Coronel Sapucaia
Pioneira do turismo, Fátima dedicou a vida a mostrar as belezas de MS
Empresária ajudou a impulsionar o ecoturismo em Mato Grosso do Sul muito antes de a atividade ganhar força
CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS
Referência quando o assunto é turismo em Mato Grosso do Sul, a empresária Fátima Maia Cordella morreu deixando um legado que atravessa gerações e paisagens do Pantanal. Pioneira no setor, ela ajudou a abrir caminhos para o turismo ecológico no Estado muito antes da atividade ganhar força e reconhecimento nacional. Além de empresária, foi uma mulher apaixonada pela terra onde viveu, pela natureza e pelas pessoas.
Moradora de Miranda, Fátima dedicou décadas da vida a revelar as belezas pantaneiras para visitantes de todo o Brasil e também do exterior. À frente da pousada Águas do Pantanal e de uma agência de turismo, ela se tornou conhecida por enxergar potencial onde muitos ainda não viam oportunidade.
“Ela era pioneira em abrir atrativos turísticos. Ia às fazendas, via o potencial do lugar, ajudava a estruturar tudo e depois levava os turistas. Muitos lugares que funcionam até hoje começaram com ela', relembra o filho, Luiz Cordella.
Segundo ele, ao menos dez atrativos turísticos da região tiveram participação direta da mãe na criação e estruturação. Entre eles estão locais conhecidos no Pantanal sul-mato-grossense, como o Projeto Salobra e a Fazenda São Francisco. Alguns empreendimentos fecharam ao longo dos anos, mas muitos seguem ativos e recebendo turistas graças à visão empreendedora de Fátima.
“Ela fazia um passeio para contemplação e já enxergava ali um futuro. Falava para o proprietário confiar, abrir as portas. E muitos confiaram', conta.
Nascida para acolher, Fátima transformava trabalho em afeto. Era conhecida pela forma gentil com que recebia os visitantes e também pela dedicação em valorizar as riquezas naturais e culturais de Mato Grosso do Sul. Em casa, segundo Luiz, era igualmente admirada.
“Ela foi uma mãe exemplar, dócil, honesta. Foi quem me ensinou os valores da vida', resume.
A rotina da família seguia próxima mesmo depois que os filhos saíram de casa. Luiz conta que a mãe adorava os momentos simples, principalmente os encontros com o neto ao redor da mesa.
“A gente praticamente vivia junto. Só ia para casa dormir. Ela gostava muito desses momentos em família. Isso alegrava o coração dela', pontua.
A morte do marido, em 2021, abalou profundamente Fátima. O casal viveu mais de meio século de casamento. Para o filho, a saudade foi o que mais adoeceu a mãe nos últimos anos.“O principal problema de saúde dela foi a saudade. Eles tinham mais de 50 anos de casamento. Ela sentiu muito', explica.
Mesmo enfrentando limitações de saúde, Fátima nunca quis abandonar o trabalho. Continuou acompanhando a pousada, recebendo pessoas e participando da rotina do turismo até o fim da vida.
“Ela nunca quis parar. Eu falava para descansar, mas ela queria continuar. E pediu para mim dar continuidade ao legado dela', lembra Luiz.
Em uma época em que o ecoturismo ainda dava os primeiros passos, ela ajudou a transformar fazendas, rios e trilhas em destinos conhecidos, movimentando a economia local e incentivando novos empreendedores.
Fátima se foi no dia 11, aos 77 anos, deixando um legado de amor e respeito à biodiversidade sul-mato-grossense.
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