Coronel Sapucaia
O que se comia na época de Jesus: o livro das 400 receitas
MáRIO SéRGIO LORENZETTO / CAMPO GRANDE NEWS
Eles estavam vestidos de túnicas e sandálias. Viviam no Império Romano. A maior fonte sobre alimentos que existe dessa época é um livro intitulado “Derreco Cuinaria', quer dizer “Arte Culinária' e foi escrito por Marcus Gavius, um rico cidadão romano. Gavius era um comerciante, mas muito além de ganhar dinheiro, era um gourmet, um epicurista dado aos prazeres, que nunca se fartava de viajar. Fazia uma viagem depois da outra, com uma só intenção: comer. Foi ele que escreveu o livro das 400 receitas. Gavius, no entanto, morreu na miséria porque destruiu sua fortuna em banquetes monumentais.
Manteiga era medicamento. Em primeiro lugar, já tinham pão, mas não tinham açúcar. Os alimentos doces levavam mel para adoçar. O açúcar só aparecerá 500 anos mais tarde no Oriente. Eles também tinham manteiga, mas era usada como um medicamento e não como alimento. Era usada para combater a tosse. Também a esfregavam nas articulações para evitar dores musculares e para tornar a pele mais flexível. Quem comia manteiga eram os povos bárbaros. Só depois da queda do Império, é que começaram a comer manteiga. Logo a seguir, no entanto, a Igreja Católica a proibiu durante os muitos e longos tempos de jejum.
Pão, pão, pão… fazendo pão. O pão era central na vida de todos que viviam no Império. Muito parecido com os bons pães atuais. O trigo era moído em farinha em gigantescas Mós feitas de pedra. Misturavam essa farinha com água e um pouco de sal para fazer a massa. Usavam um fermento natural. Esse fermento era feito misturando farinha com mosto de uva parcialmente cozida até azedar. Os pães eram cozidos em fornos de lenha nas esquinas das ruas. Só nas ruínas de Pompéia, descobriam 35 fornos de rua. E por lá, tinham máquinas para amassar o pão. Cilindros giratórios que misturavam a massa dentro de um tanque para as pessoas não colocarem a mão na massa. Super evoluídos. O costume era servir pão com mel espalhado por cima. A seguir, tinham o hábito de ensopar o pão nas sopas, nos molhos e até no vinho.
O molho de peixe de todo dia. Além do pão onipresente em todas as refeições, eles tinham um molho de peixe que disputava com o pão. Era chamado “garum', algo semelhante como usamos o sal atualmente. Era feito das vísceras dos peixes fermentadas ao sol. A localidade sob o domínio de Roma que mais produzia garum era a agora famosa Ceuta, dos invasores marroquinos do território espanhol.
As almôndegas. Depois do pão e do garum, o terceiro lugar na preferência eram as almôndegas. Bolinhos de carne picada misturada com pinhões, levando ainda pimenta e vinho. E ainda podiam levar algum pedaço de fruta no interior. O começo dessa receita era misturar o pedaço de a carne com o miolo do pão, somente o miolo. No final dessa receita, envolviam esse bolinho em uma película da gordura que envolve os órgãos internos dos animais, para dar a forma correta.
Não era boi a carne predileta, comiam pavão e leitão. É surpreendente, a carne predileta de muita gente dessa época era a de pavão. O pavão era uma ave comum, nada tinha de exótico. Havia pavão em todo o Império. Além do pavão, comiam faisão, coelhos, galinhas e leitões. O leitão era a carne que concorria com o pavão. O leitão, no entanto, ganhava do pavão na Europa que não estava sob o domínio dos romanos. Fazia parte das rações dos soldados, era a principal fonte de energia. Carne de vaca, por outro lado, era raríssima, só criavam para obter leite. Os bois eram usados nos trabalho, para puxar carroça e mover instrumentos na agricultura.
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