Coronel Sapucaia
Com paçoca e isotônico, elefanta Baby faz "pausa para lanche" em Jaraguari
Animal passou por Campo Grande por volta das 14h30 e, pouco tempo depois, parou para se alimentar
CLARA FARIAS E GENIFFER VALERIANO, EM JARAGUARI / CAMPO GRANDE NEWS
Sob chuva constante e escolta da Polícia Rodoviária Federal, a elefanta Baby, natural da Flórida (EUA), fez um breve trajeto por Campo Grande enquanto se desloca para o Santuário de Elefantes do Brasil, localizado na Chapada dos Guimarães (MT). Ela chegou à Capital por volta das 14h30, pela MS-040, e, antes do previsto, parou em Jaraguari para uma pausa e para o “café da tarde'. Baby enfrenta uma viagem de aproximadamente 1,9 mil quilômetros, saindo de Santa Catarina com destino ao santuário no estado vizinho.
Baby é uma elefanta asiática que nasceu em cativeiro na Flórida, nos Estados Unidos, há 34 anos. Ainda jovem, foi vendida para um circo e, posteriormente, passou a viver no Beto Carrero World, em Penha (SC). O caso de Baby foi parar na Justiça de Santa Catarina em 2024 e, no início deste mês, o juiz determinou sua transferência para o santuário no Mato Grosso.
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Cinco profissionais do Santuário de Elefantes Brasil, quatro motoristas e três integrantes da ONG Princípio Animal, que detém a guarda compartilhada de Baby com o santuário, acompanham a viagem. A elefanta é a 12ª resgatada pela instituição, que atualmente abriga animais vindos de circos, zoológicos e parques de diferentes países.
Segundo o diretor do santuário, Raphael Bontempi, o transporte tem ocorrido sem intercorrências. A comitiva deixou Penha (SC) na tarde de quinta-feira (18) e deve concluir o trajeto neste sábado (20). 'Ela está ótima. Até agora não tivemos nenhum problema. Fazemos paradas regulares para hidratação, alimentação e limpeza da caixa de transporte', explicou.
Projetada especialmente para viagens de longa distância, a caixa onde Baby é transportada possui aberturas reguláveis para ventilação, compartimentos para alimentação e limpeza, além de um sistema que permite aos tratadores realizar manejos sem contato direto com o animal. De acordo com o médico-veterinário Mateus de Assis Bianchini, responsável pelo acompanhamento da elefanta, a estrutura foi desenvolvida para garantir conforto e segurança durante o deslocamento.
'Quando saímos de Santa Catarina, enfrentamos temperaturas mais baixas e mantivemos as laterais fechadas. Conforme chegamos a regiões mais quentes, podemos abrir as entradas de ar para aumentar a ventilação. Tudo é pensado para que ela viaje da forma mais confortável possível', detalhou.
Durante o percurso, Baby recebe água, isotônico para auxiliar na hidratação e paçoca, alimentação semelhante à que estava habituada no Beto Carrero World. A equipe transporta mais de 8 fardos de feno, capim fresco, cana-de-açúcar e cerca de uma dúzia de caixas de frutas. Entre os agrados oferecidos à elefanta está a rapadura, utilizada como reforço positivo durante o manejo.
Durante a pausa em Jaraguari, a cerca de 50 quilômetros da Capital, Baby tomou eletrolítico, comeu capim fresco e até encarou a reportagem. Enquanto cruzava a BR-163, a elefanta foi monitorada por câmeras da Motiva Pantanal, concessionária que monitora a rodovia.
A transferência foi determinada pela Justiça de Santa Catarina após uma disputa judicial envolvendo o destino do animal. Na decisão à qual o Campo Grande News teve acesso, o juiz considerou que o Santuário de Elefantes Brasil oferece melhores condições para atender às necessidades comportamentais e sociais da espécie, especialmente pela possibilidade de convivência com outros elefantes e pela ausência de exposição ao público. O magistrado também destacou que o local dispõe de áreas amplas e interligadas, permitindo adaptação gradual e manejo individualizado.
Ao chegar ao santuário, Baby fará uma breve quarentena e realizará exames de lavado de tromba, teste molecular e sorológico, que identificam tuberculose. O santuário deverá apresentar à Justiça relatórios médico-veterinários e comportamentais sobre a elefanta Baby bimestralmente.
Ao volante do caminhão que transporta Baby está Eliel Alves, de 38 anos. Embora já tenha participado da construção de um dos primeiros recintos do Santuário de Elefantes Brasil, esta é a primeira vez que ele acompanha uma operação de transferência de um animal do porte da elefanta.
'É interessante. Nunca tinha feito esse transporte, mas estamos levando ela com toda a segurança e apoio da equipe', afirmou.
Para garantir o conforto do animal durante os quase 1,9 mil quilômetros de percurso, a velocidade do comboio é controlada. 'A gente mantém entre 70 e 80 quilômetros por hora para chegar o mais rápido possível, mas sem comprometer o bem-estar dela', explicou.
Puppy, Kenya e Sandro - Em abril do ano passado, a elefanta africana Puppy atravessou o Mato Grosso do Sul com destino a Chapada dos Guimarães. Ela percorreu uma distância mais longa que a Baby pois saiu de um ecoparque na Argentina, e percorreu o Paraná, antes de passar pelo solo sul-mato-grossense. Cinco meses após chegar ao santuário, Puppy acabou falecendo.
Três meses depois, foi a vez de Kenya atravessar o estado para integrar o santuário. Durante o trajeto, a elefanta recebeu feno, alfafa, folhas, abóbora, melancia e outras frutas. A viagem de Kenya durou 4 dias até chegar ao Mato Grosso do Sul.
Depois de Puppy, Kenya e Baby, o próximo desafio do santuário será o transporte de Sandro, elefante mantido em Sorocaba (SP). Conforme a equipe, a operação deverá ser mais complexa porque o animal não responde aos comandos utilizados no manejo e ainda há dúvidas sobre a logística para adaptação da caixa de transporte. A possibilidade de envio antecipado de profissionais ao local também está sendo avaliada.
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