Coronel Sapucaia
Câmara condiciona troca de empresa à renovação da frota de ônibus
Vereadores da CPI cobram substituição de 235 veículos e melhorias no sistema sem aumento da tarifa
MYLENA FRAIHA / CAMPO GRANDE NEWS
A venda do Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade, grupo empresarial de Goiás, deve ser condicionada à renovação imediata da frota de ônibus de Campo Grande, defendeu a Câmara Municipal nesta quarta-feira (22). Para os vereadores, a simples troca no controle das empresas não será suficiente para resolver os problemas históricos do transporte coletivo.
A negociação foi divulgada nesta terça-feira (21) e ainda está sob análise da Prefeitura, que mantém intervenção administrativa na concessionária. Segundo o Legislativo, uma eventual transferência deverá vir acompanhada da modernização do sistema, da melhoria na qualidade do serviço e do cumprimento integral do contrato de concessão.
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Para o presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Coletivo e da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito, o vereador Dr. Lívio Leite (União Brasil) afirmou que 235 ônibus já deveriam ter sido substituídos, número superior aos 197 veículos cuja troca imediata foi recomendada pela CPI.
“O que realmente importa ao cidadão campo-grandense não é quem opera o sistema, mas a garantia de um transporte público digno, eficiente, seguro e compatível com a importância da nossa Capital', disse Lívio.
Segundo Lívio, a reestruturação também não pode provocar aumento da tarifa paga pelos passageiros. O vereador defendeu ainda a execução do Plano de Mobilidade Urbana, a implantação e requalificação dos corredores exclusivos, o recapeamento das vias utilizadas pelos coletivos, a modernização dos terminais e a adequação dos pontos de embarque e desembarque.
“Este é o momento de virar definitivamente a página do transporte coletivo de Campo Grande. A população espera mudanças reais, transparência, responsabilidade e compromisso com resultados', acrescentou Lívio.
Já o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), reiterou que a possível mudança no controle do consórcio é um dos desdobramentos da investigação conduzida pelo Legislativo.“Nosso compromisso continua sendo fiscalizar para que essa mudança não fique apenas no papel e resulte, de fato, em um transporte melhor para a população', disse.
Frota envelhecida - A situação da frota foi um dos principais problemas identificados pela CPI. Durante a investigação, a comissão constatou que os ônibus tinham idade média de 8,59 anos, acima do limite previsto, e que pelo menos 40 veículos estavam parados por falta de manutenção.
O próprio consórcio reconheceu que parte dos 460 ônibus havia superado o prazo de uso, mas alegou enfrentar dificuldades financeiras para realizar a renovação. A CPI, porém, calculou uma depreciação acumulada de R$ 94 milhões entre 2016 e 2024 e concluiu que as empresas tiveram capacidade para investir no sistema. “Ao longo dos anos, tiveram condições de comprar ônibus novos e não fizeram. Não adianta transferir essa fatura para a população', afirmou a relatora da CPI, vereadora Ana Portela (PL).
A investigação envolveu mais de 50 horas de oitivas, análise de documentos técnicos e vistorias em empresas e pontos de ônibus. Foram ouvidos representantes do consórcio, da Prefeitura, usuários do transporte coletivo e especialistas.
Além de Lívio e Portela, participaram da CPI os vereadores Luiza Ribeiro (PT), Maicon Nogueira (PP), Júnior Coringa (MDB) e Ademar Vieira Junior.
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