Coronel Sapucaia
Mais da metade das mortes de crianças indígenas poderia ser evitada, diz estudo
Mato Grosso do Sul aparece com 74 óbitos de indígenas de até 4 anos no levantamento de 2025
ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS
Relatório do Cimi aponta que 586 das 1.024 mortes de indígenas de até 4 anos no Brasil poderiam ter sido evitadas, principalmente em casos ligados a doenças e falta de assistência adequada
Mato Grosso do Sul registrou 74 mortes de crianças indígenas de até 4 anos em 2025, segundo o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), considerando o percentual nacional, pelo menos 42 poderiam ter sido evitadas.
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O levantamento aponta que, em todo o país, 1.024 crianças indígenas nessa faixa etária morreram no período, sendo que 586 óbitos, equivalentes a 57% do total, foram considerados evitáveis.
Entre as principais causas apontadas pelo relatório estão mortes associadas a gripe e pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição. Segundo o Cimi, esses casos poderiam ser reduzidos com ações adequadas de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento em saúde.
O relatório inclui os dados de mortalidade infantil no capítulo sobre violência por omissão do poder público, que reúne situações relacionadas à falta ou precariedade de serviços essenciais oferecidos às populações indígenas.
Além das mortes de crianças, o levantamento aponta problemas estruturais que afetam o atendimento às comunidades indígenas, como um todo. Em Mato Grosso do Sul, o foram 14 mortes de adultos nas aldeias por desassistência na saúde em 2025, o maior número entre os estados. No país, foram 62 mortes nessa categoria.
As deficiências que podem ser fatais, segundo o Cimi, são dificuldades de acesso à saúde, falta de infraestrutura, ausência de profissionais e medicamentos, além de problemas relacionados ao fornecimento de água potável e saneamento.
No recorte nacional, o relatório também registrou 62 mortes de indígenas por desassistência na saúde em 2025 e 121 casos de desassistência na área da saúde.
Um dos exemplos da precariedade na estrutura de atendimento à saúde indígena é a situação enfrentada nas aldeias Bororó e Jaguapiru, na Reserva Indígena de Dourados. As comunidades passaram a registrar aumento de casos de dengue e chikungunya no início de 2026, em um cenário que lideranças indígenas relacionam a falhas na prevenção e dificuldades no atendimento.
A crise ganhou maior gravidade após a morte de 11 pessoas por chikungunya. A situação expôs problemas já relatados pelas comunidades, como falta de água, dificuldade de acesso a serviços de saúde e necessidade de reforço nas ações de combate ao mosquito transmissor.
Segundo relatos de moradores, antes do agravamento dos casos não houve mobilização preventiva considerada suficiente, como visitas frequentes de agentes de saúde, orientações coletivas e ações contínuas de combate ao Aedes aegypti.
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