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O que é a "Maldição da Bola de Ouro"? Dembélé desafia a zica que assombra os melhores do mundo
Desde a criação do prêmio pela revista francesa France Football, em 1956, nenhum jogador eleito o melhor do planeta conseguiu erguer a taça da Copa do Mundo disputada logo em seguida
GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
O atacante francês Ousmane Dembélé, aos 29 anos e em sua terceira Copa, carrega nos pés e nos ombros o peso de uma das maiores místicas do futebol mundial.
Atual detentor da Bola de Ouro, prêmio dado ao melhor jogador do ano, após uma temporada brilhante pelo Paris Saint-Germain, o camisa 11 da França tem um tabu histórico a quebrar: a "Maldição da Bola de Ouro".
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O retrospecto assusta. Desde a criação do prêmio pela revista francesa France Football, em 1956, nenhum jogador eleito o melhor do planeta conseguiu erguer a taça da Copa do Mundo disputada logo em seguida. Ironicamente, neste ano, cabe a um atleta da França, o país que criou a premiação, a chance de espantar o fantasma que já assombrou os maiores craques da história do futebol.
Até 1994, a Bola de Ouro era um prêmio exclusivamente para jogadores europeus. Gênios como Pelé, Maradona e Garrincha nunca puderam concorrer ao troféu enquanto jogavam. A regra mudou em 1995, quando a France Football abriu a disputa para jogadores de qualquer nacionalidade, desde que atuassem na Europa (foi quando George Weah venceu). Portanto, a Copa de 1998 foi a primeira Copa do Mundo da história realizada após a Bola de Ouro se tornar um prêmio verdadeiramente global.
E a "maldição já atingiu os brasileiros. Ronaldo venceu a Bola de Ouro em dezembro de 1997, jogou a Copa em junho de 1998 e a torcida lembra bem o que aconteceu com o Fenômeno antes e durante a derrota para a França na final.
Ronaldinho Gaúcho ganhou o prêmio em dezembro de 2005 e jogou a Copa em junho de 2006. Nem mesmo com o quadrado mágico conseguiu quebrar o tabu e o encantamento da Bola de Ouro.
De todas as formas, seja no modelo mais moderno e justo, seja nos primórdios do prêmio, nunca o vencedor da Bola de Ouro venceu a Copa enquanto era o detentor do troféu.
O tabu nunca foi quebrado
A estatística é implacável e 100% real: desde 1956, nenhum jogador que chegou à Copa do Mundo ostentando o título de atual vencedor da Bola de Ouro conseguiu erguer a taça. Ao longo de quase 70 anos de história, todos os 17 craques que tentaram unificar os títulos falharam.
São cinco vice-campeões do mundo de forma consecutiva na grande final da Copa: o italiano Rivera em 1970, o holandês Cruyff em 74, o alemão Rummenigge em 82, o italiano Baggio em 94 e, depois, o brasileiro Ronaldo em 98).
Ainda houve três eliminações precoces logo na fase de grupos (o italiano Sívori em 62 e o português Cristiano Ronaldo em 2014, além de Benzema em 2022, que foi cortado por lesão antes mesmo da estreia pela França).
Por fim, dois casos em que o melhor do mundo que sequer conseguiram classificar a própria seleção para o Mundial (Di Stéfano, pela Espanha, em 58, e Simonsen, pela Dinamarca, em 1978).
Raio-X da "maldição"
1958 – Alfredo Di Stéfano (Espanha): A seleção espanhola fracassou nas Eliminatórias e o craque sequer viajou para a Copa na Suécia.
1962 – Omar Sívori (Itália): Marcou apenas um gol e viu a Itália ser eliminada ainda na fase de grupos no Chile.
1966 – Eusébio (Portugal): Brilhou intensamente e foi o artilheiro do Mundial com 9 gols, mas Portugal caiu na semifinal para a Inglaterra, terminando em 3º.
1970 – Gianni Rivera (Itália): Viveu crise nos bastidores, jogou a final por apenas seis minutos e assistiu à goleada do Brasil por 4 a 1.
1974 – Johan Cruyff (Holanda): Comandou o revolucionário "Carrossel Holandês", mas acabou derrotado de virada na final pela dona da casa, a Alemanha Ocidental (2 a 1).
1978 – Allan Simonsen (Dinamarca): No auge físico na Europa, ficou de fora do Mundial da Argentina porque a Dinamarca não se classificou.
1982 – Karl-Heinz Rummenigge (Alemanha Ocidental): Jogou a Copa no sacrifício por conta de uma grave lesão na coxa e amargou o vice-campeonato na final contra a Itália (3 a 1).
1986 – Michel Platini (França): Limitado fisicamente por uma pubalgia, o camisa 10 parou na semifinal diante da Alemanha Ocidental (2 a 0).
1990 – Marco van Basten (Holanda): Teve uma participação irreconhecível, passou o torneio em branco e a Holanda caiu nas oitavas para a Alemanha Ocidental.
1994 – Roberto Baggio (Itália): Carregou a Itália até a decisão, mas jogou a final baleado e isolou o pênalti do tetracampeonato do Brasil.
1998 – Ronaldo (Brasil): Teve uma convulsão horas antes da final em Paris e entrou em campo visivelmente abalado; o Brasil perdeu por 3 a 0 para a França.
2002 – Michael Owen (Inglaterra): Marcou contra o Brasil nas quartas de final, mas levou a virada por 2 a 1 (gols de Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho).
2006 – Ronaldinho Gaúcho (Brasil): Longe do brilho do Barcelona, não marcou gols e o Brasil foi eliminado nas quartas pela França de Zidane.
2010 – Lionel Messi (Argentina): Sob o comando de Maradona, o camisa 10 jogou bem, mas não fez gols e a Argentina foi goleada pela Alemanha por 4 a 0 nas quartas.
2014 – Cristiano Ronaldo (Portugal): Atrapalhado por uma tendinite crônica no joelho, fez só um gol e Portugal caiu na fase de grupos no Brasil.
2018 – Cristiano Ronaldo (Portugal): Começou com um hat-trick histórico contra a Espanha, mas Portugal parou no Uruguai nas oitavas de final (2 a 1).
2022 – Karim Benzema (França): Sofreu uma lesão na coxa três dias antes da estreia no Catar e foi cortado; a França foi vice-campeã, nos pênaltis.
2026 - Ousmane Dembélé (França): É o atual dono da Bola de Ouro e a França uma das favoritas ao título mundial.
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