Coronel Sapucaia
Deputado diz que foi usado como testemunha para "enrolar" ação do jogo do bicho
Dagoberto Nogueira afirma não saber por que foi arrolado pela defesa do ex-chefe de gabinete de Neno Razuk
JHEFFERSON GAMARRA E ALINE DOS SANTOS / CAMPO GRANDE NEWS
O deputado federal Dagoberto Nogueira (PP) afirmou que não sabe por que foi incluído na lista de testemunhas de defesa dos réus da 4ª fase da Operação Successione e acredita que sua convocação faz parte de uma estratégia para retardar o andamento do processo que apura a expansão do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
O parlamentar, que não participou da audiência realizada nesta segunda-feira (8) no Fórum de Campo Grande, disse ao Campo Grande News que cumpre agendas em Rio Brilhante e sequer foi informado sobre os motivos que levaram sua inclusão no rol de testemunhas de defesa de Marco Aurélio Horta, ex-chefe de gabinete do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL).
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“Eu nem sei por que me chamaram como testemunha disso. Eu conheço o Neno, lógico, ele foi deputado e eu fiz algumas parcerias no interior com ele, mas acho que eles arrolam deputado para ficar de testemunha, porque a gente, como pode escolher o dia que vai ser ouvido, o advogado ganha tempo com isso, sabe? Porque não tem nenhuma razão, eu não sei por que estou de testemunha', afirmou.
Segundo Dagoberto, essa não seria a primeira vez que seu nome aparece em processos sem que haja relação direta com os fatos investigados.
“Agora, muitas vezes que eu fui colocado era isso, depois eles dispensam a testemunha, mas ganha tempo porque eu posso escolher data e horário para ser ouvido e os advogados é que se beneficiam com isso', acrescentou.
A avaliação do deputado está relacionada a uma prerrogativa prevista no artigo 221 do CPP (Código de Processo Penal), que garante a parlamentares federais o direito de ajustar previamente com o juiz a data, o horário e o local para prestar depoimento quando são arrolados como testemunhas ou vítimas em processos judiciais.
Esse benefício, porém, não se aplica quando o parlamentar figura como investigado ou réu. Nesses casos, ele deve seguir as determinações da autoridade judicial como qualquer outro acusado.
O nome de Dagoberto apareceu na lista de seis testemunhas convocadas pela defesa dos réus da quarta fase da Operação Successione. A audiência de instrução começou na manhã desta segunda-feira, na sala de audiências do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Também foi arrolado como testemunha o vereador de Campo Grande Landmark Rios (PT). Ele informou à reportagem que foi convocado pela defesa de Marco Aurélio Horta, ex-chefe de gabinete do então deputado estadual Neno Razuk. Segundo o vereador, os dois se conhecem há cerca de 15 anos e seu depoimento seria sobre a atuação profissional do ex-assessor.
A audiência faz parte do processo aberto a partir da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025 pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Na ocasião, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão contra investigados por suposta participação na expansão e controle do jogo do bicho no Estado.
Entre os réus estão o advogado Rhiad Abdulahad, filho do empresário José Eduardo Abdulahad, conhecido como 'Zeizo', e Jhonatan Gimenez Grance, apontado pelas forças de segurança como ligado ao narcotraficante Jarvis Pavão. Também respondem ao processo integrantes da família Razuk e outros investigados apontados pelo Ministério Público como integrantes da organização que atuaria no jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
De acordo com o Ministério Público, a fase da operação identificou novas conexões do grupo investigado após o enfraquecimento de organizações que dominavam a exploração da contravenção no Estado nos últimos anos.




