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Como Thomas Tuchel foi de louco a gênio na suada classificação da Inglaterra
Tuchel desmontou a Inglaterra no intervalo, corrigiu o próprio erro com o banco e recolocou Bellingham perto do gol para buscar a classificação
GLOBOESPORTE.COM / LEONARDO MIRANDA
Qual é o limite entre um treinador ser louco ou gênio? A suada classificação da Inglaterra para as semifinais da Copa do Mundo depois de vencer a Noruega por 2 a 1, na prorrogação, em Miami, é um grande exemplo.
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Jude Bellingham foi o protagonista mais uma vez com dois gols num jogo parelho, suado e marcado pelas alterações que o treinador Thomas Tuchel fez: no segundo tempo, a Inglaterra jogou mal, sofreu um gol anulado e uma bola na trave e voltou melhor na prorrogação, após novas mudanças do técnico.
Mudanças essas que geraram uma "torta de climão" entre Jude e Tuchel. O jogador defendeu o time das críticas do alemão na coletiva, dizendo que "talvez ele não saiba como é jogar nessas condições" após a suada classificação.
Primeiro tempo: lentidão e erros de passes da Inglaterra chamam a atenção
Thomas Tuchel montou a Inglaterra num 4-2-3-1: Declan Rice e Elliot Anderson no meio. Rice jogava mais recuado, perto dos zagueiros, enquanto Anderson tinha liberdade para avançar. Bellingham começava como meia central, mas vindo do lado direito para dentro, em uma posição que explorava suas chegadas de surpesa na área.
Esse desenho ajudava a Inglaterra a ocupar o campo adversário, mas faltava velocidade. Kane recebia pouco, os pontas encontravam dificuldade para ganhar os duelos e Bellingham precisava voltar para buscar a bola e criar algo. Com ele longe do gol, a Noruega se fechava e saía bastante para o contra-ataque.
A Noruega aproveitou esse ritmo baixo. Erling Haaland teve uma cabeçada defendida por Jordan Pickford. Pouco depois, Andreas Schjelderup recebeu pela esquerda e marcou em uma finalização que enganou o goleiro inglês.
O problema da Inglaterra começou no intervalo.
A Inglaterra empatou antes do intervalo. Anthony Gordon recebeu pela esquerda e encontrou Bellingham entrando na área. A necessidade de tornar o time mais ofensivo fez Tuchel realizar duas mudanças: Rice havia passado os dias anteriores doente e saiu, assim como Noni Madueke. Entraram Eberechi Eze e Bukayo Saka.
A intenção era tornar o time mais ofensivo. Mas na prática, o treinador desmontou o meio. Anderson passou a jogar sozinho diante dos zagueiros, com Eze e Saka abertos e os laterais passando por dentro. Só que sem Rice, Bellingham tinha que buscar a bola e acaba se afastando da área, deixando de ser presença na tática de cruzamentos que Tuchel coloca no time.
Kane ficou ainda mais isolado entre os zagueiros e a Noruega tomou conta do meio campo. Patrick Berg e Sander Berge passaram a receber com liberdade e empurraram a Inglaterra para trás. Heggem chegou a marcar o segundo gol norueguês, mas a jogada foi anulada por uma falta de Haaland sobre Anderson antes da cobrança do escanteio.
Tuchel corrige com novo meio e aproxima Bellingham do gol
A correção começou aos 70 minutos, com a entrada de Reece James no lugar de Gordon. Embora seja lateral, James foi colocado no meio campo. Sua presença deu a Anderson a chance de voltar a avançar. Bellingham também retornou ao lado direito, perto de Kane.
Depois, com o jogo já indo para a prorrogação, Tuchel colocou Djed Spence na lateral e Morgan Rogers no ataque. James voltou para a direita da defesa, Anderson assumiu novamente a posição mais recuada e Rogers passou a jogar perto de Bellingham e Kane.
A imagem mostra bem como o time ficou com mais presença no ataque. Anderson ficava entre os zagueiros e os laterais, mais descansados, conseguiam correr para apoiar os pontas por dentro. Spence começou a avançar pela esquerda e venceu duelos individuais. O time ficou mais compacto, com maior capacidade de recuperar a bola.
O gol da vitória nasceu justamente dos reservas . Rogers recebeu com espaço e arriscou de fora da área. O goleiro Orjan Nyland não segurou. Bellingham chegou antes dos defensores e marcou no rebote.
Qual é o limite entre louco e g
Kane prende os zagueiros, sai da área para participar e abre espaço. Bellingham aproveita esse movimento para entrar de frente. Dos 13 gols da Inglaterra na Copa, 12 foram feitos pela dupla.
Quando os dois ficam próximos, a Inglaterra se torna mais perigosa. Por isso é de se aplaudir e puxar a orelha de Thomas Tuchel, que fez ingleses passaram por fortes emoções na quarta classificação para uma semifinal de Copa do Mundo do English Team.
O alemão, que fez grande trabalho no Chelsea e por isso está com a Inglaterra, fica com a lição que colocar mais atacantes não garante um time mais ofensivo. Um teste de fogo que terá pela frente uma rivalidade história: a Argentina.



