Coronel Sapucaia
Sesau cria programa para combater obesidade entre servidores da saúde
“Menos é Mais' terá consultas, exames e acompanhamento com nutricionista, educador físico, médico e psicólogo
ÂNGELA KEMPFER / CAMPO GRANDE NEWS
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) criou o Programa Municipal de Promoção da Saúde dos Trabalhadores “Menos é Mais', voltado aos servidores da própria pasta com sobrepeso ou obesidade. A medida foi publicada nesta segunda-feira (15), no Diogrande, e prevê acompanhamento permanente para reduzir riscos ligados a doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares.
O programa será destinado exclusivamente a servidores adultos da Sesau com IMC, Índice de Massa Corporal, igual ou superior a 25. Pela classificação usada no documento, pessoas com IMC entre 25 e 29,99 são consideradas com sobrepeso. A partir de 30, entram nos graus de obesidade.
A proposta é oferecer atendimento com equipe multiprofissional, incluindo nutricionista, profissional de educação física, nutróloga, clínico geral, psicólogo e psiquiatra, conforme a necessidade de cada participante. O atendimento começa com inscrição por telefone, WhatsApp ou e-mail. Depois, o servidor preenche formulário e termo de consentimento, passa por triagem e, se atender aos critérios, é encaminhado para consulta inicial.
Segundo a resolução, o programa funcionará em uma sala da própria Sesau e será gerenciado pelo Serviço de Vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis, ligado à Gerência de Vigilância Epidemiológica. A implementação, conforme o texto, não dependeu de novos recursos financeiros, mas do uso de servidores já vinculados a setores da secretaria.
Entre as ações previstas estão avaliação nutricional, plano alimentar individualizado, orientação para prática de exercícios, exames laboratoriais, cálculo de risco cardiovascular, atendimento clínico e encaminhamento para suporte psicológico ou psiquiátrico quando necessário. Também haverá possibilidade de consulta online no local de trabalho, para facilitar o acesso e reduzir afastamentos longos durante o expediente.
O programa prevê exames periódicos como glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol, triglicerídeos, função renal, enzimas hepáticas e marcadores inflamatórios. A ideia é monitorar não apenas a perda de peso, mas também fatores associados a infarto, AVC, diabetes e hipertensão.
A meta do “Menos é Mais' é alcançar resultados mensuráveis em até 12 meses. Entre os indicadores previstos estão redução média de 3% no IMC, queda de 4 centímetros na circunferência abdominal, perda de pelo menos 5% do peso corporal em 45% dos participantes, adesão mínima de 75% às consultas e conclusão do plano de cuidado por pelo menos 60% dos inscritos.
Também serão avaliados indicadores de percepção, como satisfação dos participantes, autopercepção de saúde e qualidade de vida. Os dados deverão ser registrados em sistema digital, prontuários eletrônicos e planilhas, com relatórios trimestrais e anuais para orientar ajustes no programa.
O documento afirma que a intenção é melhorar a saúde dos trabalhadores, fortalecer o autocuidado e reduzir impactos no ambiente de trabalho, como afastamentos e queda de produtividade.
Doenças crônicas
Campo Grande chegou a 27% da população adulta com obesidade em 2023, maior índice da série histórica citada pela Sesau, Secretaria Municipal de Saúde. O dado colocou a Capital na 5ª posição entre as capitais brasileiras e serviu de base para a criação do programa “Menos é Mais', voltado aos servidores municipais da saúde com sobrepeso ou obesidade.
Quando o levantamento considera o excesso de peso, que inclui tanto sobrepeso quanto obesidade, Campo Grande também aparece entre os piores cenários do País, na 7ª posição entre as capitais. Os dados são do Vigitel e foram usados pela secretaria para justificar a necessidade de ações permanentes de prevenção e acompanhamento.
O alerta não para na balança. Em 2024, Campo Grande registrou 1.394 mortes prematuras, entre pessoas de 30 a 69 anos, por DCNT, doenças crônicas não transmissíveis. O número representa 51,10% de todos os óbitos nessa faixa etária.
Esse grupo inclui doenças cardiovasculares, câncer, doenças respiratórias crônicas e diabetes. Na prática, mais da metade das mortes prematuras nessa idade esteve ligada a problemas que, em parte, podem ser prevenidos ou controlados com acompanhamento, alimentação adequada, atividade física e tratamento contínuo.
O documento da Sesau também aponta que 26% dos adultos de Campo Grande têm hipertensão arterial. Entre os homens, o índice é de 19,8%. Entre as mulheres, chega a 33,2%.
Já a frequência de diabetes na população adulta da Capital é de 9%, sendo 4,6% entre homens e 12,9% entre mulheres. Os percentuais reforçam o peso das doenças crônicas no sistema de saúde e no dia a dia da população.




