Coronel Sapucaia
Arritmias podem explicar morte súbita em adolescentes, explica cardiologista
Menino de 14 anos morreu na Capital e a suspeita é de infarto, mas casos são raros
CASSIA MODENA / CAMPO GRANDE NEWS
Um adolescente de 14 anos morreu no último sábado (24), em Campo Grande (MS), e a suspeita é de infarto. Se isso se confirmar, pode ser um caso raro, já que não é algo comum nessa fase da vida.
A reportagem não conseguiu contato com a família para acompanhar as conclusões sobre a causa da morte, mas questionou um especialista sobre as chances de adolescentes, em geral, morrerem vítimas de um problema no coração.
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Cardiologista em uma clínica da Capital e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Guilherme Bertão explica que os episódios mais prováveis de morte súbita em pessoas com menos de 40 anos são arritmias malignas. Geralmente, elas são causadas por problemas no coração de origem genética.
Quando essas arritmias acontecem, o coração acelera repentinamente, podendo ocorrer uma parada cardiorrespiratória. Segundo o médico, outros fatores possíveis estão ligados a histórico familiar e questões adquiridas. Os principais gatilhos para o mal súbito podem ser fortes emoções, esforço físico intenso, além de uso de certos medicamentos ou drogas.
'Do ponto de vista epidemiológico, o mais comum entre a população mais jovem são as arritmias malignas secundárias as cardiopatias genéticas, já que o que leva ao infarto em grande parte dos pacientes mais velhos é o acúmulo de placas de gordura que provocam obstrução ao fluxo sanguíneo nas coronárias e levam sofrimento ao músculo do coração. Em jovens, isso é raríssimo, quase não acontece', reforça.
Especialista em arritmias cardíacas pelo Hospital do Coração de São Paulo, Guilherme detalha que a aceleração causada pelas arritmias mais graves faz com que o coração perca sua função, que é bombear sangue.
Sintomas - Os sintomas mais comuns nas arritmias são palpitações. Eles evoluem de forma diferente a depender do tipo e gravidade do quadro.
'Os sinais de alerta para a gente diferenciar uma arritmia benigna e uma arritmia com potencial de gravidade, com risco de um mal súbito, são palpitações intensas e em geral acompanhadas de tonturas muito fortes, desmaios e dor no peito', frisa o cardiologista.
Quando esses sintomas estão juntos, a recomendação é ir até o pronto atendimento o mais rápido possível.
No caso de arritmias mais leves, principalmente quando há outros casos na família, é importante fazer avaliações cardiológicas preventivas para diagnosticar predisposição aos quadros e tratá-los. 'Bem tratados, na maioria das vezes, até pacientes com problemas muito graves podem ter uma vida praticamente normal', completa o médico.
Exemplos de exames que podem ser solicitados para prevenir casos são eletrocardiograma, Holter 24 horas, teste ergométrico e ecocardiograma.
Confusão com ansiedade - Com o adoecimento mental da população em pauta, principalmente entre os mais jovens, Bertão afirma que alterações cardiológicas em casos de ansiedade não devem ser negligenciadas, nem pelos próprios pacientes e seus responsáveis, nem pelos profissionais de saúde que realizarem esse tipo de atendimento.
Ele esclarece que a confusão é possível. 'Os sintomas da ansiedade podem se confundir muito com sintomas de problemas cardiológicos. Uma pessoa com ansiedade pode ter dor peito, falta de ar e palpitações. No entanto, a gente tem que ter muito cuidado porque são sintomas a princípio relacionados à parte cardiológica', começa.
A orientação é que, mesmo as pessoas que têm transtorno de ansiedade diagnosticado, procurem uma avaliação especializada para descartar algum problema no coração. 'Porque a pessoa pode ter as duas situações: uma ansiedade e também um problema cardiológico', continua.
O importante é não minimizar queixas, até porque a ansiedade pode agravar problemas preexistentes: 'O transtorno de ansiedade generalizado e a depressão sabidamente influenciam e aumentam o risco de eventos relacionados a problemas cardiológicos', pontua o médico.
O relato de Débora Almeida, que mora em Timóteo (MG) e é mãe de Davy, de 13 anos, feito à Revista Crescer, chamou atenção para isso em 16 de maio deste ano. 'Eu expliquei o que estava acontecendo e a médica inicialmente pensou que poderia ser uma crise de ansiedade e deu uma medicação para ele. Mas o Davy falava com a médica muito firme: 'doutora, eu não estou com crise de ansiedade'', diz a matéria.
Ela insistiu que fossem feitos exames, que constataram uma arritmia cardíaca e confirmaram que o menino estava infartando. Ele foi transferido para outro hospital e sobreviveu. A situação ocorreu em fevereiro deste ano, mas repercutiu após Débora publicar alerta nas redes sociais.
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