• Quinta, 11 de Junho de 2026

Cinco vereadores votam contra reajuste para 9,3 mil servidores municipais

Não ao aumento: Landmark Ferreira Rios, Luiza Ribeiro, Jean Ferreira, Marquinhos Trad e Maicon Nogueira

JOSé CâNDIDO / CAMPO GRANDE NEWS


Da esquerda para a direita, os vereadores Jean Ferreira (PT), Marquinhos Trad (PV), Maicon Nogueira (PP), Landmark Ferreira Rios (PT) e Luiza Ribeiro (PT), que votaram contra o reajuste de 4,39% aprovado em primeira votação para cerca de 9,3 mil servidore

A votação do reajuste dos servidores municipais expôs mais do que uma divergência sobre percentuais. Revelou o contraste entre o discurso político e a realidade financeira enfrentada pela Prefeitura de Campo Grande.

Os vereadores Landmark Ferreira Rios, Luiza Ribeiro e Jean Ferreira, do PT, além de Marquinhos Trad (PV) e Maicon Nogueira (PP), votaram contra o projeto que concede reajuste de 4,39% para cerca de 9,3 mil servidores efetivos, aposentados e pensionistas pagos pelo Tesouro Municipal. O grupo defendeu a aplicação de um índice de 17,45%, percentual reivindicado por entidades sindicais, mas cuja viabilidade financeira não foi demonstrada durante a tramitação da proposta.

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A questão central não está na defesa de um reajuste maior, algo legítimo no debate político. O problema é que nenhum dos parlamentares apresentou uma alternativa concreta para custear uma despesa significativamente superior à prevista pelo Executivo. Defender um aumento quatro vezes maior sem indicar de onde viriam os recursos pode soar atraente para parte do funcionalismo, mas pouco contribui para a construção de uma solução efetivamente executável.

O projeto aprovado em primeira votação prevê reajuste total de 4,39%, dividido em duas parcelas: 2,20% em agosto de 2026 e 2,19% em março de 2027. O benefício alcança os vencimentos-base dos servidores efetivos, aposentados e pensionistas vinculados ao Tesouro Municipal. Ficam de fora categorias que possuem legislação remuneratória própria, como professores da rede municipal, agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias e servidores de carreiras com pisos definidos por normas específicas.

Ao rejeitarem a proposta, Landmark Ferreira Rios, Luiza Ribeiro, Jean Ferreira, Marquinhos Trad e Maicon Nogueira optaram por marcar posição em favor de um índice maior, mesmo diante das alegações da administração municipal de que as finanças da prefeitura não comportam esse percentual. Na prática, votaram contra um reajuste possível em defesa de um reajuste desejável, mas sem comprovação de viabilidade.

Em períodos de forte movimentação política e eleitoral, decisões desse tipo inevitavelmente são interpretadas também sob a ótica da estratégia política. Afinal, defender um percentual elevado gera repercussão positiva junto a parte do funcionalismo, enquanto a discussão sobre responsabilidade fiscal e limites orçamentários costuma ser menos popular.

Para os servidores beneficiados, porém, a discussão vai além da retórica. O que terá impacto direto no orçamento familiar é o reajuste que efetivamente poderá ser pago. Entre o percentual que cabe no caixa da prefeitura e o percentual que permanece apenas no discurso, a diferença é a mesma que separa a promessa da realidade.



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