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Palmeiras vai a 52% de chances de título do Brasileirão, Flamengo tem 38%, e os outros somam 10%
Athletico-PR, Bragantino e Fluminense tentam ser os penetras na disputa pela taça, e Chape tem menos de 1% de possibilidade de permanecer na Série A por mais uma temporada
GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO BREVES
O Campeonato Brasileiro 2026 chegou à metade com o fim da 19ª rodada. Falta apenas um jogo - Flamengo x Mirassol, pela quarta rodada e ainda sem data -, mas nada tira o título simbólico do primeiro turno do Palmeiras. Com 77% de aproveitamento e 44 pontos, sete à frente do Fla, que pode diminuir a diferença para quatro se vencer a partida adiada, a equipe alviverde fecha a parte inicial da competição como grande favorita com 52,17% de chances de título e com o melhor primeiro turno da sua história.
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Atual campeão, o Flamengo não pode ser desconsiderado da disputa pelo Brasileirão. Mesmo tendo perdido o confronto direto em casa e sete pontos atrás (com um jogo a menos), as possibilidades rubro-negras estão em 38,31%. Na volta da competição após a Copa do Mundo, o 4 a 0 contra a lanterna Chapecoense mostrou que o Fla está com apetite por mais uma taça. Só que o Palmeiras também venceu com autoridade neste meio de semana com o 3 a 1 diante do Coritiba. Ambas as vitórias foram fora de casa.
Na abertura do returno, os rivais vão jogar em casa no próximo domingo. Enquanto o Flamengo recebe o São Paulo, no Maracanã, o Palmeiras encara o Atlético-MG no Nubank Parque. Curiosamente, ambos tropeçaram contra esses mesmos adversários no turno com os rubro-negros perdendo na capital paulista, e os alviverdes empatando em Belo Horizonte.
Mas há alguém correndo por fora pelo título? As chances somadas de Palmeiras e Flamengo estão em 90,48%. Os outros 9,52% estão divididos entre as demais 18 equipes do Brasileirão. Entre elas, as que podem surpreender são Athletico-PR com 3,45%, Bragantino com 2,53% e Fluminense com 1,69%. Mais nenhum time alcança 1% de possibilidades neste momento.
As chances são determinadas por modelos estatísticos aplicados pelo economista Bruno Imaizumi sobre microdados coletados pela equipe do Gato Mestre desde 2013. Foram analisadas as características de todas as finalizações e resultados de 5.128 jogos de Campeonatos Brasileiros, que servem de parâmetro para medir a produtividade atual das equipes no ataque e na defesa a partir da métrica de expectativa de gol (xG), consolidada internacionalmente.
Se uma equipe com desempenhos ofensivos e defensivos apenas medianos será visitante no segundo turno contra adversários que estejam com as melhores performances como mandantes, as chances desse visitante vencer são menores do que de um time eficiente e de alta produtividade ofensiva que tem agendados confrontos contra adversários que, neste momento, estejam com os piores desempenhos caseiros.
Porém, conforme novos jogos são disputados, os potenciais futuros mudam, rodada a rodada. Essas são algumas possibilidades que explicam quando as chances não acompanham exatamente as posições atuais da tabela de classificação: os potenciais futuros são diferentes dos resultados já conhecidos, entre outros motivos, devido à inversão de mandos no returno.
Chances de permanência
Com mais 19 rodadas pela frente, todas as equipes ainda podem garantir suas permanências por mais uma temporada na Série A do Brasileiro. Talvez não a Chapecoense. As chances de seguir na elite são de apenas 0,48%. No primeiro turno, a equipe catarinense somou apenas nove pontos e venceu apenas na primeira rodada contra o Santos. Até o momento não demonstrou capacidade de recuperação, mas o trabalho do técnico Rafael Lacerda está se iniciando agora.
Dois gigantes aparecem com chances preocupantes de permanência. No Z-4, o Vasco está com 49,38% de possibilidade de ficar na Série A e vive uma sequência de quatro derrotas, sendo duas em casa. Em 16º lugar, uma posição acima da zona de perigo, o Grêmio tem 52,53% de chances de seguir na Primeira Divisão e, nos últimos seis jogos, só venceu um. Ambos jogam em casa no início do returno e precisam se recuperar.
Também integrantes do Z-4, Mirassol e Remo vão precisar de um segundo turno de recuperação. Sensação em 2025, a equipe do interior paulista caiu de produção na atual temporada e tem 50,57% de chances de permanência. Já o time paraense, que ficou 32 anos fora da elite, sabe que o objetivo da temporada é escapar da queda e precisa pontuar. Por ora, as possibilidades de o Remo atingir seu objetivo é de 46,58%.
Chances de Libertadores
Finalistas da última Libertadores e vivos na atual edição, Palmeiras e Flamengo dificilmente vão ficar fora da edição de 2027. Além da disputa rodada a rodada pelo título brasileiro, os rivais vão encaminhando suas classificações para a principal competição da América do Sul no ano que vem. As chances de ficar no G-4, que garante vaga direta na fase de grupos, dos alviverdes está em 96,68% e dos rubro-negros em 93,23%.
Há mais duas vagas para a fase de grupos para a Libertadores 2027 e uma para a fase prévia. Athletico-PR, Bragantino e Fluminense despontam como favoritos a estarem no torneio sul-americano. O Furacão manteve a boa fase que se encontrava antes da parada para a Copa, venceu o São Paulo fora de casa e de virada, e está com 50,92% de chances de G-4 e 64,14% de G-5.
Fluminense e Bragantino se enfrentaram na última rodada do turno, ficaram no 1 a 1 no Maracanã e devem seguir na briga pelas vagas à Libertadores. Mesmo dois pontos atrás na classificação, o Massa Bruta aparece com 46,51% de possibilidades de G-4 contra 35,41% dos tricolores. O Gato Mestre não leva em conta apenas a classificação. No returno, por exemplo, o Braga tem 10 jogos como mandante, e o Flu vai jogar em casa nove vezes. O momento da equipe do interior paulista também é melhor. Antes do empate no Rio de Janeiro, o Bragantino vinha de três vitórias, já o Flu não vence há três partidas.
Metodologia
Apresentamos as probabilidades estatísticas baseadas nos parâmetros do modelo de "Gols Esperados" ou "Expectativa de Gols" (xG), uma métrica consolidada na análise de dados que tem como referência as finalizações cadastradas pelo Gato Mestre em 5.128 jogos do Brasileirão desde a edição de 2013.
As variáveis consideradas no modelo são: (1) a distância e o ângulo da finalização em relação ao gol; (2) se a finalização foi feita cara a cara com o goleiro; (3) se foi feita sem a presença do goleiro; (4) a parte do corpo utilizada para concluir; (5) se a finalização foi feita de primeira, ajeitada ou carregada; se o chute foi feito com a perna boa ou ruim do jogador; (6) a origem do lance (pênalti, escanteio, cruzamento, falta direta, roubada de bola, lateral, etc); (7) se a assistência foi feita de dentro da área; (8) a posição em que o atleta joga; (9) indicadores de força do chute; (10) o valor de mercado das equipes em cada temporada a partir de dados do site Transfermarkt (como proxy de qualidade do elenco); (11) o tempo de jogo; (12) a idade do jogador; (13) a altura do goleiro em jogadas originadas de bolas aéreas; (14) a diferença no placar no momento de cada finalização.
De cada cem finalizações da meia-lua, por exemplo, apenas sete viram gol. Então, uma finalização da meia-lua tem expectativa de gol (xG) de cerca de 0,07. Cada posição do campo tem uma expectativa diferente de uma finalização virar gol, que cresce se for um contra-ataque por haver menos adversários para evitar a conclusão da jogada. Cada pontuação é somada ao longo da partida para se chegar ao xG total de uma equipe em cada jogo. Essa variação indica as chances de os times vencerem cada adversário e, a partir daí, é calculada a chance de os clubes terminarem o campeonato em cada posição.
O modelo empregado nas análises segue uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, que calcula as probabilidades de eventos (no caso, os gols de cada equipe) acontecerem dentro de um certo intervalo de tempo (o jogo). Para chegar às previsões sobre as chances de cada time terminar o campeonato em cada posição foi empregado o método de Monte Carlo, que basicamente se baseia em simulações para gerar resultados. Para cada jogo ainda não disputado, realizamos dez mil simulações.
*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.



