Coronel Sapucaia
Empresário de hotéis e restaurantes é preso por dívida de R$ 74 mil em pensão
Defesa afirma que ex-companheira e duas filhas menores ficaram sem recursos após o fim do relacionamento
BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
Empresário de uma rede de hotéis, restaurantes, lanchonetes e postos de combustíveis foi preso na manhã desta sexta-feira (16), por dívida de pensão alimentícia. No mandado de prisão consta que o débito relacionado à obrigação alimentar é de R$ 73.994,82. O homem foi localizado em uma caminhonete Ram azul-marinho, em Campo Grande.
O empresário não será identificado na reportagem para preservar a identidade das duas filhas menores de idade, de 15 e 8 anos, e da ex-esposa, que possui medida protetiva concedida pela Justiça.
Conforme a advogada, Bruna Gasperini, que representa a ex-esposa do empresário, a separação foi decidida pela mulher em dezembro. Após o fim do relacionamento, o empresário deixou a residência e, diante de episódios de violência psicológica e financeira, ela solicitou medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha.
Ainda segundo a defesa, o homem teria proibido a entrada da ex-esposa nas empresas da família, bloqueado os cartões de crédito e interrompido os repasses financeiros. Com isso, a mulher e as filhas teriam ficado sem recursos para se manter.
A Justiça determinou o pagamento mensal de R$ 12 mil à ex-esposa como parte das medidas protetivas. A prisão desta sexta-feira, segundo a advogada, ocorreu pelo descumprimento da obrigação alimentar.
Paralelamente, a defesa ingressou com outra ação judicial para estabelecer a pensão das duas filhas. Nesse processo, foi solicitado o pagamento mensal de três salários mínimos para cada menina. Considerando o salário mínimo nacional de R$ 1.621 em 2026, o valor corresponde a R$ 4.863 por filha, totalizando R$ 9.726 mensais. Segundo a advogada, a dívida referente à pensão das meninas já se aproxima de R$ 60 mil, e os pagamentos nunca teriam sido realizados.
Segundo a defesa, o juiz reconheceu indícios de violência psicológica e financeira, considerando que o empresário teria bloqueado as fontes de renda que sustentavam as filhas. A advogada afirma que as meninas continuam sem receber os valores, enquanto a mãe, que sempre trabalhou ao lado do ex-marido na administração das empresas da família, não exerce outra atividade profissional.
A localização do empresário também teria dificultado o andamento dos processos. Segundo a advogada, ele morava em Água Clara, mas desapareceu, e a defesa não conseguia encontrá-lo. Diante da situação, foi solicitada à Justiça a geolocalização para auxiliar nas buscas.
Com a suspeita de que ele estivesse em Campo Grande, a advogada entrou em contato com a polícia da Capital e informou a placa da caminhonete Ram azul-marinho utilizada pelo empresário. Conforme o relato, os policiais localizaram o veículo e abordaram o homem na rua. Após a prisão, ele foi encaminhado à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.
O empresário também é sócio de uma empresa de energias renováveis que possui mais de 20 usinas hidrelétricas em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás. Ele também é proprietário de uma rede de restaurantes e lanchonetes, além de hotéis e postos de combustíveis, com empreendimentos em cidades de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
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