Esportes
Maqueiro acusado de xingar jogadora sub-20 do São Paulo tem vínculo encerrado com Ferroviária
Homem prestava serviço pontual em dias de jogos; clube diz que intensificará orientações e supervisão a quem trabalhar nas partidas
GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
A Ferroviária informou que encerrou o vínculo com o maqueiro acusado de xingar uma jogadora sub-20 do São Paulo na volta da semifinal do Brasileiro Feminino sub-20, na Fonte Luminosa, em Araraquara (SP), na quarta-feira. Segundo o clube, o maqueiro não fazia parte do quadro fixo de funcionários, mas sim prestava serviços em dias de jogos.
O clube ainda informou que vai intensificar as orientações e supervisão de quem trabalha pontualmente nas partidas da Ferroviária na Fonte. Leia a nota:
A Ferroviária SAF vem a público se pronunciar sobre o episódio ocorrido ao final da partida entre Ferroviária e São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20.
O indivíduo envolvido prestava serviço pontual ao clube. Diante da gravidade da conduta, o vínculo foi encerrado de imediato.
O clube reconhece que o episódio ocorreu em seu evento e assume a responsabilidade de garantir que situações desta natureza não se repitam. Para isso, os procedimentos de orientação e supervisão aplicáveis às equipes que atuam em dias de jogo serão revistos e intensificados.
A Ferroviária lamenta o ocorrido e pede desculpas à atleta afetada e ao São Paulo Futebol Clube.
O caso
De acordo com a súmula da partida, os 48 minutos a zagueira Sarah Aysha, do São Paulo, informou a arbitragem que havia sido ofendida pelo homem, que a chamou de "biscate" e a xingou. O protocolo antirracismo e misoginia foi acionado pela árbitra Talita Ximenes de Freitas.
A árbitra ainda perguntou se Sarah teria condições de seguir no jogo após a situação e a zagueira confirmou que sim. Ainda assim, antes de voltar ao gramado, chorando, ela chegou a passar mal no banco de reservas. O maqueiro foi retirado do estádio logo após o início da confusão.
- A gente está numa categoria de base. A gente está aqui para aprender e, num momento daquele, o cara me mandar tomar no c....e me chamar de biscate, é inadmissível. A gente está treinando todo dia, o ano inteiro treinando longe da família para chegar um cara e me chamar de biscate fora do campo. É inadmissível. – disse Sarah ao sportv no fim da partida.
Posicionamento dos clubes e da FPF
Em uma primeira manifestação logo após a partida, a Ferroviária repudiou a situação, pediu desculpas às jogadoras e comissão técnica do São Paulo e informou que iria apurar internamente o que aconteceu antes de tomar as medidas cabíveis, como o encerramento do vínculo com o maqueiro. Leia a nota:
As Guerreiras Grenás vêm a público manifestar repúdio à atitude ocorrida ao final da partida da categoria Sub-20, quando um integrante da equipe de apoio proferiu ofensas contra uma atleta do São Paulo Futebol Clube.
O comportamento registrado é inadmissível, não representa os valores da instituição e contraria tudo aquilo que defendemos dentro e fora de campo: respeito, responsabilidade, ética, formação humana e valorização das mulheres no esporte.
Pedimos desculpas à atleta ofendida, ao São Paulo Futebol Clube, à sua comissão técnica, ao elenco e a todos que se sentiram atingidos pela situação. Nenhuma circunstância justifica agressões verbais, especialmente em um ambiente que deve promover convivência, educação e respeito entre atletas, profissionais e equipes.
A instituição informa que a conduta será apurada internamente e que as medidas cabíveis serão adotadas. Reforçamos, ainda, nosso compromisso permanente com a construção de um futebol feminino cada vez mais seguro, respeitoso e digno para todas as pessoas envolvidas.
As Guerreiras Grenás também parabenizam o São Paulo Futebol Clube pela classificação à final do Campeonato Brasileiro Sub-20, reconhecendo a campanha realizada pela equipe e desejando uma decisão à altura da grandeza da competição.
Reafirmamos que atitudes ofensivas, discriminatórias ou desrespeitosas não serão toleradas em nosso ambiente.
Em nota, o São Paulo lamentou o caso e disse que prestará todo suporte à atleta. Leia:
Na partida desta quarta-feira (20), entre Ferroviária e São Paulo, pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, a arbitragem acionou o protocolo antirracista após a atleta Sarah Aysha, do São Paulo, sofrer um episódio de misoginia vindo de um integrante do quadro móvel da equipe mandante.
O São Paulo FC reforça que não tolera nenhum tipo de preconceito e aguarda que as autoridades cumpram com sua responsabilidade para que a justiça seja feita.
O São Paulo FC também informa que prestará todo suporte necessário à atleta, que muito nos orgulha de ter no elenco, vestindo nossa camisa.
O Futebol Feminino é gigante, e não há espaço para cenas lamentáveis como esta.
A Federação Paulista de Futebol (FPF), entidade à qual os dois clubes estão filiados, também se manifestou em nota. Confira:
A Federação Paulista de Futebol lamenta e repudia veementemente o episódio de misoginia relatado na partida entre Ferroviária x São Paulo, válida pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20, nesta quarta-feira (20), envolvendo atleta do São Paulo.
A FPF reafirma que qualquer forma de discriminação e intolerância é inaceitável.
A Federação confia que os fatos serão devidamente apurados pelas autoridades competentes e se coloca à disposição para colaborar integralmente com o que for necessário, para que haja responsabilização e para que episódios como este não encontrem espaço no esporte.
São Paulo classificado
O São Paulo venceu a Ferroviária por 4 a 2 e fez 5 a 4 no placar agregado, avançando para a final.
O Tricolor balançou a rede com dois de Julia Vaini, sendo um deles do meio do campo, Tays e Vi Barreto. A Ferroviária descontou com Nogueira e Gabi Pusch.
Agora, o São Paulo enfrentará o Flamengo, que eliminou o Inter.
