Coronel Sapucaia
Suspeitos de ocupar avião interceptado pela FAB morrem em confronto
Um dos mortos foi identificado como o narcotraficante boliviano José Mariano Paes
GUSTAVO BONOTTO E BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
O narcotraficante boliviano José Mariano Paes, apontado pelo Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) como um dos mais procurados da Bolívia, morreu com outros três homens durante confronto com uma equipe do batalhão no início da noite desta sexta-feira (7), em área de mata próxima ao Rio Coxim, zona rural de São Gabriel do Oeste, distante 137 quilômetros de Campo Grande.
Segundo a PM (Polícia Militar), o grupo é suspeito de ocupar o avião interceptado pela FAB (Força Aérea Brasileira) há uma semana e teria recebido a patrulha com tiros de fuzil. Os quatro foram atingidos, levados para atendimento no Hospital Municipal José Valdir Antunes de Oliveira e tiveram as mortes constatadas ainda na emergência.
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Paes é o único identificado até o momento. Os nomes dos outros três mortos ainda não foram divulgados à imprensa. Nenhum militar ficou ferido durante o confronto.
As equipes procuravam havia sete dias os quatro homens que fugiram para a mata depois que a aeronave fez um pouso forçado na região. Conforme o Bope, os ocupantes deixaram a Bolívia depois de uma emboscada contra integrantes das forças especiais daquele país, que terminou com a morte de um policial.
A localização ocorreu durante buscas em uma área de vegetação fechada próxima ao Rio Coxim. O batalhão acredita que os fugitivos tenham permanecido às margens do rio durante a última semana para conseguir água e alimentos, além de usar a mata como esconderijo.
A ação é registrada como morte decorrente de intervenção policial. Até a publicação desta matéria, Mato Grosso do Sul soma 99 mortes resultantes de 84 confrontos.
Interceptação - O avião entrou no espaço aéreo brasileiro em 31 de julho, um dia depois da morte do policial boliviano. Segundo o Bope, os quatro suspeitos embarcaram na Bolívia com destino ao Estado de São Paulo.
O Gefron (Grupo Especial de Fronteira), de Mato Grosso, repassou informações sobre o voo, e a FAB foi acionada para interceptar a aeronave. Como o Campo Grande News mostrou na ocasião, o avião voava sem plano registrado, não mantinha contato com os órgãos de controle de tráfego aéreo e estava sem matrícula identificada.
Dois caças A-29 Super Tucano acompanharam a aeronave. O piloto não obedeceu às determinações da Defesa Aeroespacial Brasileira, e os militares efetuaram um tiro de detenção para impedir a continuidade do voo.
O avião fez um pouso forçado em uma estrada vicinal na região do Areado, em São Gabriel do Oeste. Os quatro ocupantes entraram na mata antes da chegada das equipes terrestres. Nenhuma droga foi encontrada na aeronave.
O Bope iniciou as buscas com apoio do Grupamento Aéreo da Polícia Militar. Equipes do 5º Batalhão de Polícia Militar, do Batalhão de Polícia Militar Rural e da 12ª Companhia Independente de Polícia Militar, de São Gabriel do Oeste, também participaram da operação.
Ataque na Bolívia - A possível ligação entre o avião e uma sequência de ataques na Bolívia já havia sido revelada pelo Campo Grande News nesta semana. O jornal boliviano El Deber informou que investigadores apuravam se a aeronave havia retirado do país o grupo responsável por uma emboscada em San Matías, na fronteira com Mato Grosso.
O subtenente da Polícia Boliviana Yerson Salazar Aliendres morreu no ataque em 30 de julho. Ele integrava uma força especial de Santa Cruz e seguia para investigar uma chacina quando homens armados atacaram a viatura. Outro policial ficou ferido.
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