• Sábado, 29 de Agosto de 2026

Juiz manda soltar trio preso há 18 dias por morte no Monte Castelo

Investigação mudou de rumo depois que o 4º envolvido confessou ter feito os disparos

GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS


O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, mandou soltar nesta sexta-feira (28) Thiago Pereira Carrilho, Rodrigo Andrade de Oliveira e Jackson Lins de Souza, presos há 18 dias sob suspeita de participação na morte de Karlos Eduardo Carvalho dos Santos, de 18 anos, na região do bairro Monte Castelo, em Campo Grande.

A decisão foi tomada depois de o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) concluir que a investigação não reuniu indícios suficientes de autoria contra os três. A Justiça expediu os alvarás no fim da tarde, com ordem de liberdade imediata caso eles não estejam presos por outro motivo.

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Leandro Moreira da Silva, de 35 anos, o “Zóio', não foi beneficiado pela decisão e continua preso preventivamente. O MPMS apresentou acusação apenas contra ele pelo assassinato de Karlos e atribuiu a Leandro os três disparos que atingiram o jovem. O juiz recebeu a denúncia nesta sexta e determinou o prosseguimento do processo.

Na decisão que libertou o trio, Garcete citou diretamente a mudança no resultado da investigação. “Em análise aos autos, verifico que, encerrada a investigação policial, o MP entendeu não haver indícios de autoria em relação a Thiago, Rodrigo e Jackson. De fato, os motivos que ensejaram a prisão preventiva dos acima citados não mais subsistem. O próprio órgão acusatório manifestou-se pela sua revogação', escreveu.

O magistrado determinou a saída dos três ao concluir que os fundamentos usados para mantê-los presos deixaram de existir. Os documentos foram emitidos individualmente para Thiago, Rodrigo e Jackson.

Uma semana antes da decisão, no entanto, o magistrado havia rejeitado o pedido de soltura apresentado por Thiago e Jackson, mesmo com a confissão de Leandro já anexada ao processo. Na ocasião, o juiz avaliou que a declaração de uma terceira pessoa 'não bastava para afastar os indícios existentes' e destacou que as imagens 'ainda não tinham passado por análise oficial'.

Entenda - Thiago, Rodrigo e Jackson foram presos na madrugada de 10 de agosto, poucas horas depois de Karlos ser baleado na Rua Rio de Janeiro. O jovem ainda correu cerca de 1,2 quilômetro antes de cair no cruzamento das ruas Doutor Fausto Pereira e Anita Garibaldi, onde morreu. Naquela madrugada, equipes localizaram os três dentro de um Fiat Uno cinza apontado como veículo ligado ao crime.

Uma testemunha afirmou ter reconhecido Thiago como o homem que teria feito os disparos, versão que sustentou a suspeita inicial contra ele. Dentro do Uno, foram encontrados cinco celulares, entre eles o aparelho de Karlos, além dos telefones dos três ocupantes. A arma usada contra o jovem não foi localizada naquela ocasião.

A investigação mudou de direção em 18 de agosto, quando Leandro foi localizado e admitiu ter atirado em Karlos. Ele alegou legítima defesa e afirmou que Karlos, Thiago e Rodrigo foram ao seu encontro no Fiat Uno para atacá-lo. Segundo o relatório final, Leandro disse que Karlos sacou uma arma, que caiu no chão durante a discussão, e que ele tomou o revólver antes dos disparos.

A análise das imagens também passou a enfraquecer a identificação inicial de Thiago como atirador. A Polícia Civil registrou que os vídeos mostravam uma pessoa correndo atrás de outra, identificadas no contexto da apuração como Karlos e Leandro, mas destacou que a baixa qualidade da gravação não permitia reconhecimento facial independente. O relatório concluiu ainda que não foi possível confirmar “de maneira autônoma e segura' que Thiago tivesse efetuado os tiros.



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