sustentando que a conduta praticada ocorreu nesse cenário', informou a advogada em nota.
Ainda de acordo com Danielle Guimarães, a defesa apresentou à Justiça fundamentos jurídicos para o eventual reconhecimento da legítima defesa de terceiro, tese que deverá ser analisada ao longo da ação penal, conforme as provas produzidas durante o processo.
A defensora ressaltou que o pedido formulado foi exclusivamente de liberdade provisória, e não de absolvição. Segundo ela, o juiz entendeu que não estavam presentes os requisitos para manter a prisão preventiva, permitindo que Lucas respondesse ao processo em liberdade.
'O processo seguirá seu curso normal, respeitando o devido processo legal. A defesa continuará trabalhando para que todos os fatos sejam esclarecidos, inclusive o contexto de violência doméstica que antecedeu o ocorrido', afirmou.
Caso - Aucindirlei Araújo de Almeida foi morto na noite de sábado (25), após ser imobilizado pelo enteado com um golpe conhecido como 'mata-leão'. Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender uma briga familiar e encontrou Lucas mantendo o padrasto imobilizado no chão. Ao perceber a chegada da equipe, ele soltou a vítima, que já estava inconsciente.
O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas apenas constatou a morte de Aucindirlei.
Em depoimento, Lucas afirmou que interveio depois que o padrasto iniciou uma discussão e tentou agredir sua mãe. Familiares também relataram à polícia que havia um histórico de violência doméstica e que a mulher possuía medida protetiva em vigor contra Aucindirlei.
Lucas foi preso em flagrante, mas teve a liberdade provisória concedida durante a audiência de custódia realizada na tarde de domingo (26).
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