• Domingo, 17 de Maio de 2026

Diretor Geral da Polícia Civil, Lupércio Lúcio, tenta conter ‘severas críticas’ após áudios apontarem falhas na DEAM

Com a repercussão em Mato Grosso do Sul e também no Brasil, após a divulgação dos ‘áudios’ de Vanessa Ricarte, falando sobre o atendimento que recebeu na DEAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) aqui na Capital, o Delegado Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul emitiu nota, principalmente aos Delegados, para não falarem … Continued

MIDIAMAX/ARI THEODORO


Com a repercussão em Mato Grosso do Sul e também no Brasil, após a divulgação dos ‘áudios’ de Vanessa Ricarte, falando sobre o atendimento que recebeu na DEAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) aqui na Capital, o Delegado Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul emitiu nota, principalmente aos Delegados, para não falarem mais com a imprensa sobre o caso.

Lupérsio Degerone Lúcio informou aos Delegados do Estado e a outros profissionais da Polícia Civil para não darem depoimentos à imprensa sobre a jornalista, que foi morta com golpes de faca, na quarta-feira (12), em Campo Grande. O autor do crime, o músico Caio Nascimento, foi preso em flagrante.

“… Sugerimos a todos os Delegados de Polícia, Investigadores e Escrivães a se unirem nesse propósito, abstendo-se de qualquer tipo de manifestação sobre o feminicídio que vitimou Vanessa Ricarte em sites e plataformas digitais a título de reação ou refutação de críticas e comentários de qualquer ordem, estando certos de que a Administração Superior da Polícia Civil está adotando as medidas necessárias em prol do aperfeiçoamento e fortalecimento da instituição e de suas carreiras nesse momento crítico', foi um dos trechos finais da nota.

Na nota constam ainda críticas e questionamentos da imprensa sobre o atendimento da DEAM, prestado à Vanessa Ricarte, antes da jornalista ser assassinada. O assunto que teve mais repercussão após os áudios que a vítima enviou a uma amiga, depois de ir até à Delegcia. “Ocorre que nesse momento de luto e comoção social, são inúmeros aqueles que se levantam em severas críticas ao atendimento prestado pela Polícia Civil por meio da DEAM, bem como ao protocolo estabelecido e aplicado atualmente pela rede de proteção, solicitando providências dos Governos Federal e Estadual para que fatos dessa natureza não mais ocorram. Em meio a esse cenário, temos presenciado embates desnecessários entre policiais e críticos da atuação institucional, seja por meio de postagens, comentários ou respostas em plataformas digitais'.

Em resumo, o Delegado geral da Polícia Civl diz que não é momento para embates, mas sim de luto e profunda reflexão. Segundo a nota, as Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública e do Governo do Estado estão voltados à identificação de pontos de melhoria e aperfeiçoamento, à revisão de protocolos e à implementação de estratégias que fortaleçam a proteção das vítimas, para garantir mais segurança e efetividade nas medidas adotadas. A nota não cita especificamente o ‘áudio’ da jornalista.

Leia abaixo a nota na íntegra

Senhores Diretores de Departamento, Coordenadores, Assessores e Delegados Regionais

Boa noite,

Venho por meio do presente, solicitar os bons préstimos de Vossas Excelências no sentido de encaminhar para conhecimento de nossos Delegados de Polícia, Investigadores de Polícia Judiciária e Escrivães de Polícia Judiciária esta breve reflexão e apelo. O momento que atravessamos exige de todos nós um olhar atento e comprometido com a nossa missão institucional. O trágico feminicídio que vitimou a jornalista Vanessa Ricarte gerou uma comoção sem precedentes, tanto entre seus pares de profissão quanto na sociedade em geral. Esse episódio, que culminou na perda irreparável de uma vida inocente, requer uma profunda reflexão sobre nossos procedimentos, métodos e protocolos de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, de forma a buscarmos o aperfeiçoamento dos serviços e a efetividade da rede de proteção à mulher vítima de violência doméstica. Ocorre que nesse momento de luto e comoção social, são inúmeros aqueles que se levantam em severas críticas ao atendimento prestado pela Polícia Civil por meio da DEAM, bem como ao protocolo estabelecido e aplicado atualmente pela rede de proteção, solicitando providências dos Governos Federal e Estadual para que fatos dessa natureza não mais ocorram. Em meio a esse cenário, temos presenciado embates desnecessários entre policiais e críticos da atuação institucional, seja por meio de postagens, comentários ou respostas em plataformas digitais. Nesse diapasão, faz-se imperativo conclamar a todos para que direcionemos nossos esforços à análise técnica dos fatos e de todas as circunstâncias que o cercam, em busca de soluções efetivas para o aprimoramento dos serviços prestados às mulheres vítimas de violência doméstica. Este não é o momento de embates, mas sim de respeito à dor, ao luto, à indignação pela perda de uma vida e de uma profunda reflexão para o aperfeiçoamento institucional. Diante desse contexto, nosso compromisso, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e do Governo do Estado estão voltados à identificação de pontos de melhoria e aperfeiçoamento, à revisão de protocolos e à implementação de estratégias que fortaleçam a proteção das vítimas, garantindo-lhes maior segurança e efetividade nas medidas adotadas. Portanto, sugerimos a todos os delegados de polícia, investigadores e escrivães a se unirem nesse propósito, abstendo-se de qualquer tipo de manifestação sobre o feminicídio que vitimou Vanessa Ricarte em sites e plataformas digitais a título de reação ou refutação de críticas e comentários de qualquer ordem, estando certos de que a Administração Superior da Polícia Civil está adotando as medidas necessárias em prol do aperfeiçoamento e fortalecimento da instituição e de suas carreiras nesse momento crítico.

Atenciosamente, Lupérsio Degerone Lúcio Delegado-Geral da Polícia Civil

Nova crise na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul

Esta já é considerada a maior crise na Polícia Civil do Estado após o afastamento do ex-Delegado Geral de Polícia de Mato Grosso do Sul. O representante da Segurança Púbica Estadual foi afastado das funções depois de se envolver numa briga de trânsito, em fevereiro de 2022, em Campo Grande.

Na ocasião, Adriano Garcia atirou várias vezes contra o veículo de uma motorista, após discutir com a condutora. Ele foi denunciado por seis crimes (entre eles, abuso de autoridade e disparos de arma de fogo), mas foi absolvido de todos, no dia 16 de dezembro do ano passado. Ele foi primeiramente afastado do cargo e depois acabou sendo exonerado.

Mais problemas na categoria

Outro problema que afetou diretamente a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul foram os escândalos envolvendo profissionais acusados de participação de crimes registrados no Estado, entre eles, contrabando e furto de cargas de cigarros. Dois investigadores foram presos após furtarem carga de cigarro em julho de 2023.

Entre outras denúncias, casos também de Policiais Civis acusados de integrarem uma quadrilha de execução em Campo Grande. A Operação Juramento Quebrado foi realizada, em pela DHPP (Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa). De acordo com as investigações, os policiais ajudavam o grupo criminoso em execuções na região das Moreninhas e que seriam pelo menos três assassinatos.

Denúncias de tráfico de drogas

Entre os casos, uma das denúncias é do Gaeco, que apontou esquema de tráfico de drogas articulado pelos Delegados de Policia Civil de Mato Grosso do Sul, Fernando Araújo da Cruz e Rodrigo Blonkowski. Segundo a investigação, havia pagamento de propina pelos próprios Delegados a traficantes.

Ainda segundo a investigação, os Delegados, depois quem roubava a droga eram narcotraficantes que tinham ‘parcerias’ com os Delegados



Ao utilizar nossos serviços, você aceita a política de monitoramento de cookies.
Para mais informações, consulte nossa política de cookies.