• Quinta, 01 de Outubro de 2026

Brasil inicia ciclo para 2030 com mais de 90% de jogadores com histórico em seleções de base

Dos 26 convocados para os jogos contra Austrália e Índia, apenas Raphinha e Lino não defenderam o país em categorias inferiores. Planejamento prevê integração dos Sub-15 ao profissional

GLOBOESPORTE.COM / CAHê MOTA


Time posado do Brasil antes do amistoso contra a Austrália — Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Valorizar o passado para encurtar caminhos e projetar o futuro. A seleção brasileira inicia o ciclo para 2030 disposta a renovar peças, mas muito de olho em talentos que já estão acostumados a vestir a camisa amarela. Na primeira Data Fifa após a decepcionante participação na Copa do Mundo, Carlo Ancelotti abriu a porta para caras novas com uma convocação com mais de 90% dos jogadores com histórico nas seleções de base do Brasil.

Se o trabalho bem sucedido de Luis De la Fuente na Espanha virou referência e colhe frutos com os títulos europeu e mundial, o Brasil entende que olhar para si próprio e também valorizar o que já vinha sendo desenvolvido é fundamental. Desde o Mundial, as comissões técnicas das Seleções Sub-15, Sub-17 e Sub-20 participam de reuniões com a equipe principal. O fruto imediato desta integração é o fato de 24 dos 26 jogadores chamados já estão acostumados a defender o país em categorias inferiores.

Raphinha e Samuel Lino são as únicas exceções em um grupo que conta com jovens que vestiram a camisa da Seleção do Subo-15 ao Sub-23. O grupo conta desde campeões olímpicos, como Marquinhos, Douglas Santos e Bruno Guimarães, até os novatos Martinelli, que participou apenas de treinamentos com o Sub-18, e Gabriel Bontempo, que comemorou a convocação para o Sub-20, mas acabou não liberado pelo Santos.

Andrey é o jogador chamado com mais frequência. O volante do Manchester United defendeu o Brasil em seis categorias diferentes antes de chegar ao profissional: Sub-15, 17, 18, 19, 20 e 23. Mais do que apenas jogar, a maioria dos jovens pode se orgulhar de ter sido campeão pela Seleção, que é atual bicampeã dos Sul-Americanos Sub-17 e Sub-20.

Todos os 24 garotos passaram pelas mãos do tetracampeão Branco. Em sua segunda passagem como coordenador das seleções de base da CBF, o ex-lateral-esquerdo ocupa o cargo desde 2018 e falou sobre a proximidade com a equipe principal desde a chegada de Carlo Ancelotti.

- Tenho muita confiança no trabalho que buscamos desenvolver com os atletas na base da Seleção. Temos um departamento de observação e análise muito competente. O Ancelotti terá muita informação e opções para promover essa etapa de renovação com tranquilidade. Nesta primeira convocação pós-Copa, a maioria dos jogadores tem passagens sólidas pela base. Muitos com conquistas importantes de Sul-Americanos e de ciclo olímpico. São jogadores acostumados a vestir a Amarelinha e que entendem o tamanho da responsabilidade.

A CBF tem ampliado a lupa no processo de formação de jovens do futebol brasileiro, em projeto que tem o gerente de seleções, Cícero Souza, como um dos principais responsáveis pela integração com clubes e federações. Branco é um dos líderes deste processo e reforça a importância deste contato direto:

- Trabalhamos muito em conjunto com os clubes, que são os verdadeiros formadores, para sanar carências e voltarmos a preparar atletas com o nosso DNA. É um processo que precisa ser contínuo, de muita integração entre as comissões técnicas.

"Até por conhecer muito de Seleção e de futebol brasileiro, tenho essa responsabilidade de entender o momento que estamos passando e o compromisso de dar essa resposta ao torcedor. É complexo, mas é minha missão. Quero agradecer ao Ancelotti e sua comissão por essa convocação de oportunidades e de total confiança na base"

Diretor de seleções, Rodrigo Caetano é quem comanda todo este processo e valoriza a conhecimento mais próximo das peculiaridades de cada jovem. Mais do que aqueles que já passaram pela Seleção, o objetivo é mapear e identificar talentos com potencial de convocação.

- Discutimos perfil de atleta, questão comportamental, a forma como vamos nos aproximar dos clubes... É importante o acompanhamento desses atletas de forma mais próxima os atletas da seleção principal e, principalmente, de base.

"Esse é o maior resultado desta integração para sabermos onde estão os talentos, quem são, e teremos um banco de dados com um número maior de opções"

Campeão Sul-Americano Sub-20 em 2025 ao lado de Arthur Dias, Breno Bidon e Rayan, Jair ressalta a importância da experiência na base para "quebrar o gelo" ao chegar no profissional. Por mais que as dimensões sejam diferentes, vestir a camisa do Brasil não é mais uma novidade:

- É um momento único, um momento muito especial estar aqui na Seleção Brasileira Principal. Passar pela base foi muito importante. Não só jogar, mas também ser campeão. Acho que consigo trazer uma experiência muito grande nesses campeonatos. É algo que me ajudou muito e com certeza vai ser muito bom para que eu possa ter sequência.

Com 24 jogadores com passagens nas categorias de base da Seleção, o Brasil encerra a Super Data Fifa neste sábado, diante da Índia, às 11h (de Brasília), em Calcutá. Nos dois jogos contra a Austrália, Ancelotti usou 25 jogadores e completará a lista com a confirmação antecipada do goleiro Pedro Morisco como titular diante dos indianos.



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