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Pai de Haaland também atuou pela Noruega e teve carreira encurtada após treta com Roy Keane; entenda
Alf-Inge Haaland foi capitão da seleção norueguesa, passou por Nottingham Forest, Leeds e Manchester City e viu a carreira mudar após uma entrada de ídolo do Manchester United
GLOBOESPORTE.COM / GUSTAVO GARCIA
Muito antes de Erling Haaland se transformar em um dos maiores atacantes do futebol mundial, outro Haaland já era um nome conhecido na Inglaterra e na seleção da Noruega. Alf-Inge Haaland construiu uma carreira marcada pela versatilidade, pela intensidade e por um estilo combativo que conquistou torcedores de Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City.
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Mas também ficou para sempre ligado a um dos episódios mais polêmicos da história da Premier League: a rivalidade com Roy Keane, que culminou em uma entrada violenta do irlandês e mudou os rumos de sua carreira. Anos depois, porém, o ex-volante transformaria a experiência dentro e fora dos gramados em um papel ainda mais importante: o de arquiteto da carreira do filho, Erling Haaland.
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Embora hoje seja conhecido principalmente como "o pai de Erling Haaland", Alf-Inge teve uma trajetória relevante no futebol europeu. Revelado na Noruega, chegou à Inglaterra no início da década de 1990 e passou por Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City, além de defender a seleção norueguesa, da qual também foi capitão e disputou a Copa do Mundo de 1994.
Segundo o jornalista norueguês Lars Sivertsen, correspondente na Inglaterra e autor de um livro sobre Erling Haaland , pai e filho sempre tiveram perfis completamente diferentes dentro de campo.
- O pai do Erling, Alf-Inge Haaland, também foi um ótimo jogador, mas tinha características bem diferentes das do filho. Quando surgiu, atuava como zagueiro central e se destacava pela velocidade. Depois se transferiu para o Nottingham Forest, na Inglaterra, onde começou jogando como lateral-direito. Mais tarde, foi deslocado para o meio-campo, posição em que atuou por Leeds United e Manchester City.
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Ao contrário do atacante de quase dois metros conhecido pelos gols, Alf-Inge construiu sua reputação pela entrega, pela força física e pela capacidade de vencer disputas.
- Ele era muito respeitado pelos torcedores ingleses porque trabalhava muito em campo. No início da carreira, era um jogador atlético, mas não tão técnico. Era um atleta muito forte fisicamente, duro nas disputas e que conhecia todos os truques do jogo. Gostava de irritar os adversários e era um jogador desagradável de enfrentar.
Sivertsen afirma que justamente essas características fizeram dele um jogador muito querido pelas torcidas de Leeds e Manchester City.
- Os próprios torcedores, principalmente de Leeds e Manchester City, admiravam isso nele. Até hoje ele é muito respeitado nesses clubes. É aquele tipo de jogador que a torcida gosta de ter. O Brasil também teve atletas assim, como Gilberto Silva e Dunga.
A rivalidade com Roy Keane
Foi justamente esse estilo competitivo que acabou originando uma das rivalidades mais famosas do futebol inglês. O conflito entre Alf-Inge Haaland e Roy Keane começou em 1997, quando o volante do Manchester United rompeu o ligamento cruzado durante uma partida contra o Leeds. Enquanto Keane estava caído, Haaland o acusou de simular a lesão para evitar punição, sem saber a gravidade do que tinha acontecido. O episódio ficou marcado na memória do irlandês, que não perdoou o pai de Haaland, que posteriormente acertaria com o City.
Quatro anos depois da lesão, em 2001, em um clássico entre Manchester United e Manchester City, Keane acertou uma entrada violentíssima sobre Haaland, foi expulso e, mais tarde, admitiu em sua autobiografia que o lance havia sido motivado pelo ressentimento daquele episódio de 1997.
A confissão levou a Federação Inglesa a reabrir o caso, ampliar sua suspensão e aplicar uma multa. Para Sivertsen, porém, a rivalidade não surgiu por acaso.
- Como era um meio-campista que gostava muito dessas disputas e, às vezes, provocava os adversários, era natural que ele e Roy Keane se tornassem rivais em campo.
Em agosto de 2003, o pai de Haaland anunciou a aposentadoria dos gramados. Embora exista debate sobre o quanto a entrada foi responsável pelo fim da carreira de Alf-Inge, ele também enfrentava problemas crônicos no joelho.
- Engraçado, ele (Keane) nunca me olhou nos olhos desde 1997. Sempre tinham faltas mais duras em jogos assim, mas aquela foi acima do tom. Fico agradecido que minha perna estava fora do chão, senão ele teria feito um estrago e tanto - disse Haaland na época.
Na avaliação do jornalista norueguês Lars Sivertsen, a entrada de Roy Keane teve impacto decisivo na carreira do norueguês.
- No fim, ele acabou sofrendo aquela entrada de Roy Keane, que certamente afetou sua carreira. Depois disso, praticamente não voltou a jogar futebol profissional.
A rivalidade nunca foi escondida por Roy Keane. Treze anos após a entrada que marcou a história da Premier League, o irlandês revelou em sua autobiografia que o lance foi motivado pelo desejo de dar o troco em Alf-Inge Haaland, embora tenha negado que quisesse provocar uma lesão grave.
- Me irritava, falando demais. Era um completo idiota jogar contra ele. Chato, traiçoeiro. Eu queria acertá-lo em cheio e mostrar quem mandava. Queria machucá-lo, ficar em cima dele e dizer: "Toma essa, seu babaca". Não me arrependo disso. Mas eu não tinha nenhuma intenção de machucá-lo.
O pai que planejou a carreira do filho
Se a carreira de Alf-Inge terminou antes do esperado, sua influência sobre Erling Haaland só aumentou nos anos seguintes. Mais do que acompanhar o desenvolvimento do filho, ele participou ativamente de cada passo da construção da carreira do atacante, desde a escolha dos clubes até a administração da imagem fora de campo. Para o jornalista norueguês Thore Haugstad, esse trabalho foi determinante para transformar Erling em uma estrela global.
- O que posso dizer é que ele foi extremamente importante no planejamento da carreira de Haaland como atleta, superstar e marca global. Não acho que ele pudesse ter conduzido isso de maneira melhor - declarou.
Brasil e Noruega vão se enfrentar nas oitavas de final da Copa do Mundo. A partida acontecerá no próximo domingo, às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e terá transmissão na TV Globo, do sportv e da ge tv.



