Coronel Sapucaia
Prefeitura fará nova proposta para cumprir reajuste de 5,4% dos professores
Texto manterá pagamento escalonado do percentual; e será votado pela categoria na segunda-feira
MYLENA FRAIHA / CAMPO GRANDE NEWS
Após mais de duas horas de reunião fechada, a prefeita Adriane Lopes (PP) acordou com a ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública) que apresentará uma nova proposta escalonada para o pagamento dos 5,4% de reajuste do piso dos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino). O texto será formalizado pelo Executivo e levado para votação em assembleia da categoria na próxima segunda-feira (13).
O encontro ocorreu entre 10h e 12h30 desta sexta-feira (10), na sala anexa ao gabinete da prefeita, e reuniu representantes da prefeitura, da ACP e da Comissão Permanente de Educação da Câmara Municipal.
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Apesar de não detalhar os novos percentuais nem o cronograma de pagamento, o Executivo confirmou ao Campo Grande News que a proposta anterior foi reformulada após a rejeição da categoria e será apresentada oficialmente aos professores.
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, além da nova proposta para os 5,4%, a prefeitura aceitou três reivindicações apresentadas pela categoria: publicar a tabela salarial, instituir um calendário permanente de reuniões mensais para acompanhamento das contas e dos investimentos da educação e incluir os 3% previstos para setembro em um cronograma de discussão a partir de janeiro.
Ele ressaltou que a decisão final caberá aos professores em assembleia, que será realizada na segunda-feira, às 18h, na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul).
'A prefeita fez uma outra proposta dos 5,4% da reposição do piso de 2026, num calendário que permanece dividido em três parcelas, e que a gente vai discutir nessa assembleia', afirmou Gilvano. Ele acrescentou que a expectativa do sindicato continua sendo que todo o reajuste seja pago ainda em 2026, embora a proposta oficial ainda não tenha sido divulgada.
O secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, confirmou que o Executivo reformulou a proposta após a rodada de negociação com a presença da prefeita.
'Nós tínhamos elaborado uma proposta para cumprimento, que não foi aceita pela categoria. Mas agora nós sentamos novamente, com a presença da prefeita, atendendo a um pedido claro da Associação dos Professores, e eu acho que agora a gente pode caminhar para uma finalização', disse Ulisses.
Segundo ele, o documento será encaminhado ainda nesta sexta-feira à ACP, mas o conteúdo permanecerá em sigilo até ser analisado pelos professores. 'Primeiro nós vamos levar a proposta para a categoria. Depois eles vão apreciá-la em assembleia. Após isso, a gente volta a discutir e mostrar para vocês o que foi acertado', afirmou.
Outra definição da reunião foi a criação de uma comissão permanente de acompanhamento da educação, com encontros mensais entre prefeitura, sindicato e Câmara Municipal. Conforme Ulisses, o grupo discutirá não apenas a política salarial, mas também as contas da educação e o cumprimento dos compromissos assumidos.
O presidente da Comissão Permanente de Educação da Câmara, vereador Professor Juari Lopes (PSDB), afirmou que um dos principais pontos defendidos pelos vereadores foi garantir que o reajuste não resulte em demissões de servidores convocados. 'Quem de fato vai decidir é a categoria, em assembleia. A decisão da categoria a Câmara vai respeitar', afirmou.
Impacto financeiro - Ao Campo Grande News, Ulisses informou que, caso todo o acordo seja implementado, o custo adicional para os cofres municipais ultrapassará R$ 100 milhões em 2027.
O secretário também pontuou que atualmente educação e saúde consomem praticamente toda a arrecadação do município, o que exige responsabilidade fiscal para equilibrar as contas.
Apesar disso, afirmou que a prefeitura não discute demissões, mas admite que serão necessárias adequações administrativas para acomodar o aumento das despesas. 'Existem algumas adequações administrativas que nós vamos ter que fazer, mas no pedagógico não', declarou Ulisses.
Impasse - A negociação se arrasta desde a paralisação realizada pelos professores em 12 de junho, quando centenas de profissionais da Reme realizaram uma caminhada pelas ruas centrais de Campo Grande para cobrar a aplicação da política do Piso 20h.
Desde então, prefeitura e ACP realizaram seis reuniões, sem consenso. A proposta anterior do Executivo previa parcelar os 5,4% em três etapas: 1,7% em setembro, 1,7% em dezembro e 2% em janeiro de 2027, além de deixar para discutir apenas em janeiro do próximo ano os 3% previstos na Lei nº 7.523/2025.
O modelo foi rejeitado em assembleia geral realizada na última terça-feira (7) pelos professores, que defendem o pagamento integral dos 5,4% ainda em 2026.
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