• Terça, 21 de Abril de 2026

20 anos sem Telê: relembre feitos e curiosidades do ex-técnico que virou sinônimo de futebol-arte

Ídolo de clubes como São Paulo, Fluminense, Atlético-MG e Grêmio, e treinador do Brasil em duas Copas do Mundo, Telê Santana faleceu no dia 21 de abril de 2006, aos 74 anos

GLOBOESPORTE.COM / JOãO DE ANDRADE NETO


Telê Santana comandou o São Paulo que conquistou o título mundial de 1992 — Foto: Divulgação | São Paulo F.C.

Neste 21 de abril, completam-se 20 anos da morte de Telê Santana, um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro. Como jogador se tornou ídolo do Fluminense, onde ganhou o apelido de "Fio de Esperança". Mas foi como treinador que se eternizou.

Ao longo de 27 anos à beira do gramado, Telê conquistou títulos marcantes por Fluminense, Atlético-MG, Grêmio e sobretudo São Paulo, incluindo duas Libertadores e dois Mundiais.

Além disso, foi técnico da seleção brasileiro em duas Copas do Mundo, em 1982 e 1986, encantando o mundo na primeira, apesar de não ter ganho o título.

Para relembrar o Mestre, o ge destaca fatos marcantes e curiosidade da sua carreira. Uma trajetória que ajudou a moldar o próprio estilo do futebol brasileiro, o do "jogo bonito".

Fluminense e o duplo início

Mineiro de Itabirito, Telê Santana chegou ao Fluminense em 1949 para atuar pelo time juvenil e dois anos depois, já integrado aos profissionais, foi campeão carioca de 1951. Titulo que repetiria em 1959, além das conquistas do Torneio Rio São Paulo, em 1957 e 1960, e da Copa Rio de 1952, que o clube defende como Mundial.

Apelidado de Fio de Esperança, pelo físico franzino, Telê é até hoje o terceiro jogador com mais partidas pelo Tricolor (559) e o quinto maior artilheiro da história do clube (164 gols) . Deixou o Fluminense em 1961 e foi para o Guarani.

Como atleta, defendeu ainda Vasco e Madureira e foi agraciado com o prêmio Belfort Duarte, dado ao jogador que passasse dez anos sem sofrer uma expulsão, tendo jogado pelo menos 200 partidas nacionais ou internacionais

Foi também no Fluminense que Telê iniciou a carreira como técnico. Inicialmente nos juvenis, em 1967 e logo em seguida sendo promovido aos profissionais, conquistando o Carioca de 1969 e formando a base do time campeão do Taça de Prata 1970 (equivalente ao Campeonato Brasileiro) e campeão carioca de 1971.

Telê sorveteiro

Porém entre o fim da carreira de jogador e o início como treinador, Telê assumiu uma função sem nenhuma relação com o futebol. A de sorveteiro.

Como sabia a fórmula para fazer sorvetes, herdada de um tio que tinha um estabelecimento em Minas Gerais, Telê e o irmão abriram uma soverteria situada em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A Telê-Sorvex. Foi lá que os dirigentes do Fluminense o procuraram com a ideia de levá-lo para ser o técnico dos juvenis do clube.

Primeiro campeão brasileiro

Outra marca que pertence a Telê Santana é a de primeiro técnico a conquistar o Campeonato Brasileiro. Contratado pelo Atlético-MG em 1970, o treinador tinha a missão de desbancar o super Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes, que acumulava cinco estaduais seguidos. E logo no primeiro ano no comando do Galo, veio o título Mineiro. O primeiro do clube no Mineirão.

A consagração máxima viria no ano seguinte, quando a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), antecessora da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), decidiu criar o primeiro Campeonato Brasileiro.

+ Relembre a história de Telê Santana no Atlético-MG

Após balançar no cargo com a perda do bi estadual e quase se transferir para o Internacional, Telê permaneceu e terminou levando o Atlético-MG ao título, em um triangular final contra São Paulo e Botafogo.

Pelo Atlético-MG Telê voltaria a ser campeão em 1988, levantando mais um Campeonato Mineiro.

Fim da fila no Grêmio

Após devolver o Atlético-MG ao caminho dos títulos, Telê fez o mesmo com o Grêmio, que amargava oito anos seguidos vendo o rival Internacional levantar o Campeonato Gaúcho.

Assim, o treinador desembarcava no Olímpico em setembro de 1976, com carta branca da diretoria para reformular o elenco. Deu resultado.

Em setembro de 1977, exato um ano depois da sua chegada, Telê levava o Grêmio de volta à glória ao ser campeão estadual, com uma vitória por 1 a 0 justamente sobre o Internacional.

Com os títulos do Campeonato Paulista, conquistados pelo São Paulo, Telê se tornou o único técnico até hoje a vencer nas quatro maiores praças do futebol nacional.

Seleção e futebol-arte

Telê Santana estava no Palmeiras em 1979 quando recebeu o convite para dirigir a seleção brasileira pela primeira vez. Foi o primeiro técnico da CBF (até então chamada de CBD). A classificação para a Copa de 1982 veio sem sustos, com direito ao vice do Mundialito de 1981 (perdendo a final para o Uruguai) e um 4 a 1 sobre a Alemanha na semifinal.

O auge veio na Copa da Espanha, em 1982, com o chamado futebol-arte praticado por um time com nomes como Júnior, Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico. O título não veio (o próprio Telê qualificou a derrota para a Itália como a mais triste da sua carreira ), mas aquela seleção virou referência de jogo bonito e inspirou trabalhos de outros técnicos vitoriosos anos depois, como o espanhol Pep Guardiola.

Após a Copa, Telê foi trabalhar na Arábia Saudita de 1983 a 1985, quando foi convidado novamente pela CBF a reassumir o cargo no lugar de Evaristo de Macedo, sendo o primeiro treinador a comandar o Brasil em duas Copas seguidas, mesmo após ter perdido a primeira (feito que só seria igualado por Tite, em 2022).

No México, em 1986, com um time já sem o mesmo brilho, caiu nas quartas de final para a França, nos pênaltis. Era o fim da trajetória de Telê na seleção, o oitavo técnico com mais jogos pelo Brasil (53), com 77,9% de aproveitamento.

Renascimento e auge no São Paulo

Após duas Copas não vencidas com o Brasil, Telê ganhou a injusta fama de "pé frio", que não diminuiu com o título mineiro de 1988 com o Atlético-MG.

Assim, ao ser demitido do Palmeiras em 1989, o técnico, então com 58 anos, pensou em se aposentar. Tanto que relutou em aceitar o convite para assumir o São Paulo em 1990. E o que era para ser um contrato de apenas dois meses, se transformou em uma passagem de cinco anos

Ainda em 1990, Telê foi vice-campeão brasileiro, perdendo a final para o Corinthians (e aumentando a fama de pé frio). Mas a partir de 1991 comandou uma revolução no Tricolor paulista.

Em seis anos no comando da equipe, foram 10 títulos conquistados, se tornando o técnico mais vitorioso da história do clube. Entre eles, um Brasileiro (1991), dois Paulistas (1991 e 1992), duas Libertadores (1992 e 1993) e dois Mundiais de Clubes (1992 e 1993).

Ídolo da torcida, Telê Santana ganhou em 2023 uma estátua de bronze no Morumbi. Ao todo, foram 410 jogos à frente do São Paulo, com 198 vitórias, 121 empates e 91 derrotas. O que o colocam como o terceiro técnico com mais partidas no comando do clube, apenas atrás de Muricy Ramalho (418) e Vicente Feola (538).

A última dança

Em janeiro de 1996, Telê Santana, então com 64 anos, foi internado no hospital paulistano Dante Pazzanese, com uma isquemia na artéria carótida. A licença do São Paulo, que seria de duas semanas, prolongou-se por um ano. Em 1997, o treinador ensaiou uma volta ao assinar com o Palmeiras, mas debilitado nunca chegou a assumir o time, colocando um ponto final na carreira.

Curiosamente, o atual técnico palmeirense, o português Abel Braga, treinador mais vitorioso da história do clube com 11 títulos desde 2020, é um fã declarado de Telê Santana.

+ Guardiola, Bernardinho, Senna e Telê: as referências que fazem Abel Ferreira, do Palmeiras, refletir

O maior técnico brasileiro da história

Em 2022, o ge promoveu uma enquete com mais de 100 treinadores em atividade e aposentados do futebol brasileiro para apontar qual o maior de todos. E Telê Santana foi o escolhido, deixado Zagallo na segunda colocação e Felipão, em terceiro. Ambos campeões do mundo com a seleção brasileira.

Telê também foi o técnico mais lembrado da votação, em 67 oportunidades entre os 103 votantes, que poderiam indicar até três nomes.

Todos os títulos de Telê Santana

Como jogador

Fluminense

Copa Rio: 1952Campeonato Carioca: 1951 e1959Torneio Rio-São Paulo: 1957 e 1960

Como treinador

Fluminense

Campeonato Carioca: 1969

Atlético-MG

Campeonato Mineiro: 1970, 1988Campeonato Brasileiro: 1971

Grêmio

Campeonato Gaúcho: 1977

Al-Ahli (Arábia Saudita)

Campeonato Saudita: 1983–84Copa do Rei Árabe: 1982–83Copa do Golfo: 1985

São Paulo

Mundial de Clubes: 1992 e 1993Libertadores da América: 1992 e 1993Supercopa Libertadores: 1993Recopa Sul-Americana: 1993 e 1994Campeonato Brasileiro: 1991Campeonato Paulista: 1991 e 1992



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