• Quinta, 21 de Maio de 2026

Assoreamento avança e causa colapso silencioso nas águas do Rio da Prata

Ausência de Áreas de Preservação Permanente, erosão do solo, assoreamento e sedimentos têm causado o problema

IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS


Rio Verde desaguando no Rio da Prata (Foto: Divulgação/Instituto Homem Pantaneiro)



De um lado, as águas cristalinas do Rio da Prata. Do outro, uma massa turva, densa, carregada de sedimentos vindas do Rio Verde. Esse encontro denuncia um colapso silencioso e o avanço da degradação ambiental sobre um dos patrimônios naturais mais valiosos de Mato Grosso do Sul.

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A cena impressionante foi registrada no Rio Verde, afluente do Rio da Prata, em Jardim. A água barrenta que invade o curso cristalino carrega sinais de erosão do solo, assoreamento e sedimentos que, pouco a pouco, têm feito as águas deixarem de ser cristalinas.

Mais adiante, o impacto se agrava: o Rio da Prata já deságua no Rio Miranda completamente sujo.

Durante monitoramento ambiental realizado pelo IHP (Instituto Homem Pantaneiro), a equipe técnica constatou um problema antigo, mas cada vez mais grave.

A situação, segundo o biólogo do instituto, Sérgio Barreto, é resultado direto de uma combinação perigosa: ausência de APPs (Áreas de Preservação Permanente), uso inadequado do solo, erosão acelerada e processos intensos de assoreamento.

“Isso não é de hoje. Infelizmente, não estamos tendo uma evolução no quadro do Rio Verde, ele continua carregando uma grande quantidade de sedimento, é uma água bem suja e que impacta diretamente no Rio da Prata', pontuou.

Apesar do monitoramento constante e das tentativas de encontrar soluções, os avanços práticos ainda não apareceram.

“Sempre estamos acompanhando essa questão do Rio Verde e tentando achar soluções, mas infelizmente essas soluções não estão aparecendo. O Rio Verde continua contribuindo de forma negativa e é necessária uma correção imediata, algo precisa ser feito antes que esses impactos sejam irreversíveis aqui no Rio da Prata e no próprio Rio Verde', destacou.

O biólogo reforça a gravidade das consequências. “É um rio de uma beleza cênica impressionante, um rio com suas águas cristalinas. Essa água com sedimento, tira tudo isso. O rio ali está sujo, ele começa a ter problema de assoreamento, diminui sua profundidade e isso pode impactar em toda essa biodiversidade e ecologia do rio. Então, isso é gravíssimo', lamentou.

O Campo Grande News entrou em contato com o Governo do Estado para saber sobre algum projeto para correção do problema, e aguarda o retorno.

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