• Terça, 15 de Setembro de 2026

Justiça manda Correios manterem 80% dos funcionários durante greve

Determinação vale para unidades de atendimento, transporte e distribuição; paralisação nacional continua

VIVIANE OLIVEIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Clientes são atendidos em agência dos Correios em Campo Grande (Foto: arquivo/Paulo Francis)

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou que os Correios mantenham pelo menos 80% dos funcionários trabalhando em cada unidade durante a greve nacional da categoria. A liminar foi concedida no sábado (12), e o movimento continua sem previsão de término.

A medida vale para unidades de atendimento, tratamento, transporte e distribuição de encomendas, além de setores administrativos e de suporte necessários ao funcionamento dos serviços postais.

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Em Mato Grosso do Sul, o presidente do Sintect-MS (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Mato Grosso do Sul), Wilton dos Santos Lopes, afirmou que o movimento continua e vem ganhando adesão. “A greve continua forte. Conseguimos seguir firmes na luta', disse.

O sindicato também foi questionado sobre quantos trabalhadores e agências aderiram, os impactos nas entregas e no atendimento e os efeitos da determinação do TST no Estado, mas não respondeu a esses pontos até a publicação desta matéria.

A mobilização nacional começou na noite de quinta-feira (10), após trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pelos Correios nas negociações do acordo coletivo. Segundo a Findect (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações), 35 assembleias aprovaram a greve por tempo indeterminado.

Na sexta-feira (11), os Correios recorreram ao TST e pediram que o movimento seja considerado abusivo. A legalidade da greve e as reivindicações dos funcionários ainda serão analisadas pelo tribunal. O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30, e um acordo ainda pode ser firmado até lá.

Para reduzir os impactos nos serviços, a estatal informou que acionou um plano de contingência, com funcionários de áreas administrativas deslocados para atividades operacionais, remanejamento de veículos e realização de mutirões. Segundo os Correios, as agências permanecem abertas ao público.

Entre os principais impasses nas negociações está o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes. A empresa afirma que a proposta apresentada mantinha 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo e previa reajuste pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) nos salários e benefícios.

A mobilização ocorre em meio à crise financeira dos Correios. A estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e busca um empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados como parte do plano de reestruturação financeira.

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