Coronel Sapucaia
Guarda é demitido após ser condenado a 5 anos por roubo de moto em falsa blitz
Crime aconteceu em 2017, mas só foi julgado em março deste ano, e o servidor alegou que a vítima lhe devia
ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS
Condenado por roubar uma motocicleta em 2017, o guarda civil metropolitano Renan Corrêa teve a demissão publicada nesta segunda-feira (25), no Diogrande. O crime aconteceu em abril daquele ano durante uma falsa blitz no Bairro Universitário, em Campo Grande, e contou com a participação do também servidor Ewerton Fidalgo Rodrigues.
Segundo a publicação, a demissão do guarda ocorre em cumprimento às sanções previstas no Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Campo Grande, após a conclusão do PAD (Processo Administrativo Disciplinar). Renan, que ocupava o cargo de Classe Especial, foi desligado “em razão de graves violações aos deveres funcionais e proibições da conduta pública'.
Renan e o colega de farda Ewerton foram condenados pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande pelo crime de roubo majorado em março deste ano. Pelo crime, o juiz José Henrique Kaster Franco fixou para Renan Corrêa a pena de 5 anos, 7 meses e 6 dias de reclusão em regime inicial semiaberto, além de 14 dias-multa.
Já Ewerton recebeu a pena de 5 anos e 4 meses de reclusão, também em regime semiaberto, e 13 dias-multa. A perda do cargo público de ambos foi decretada na mesma sentença judicial, mas apenas a de Renan foi publicada ainda.
Denúncia
De acordo com a denúncia do MPMS (Ministério Público do Mato Grosso do Sul), o assalto aconteceu no dia 2 de abril de 2017, por volta das 13h30, na Rua Mena Barreto, próximo à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário. O estudante de 21 anos transitava em uma motocicleta Honda CG 125 Titan azul, acompanhado por um amigo na garupa, quando foi fechado pelos guardas.
Ambos os servidores estavam em horário de expediente, fardados e utilizando um veículo oficial e caracterizado da corporação e, durante a abordagem simulada, Renan apontou um revólver diretamente para a cabeça do estudante, exigindo que ele colocasse as mãos na cabeça, enquanto Ewerton realizava a revista pessoal nas vítimas.
Ao vistoriar os documentos, os guardas constataram que as taxas da motocicleta estavam atrasadas. Valendo-se da função pública, afirmaram que o veículo seria recolhido e guinchado.
Conforme o relato da vítima, Renan agiu com truculência, desferiu um tapa na cabeça do jovem e ordenou: 'Sai mano, você tá liberado, pode ir andando seu verme, a gente vai fazer a remoção da moto'. Com medo, o estudante e o amigo se afastaram e deram a volta na quadra. Quando retornaram minutos depois, a viatura e a motocicleta haviam sumido.
O jovem foi embora a pé, acreditando que seu veículo havia sido legalmente apreendido e encaminhado ao pátio do Detran (Departamento Estadual de Trânsito).
No entanto, três dias depois, em 5 de abril de 2017, ao navegar pela internet, o estudante localizou sua própria motocicleta anunciada para venda em uma página do Facebook chamada 'Galera da Manobra'. Ao rastrear os compradores envolvidos na publicação, a vítima descobriu que o veículo já havia sido revendido por R$1.300,00.
Uma das testemunhas que comprou a moto reconheceu formalmente, por meio de fotografia na Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos), que o vendedor original do veículo era Renan. Sabendo que havia sido assaltado por agentes da segurança, o jovem registrou o boletim de ocorrência.
Negou roubo
Durante o processo, os guardas negaram o roubo e apresentaram uma versão idêntica. Renan alegou que conhecia a vítima e que o estudante lhe devia R$ 1.200,00 pela compra de uma outra moto. Segundo o servidor, o jovem teria entregado o veículo de forma voluntária como uma 'garantia' de pagamento e permitido a negociação caso não quitasse o valor.
A versão dos réus foi rebatida pelo estudante, que garantiu nunca ter visto os guardas antes do assalto, e acabou totalmente desmontada pelas investigações da Polícia Civil e pelos relatórios da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
Apesar de condenados, os dois guardas podem recorrer da sentença em liberdade, mas, diante do modus operandi planejado e do uso do aparato estatal (armas, fardas e viaturas oficiais) para a prática de assaltos, o juiz determinou o envio de ofício ao GACEP/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) para que seja investigado se a dupla cometeu outros crimes semelhantes na Capital.
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