Esportes
Artilheiro da Copa do Brasil, Renê custou R$ 6,5 milhões ao Vitória e começou em time de farmácia
Atacante fez dois gols na goleada heroica sobre o Athletico-PR, na última quinta-feira, que classificou o Rubro-Negro para as quartas de final da competição
GLOBOESPORTE.COM / THEO FERNANDES*
A classificação do Vitória para as quartas de final da Copa do Brasil veio com virada histórica e goleada por 4 a 0 sobre o Athletico-PR. O protagonista da noite, Renê, marcou duas vezes e abriu folga na artilharia da competição, com seis gols. Evolução meteórica para quem disputava a Série D no ano passado e começou a carreira em um time de farmácia .
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O jovem de 22 anos é o vice-artilheiro do Vitória na temporada, com 12 gols, mas já havia chamado a atenção com a camisa da Portuguesa e marcado outros sete gols em 2026. São 19 bolas na rede e três assistências em 36 jogos neste ano, até agora o ponto alto de uma trajetória que começou bem longe dos holofotes.
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Início em clube de farmácia
Os primeiros passos de Renê, nascido em Fortaleza, foram no Tirol, que surgiu em 2011 com o nome de Grêmio Recreativo Pague Menos. Tudo começou com competições internas entre funcionários da rede de farmácias que batizou o clube .
A equipe se filiou à Federação Cearense de Futebol em 2018 e, em 2022, se tornou a primeira SAF do estado, quando mudou o nome para Tirol. Naquele mesmo ano, Renê foi artilheiro do Campeonato Cearense Sub-20 com 11 gols em 15 jogos e comandou a campanha do título do Tirol, que superou o Fortaleza na final.
Ele também estreou como profissional em 2022 com sete jogos na Segunda Divisão do Campeonato Cearense, mas não marcou gols.
No ano seguinte, se transferiu ao São José, clube em que deslanchou como profissional. Renê marcou 21 gols e fez uma assistência em 78 jogos ao longo de duas temporadas no clube, entre eles o gol do título da Copa Gaúcha de 2024, mas amargou o rebaixamento para a Série D no mesmo ano. O destaque rendeu uma transferência à Portuguesa, que disputa a Quarta Divisão nacional, no fim do ano passado.
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O grande salto
Não demorou nada para que Renê evoluísse ainda mais e deslanchasse de vez na Portuguesa. Foram sete gols e duas assistências em 11 jogos, entre eles uma atuação com dois gols no Morumbis contra o São Paulo, no Campeonato Paulista. Também foi pela Lusa que ele atingiu o posto de artilheiro da Copa do Brasil, com quatro gols em três jogos.
O atacante precisou de três meses para mostrar que merecia o salto da Série D para a A. No último dia da janela de transferências do primeiro semestre, o Vitória pagou R$ 700 mil pelo empréstimo e venceu concorrência do Corinthians, que buscava um acordo sem taxa adicional.
"Não é caneludo"
Em sua apresentação, o diretor de futebol Sérgio Papellin escolheu um elogio simples, mas que diz o bastante: "Não é caneludo". Em pouco mais de dois meses em Salvador, ele mostrou que o teto ainda estava distante e chegou a dez gols e uma assistência nos primeiros 18 jogos, desempenho que o tornou titular e desbancou Renato Kayzer.
O Vitória avaliou que já tinha visto o suficiente para efetivar a cláusula de compra de 1 milhão de euros, o equivalente a R$ 5,8 milhões na cotação da época, por metade dos direitos econômicos do atacante e assinar contrato até o meio de 2029. Com o valor pago no empréstimo, o pacote total foi de aproximadamente R$ 6,5 milhões.
A compra, porém, pareceu dar azar ao atacante no primeiro momento. Foram seis jogos sem marcar depois de ser anunciado em definitivo, seu maior jejum na temporada, que já parecia uma eternidade em comparação ao desempenho meteórico de 2026.
Não havia momento melhor que a noite da última quinta-feira para encerrar o jejum. Ele contou com duas falhas do goleiro Santos, do Athletico-PR, para deixar o Vitória mais próximo da virada histórica nas oitavas de final da Copa do Brasil, conquistada com 4 a 0 no Barradão.
Elogios do chefe
Depois da classificação, o treinador Jair Ventura comentou conversa com Renê, elogiou sua personalidade e lembrou do jejum de sete jogos sem marcar que o atacante atravessava até desencantar na goleada.
- Tive uma conversa com ele em particular, muito boa, mas não posso revelar, fica ali. A gente trabalha com 33 jogadores que têm personalidades diferentes. Alguns tem que bater e xingar, outros tem que dar carinho. Essa é a parte boa dos treinadores, gerir, lidar com pessoas. Torço para que Renê possa ser artilheiro do campeonato. Ele é um menino, veio da Série D, pode estar passando pelo primeiro momento de oscilação. Hoje estava muito feliz, mais feliz que eu - contou Jair Ventura.
A soma das passagens de destaque resulta em 40 gols e quatro assistências em 121 jogos em toda a carreira como profissional, uma média de menos de três jogos para participar diretamente de um gol .
De volta aos trilhos do caminho dos gols, Renê tem 12 gols em 25 jogos com a camisa rubro-negra, números que o colocam na vice-artilharia da equipe na temporada, com um gol a menos que Renato Kayzer. O próximo desafio é contra o Flamengo no Maracanã, neste domingo, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.
*Sob supervisão do repórter Rafael Teles.
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