Coronel Sapucaia
Família e amigos lembram generosidade de Elias Dib em velório lotado na Capital
Ex-vereador sofreu infarto na noite de domingo, após voltar de viagem ao Nordeste com a família
JHEFFERSON GAMARRA E DUDA SCHINDLER / CAMPO GRANDE NEWS
O velório do advogado e ex-vereador Elias Dib, de 78 anos, ficou lotado na tarde desta segunda-feira (19), em Campo Grande, com a presença de familiares, amigos e políticos, além de diversas coroas de flores enviadas em homenagem ao ex-parlamentar.
Durante a despedida, relatos emocionados destacaram a generosidade, a fé e a dedicação à família de quem ocupou uma cadeira na Câmara Municipal por quatro mandatos consecutivos, entre 1989 e 2004. Elias morreu após sofrer um infarto, horas após retornar de uma viagem ao Nordeste com a família.
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Ele foi vereador da Capital por 4 mandatos consecutivos, entre 1989 e 2004, sempre pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Também foi chefe de gabinete do ex-prefeito Juvêncio César da Fonseca e presidiu a Santa Casa de Campo Grande. Formado em Psicologia, era casado com Ana Dib, conhecida como Aninha, e deixa dois filhos, Pedro e Felipe.
'Homem mais generoso' - O filho mais novo, Felipe Dib, de 38 anos, se emocionou ao falar sobre a convivência com o pai e destacou características que, segundo ele, iam muito além da trajetória pública.
“O homem mais generoso e leal que eu já vi na minha vida. De todos que eu já conheci, milhares de pessoas, ele foi o homem mais generoso e leal que eu já vi. Um cara de uma sensibilidade acima da média', afirmou.
Felipe também recordou a importância da fé na rotina do pai. Segundo ele, durante todos os anos em que morou com os pais, acordava diariamente às 5h da manhã ao som das orações de Elias.
“Um homem dedicado à família, um homem temente a Deus. De todos os anos em que morei com meus pais, todos os dias da minha vida eu acordei às 5h da manhã ouvindo meu pai rezar. Todo santo dia', contou.
Emocionado, o filho disse que a saudade já era difícil de suportar poucas horas depois da morte. “O Papai do Céu permitiu que eu tivesse o privilégio de conviver com um homem desse. Mas é doido, é doido. Só gratidão, mas a saudade já está doendo no osso', declarou.
Filho recorda posicionamentos na Câmara - Mesmo criança durante parte da trajetória política do pai, Felipe disse guardar lembranças de momentos em que Elias sustentou sozinho posições nas votações da Câmara Municipal por acreditar que determinadas decisões não eram corretas.
Ele recordou especialmente uma ocasião em que o vereador fez um discurso com o livro O Homem e a Terra. Segundo o filho, Elias estava nervoso e tremia enquanto defendia seu posicionamento.
Em outra votação polêmica, contou Felipe, o pai saiu da Câmara e encontrou uma multidão de pessoas que o abraçaram.
“Principalmente das vezes em que ele votava sozinho nas questões que acreditava que não eram corretas. Ele votava sozinho', lembrou.
Para o filho, a trajetória do ex-vereador merece ser reconhecida também pelo exemplo pessoal que deixou. “Eu queria enxergar a história dele aqui também. Ele é um exemplo de homem com H maiúsculo, do tamanho do meu', afirmou.
Irmã destaca caridade e viagens com a família - A irmã mais velha de Elias, Berenice Dib Rain, de 82 anos, também esteve no velório e falou sobre a tristeza da família. Segundo ela, o ex-vereador era uma pessoa bondosa, que fazia questão de ajudar outras pessoas.
“É um sentimento muito triste, muito machucado para a gente. Porque ele era uma pessoa maravilhosa, bondosa. Isso era o mais importante nele: ele era muito bom para todos. Ele fazia questão de dinheiro, fazia muitas caridades', disse.
Berenice recordou que o irmão teve uma trajetória que começou na carreira militar, antes de entrar para a política e conquistar quatro mandatos como vereador. Depois de se aposentar, passou a dedicar mais tempo à família e às viagens.
Segundo ela, Elias costumava viajar aproximadamente a cada um ou dois meses. Os passeios incluíam a mulher, os netos e familiares, como a sogra e os sogros dos filhos. Ele também visitou destinos internacionais, como a Argentina.
“Ele falava: ‘Agora eu vou gastar meu dinheiro’', contou a irmã, ao lembrar que o ex-vereador aproveitava a aposentadoria para conhecer lugares novos e estar perto das pessoas que amava.
A última viagem havia sido para o Nordeste brasileiro. Elias chegou a Campo Grande por volta das 20h de domingo (18). Em seguida, tomou banho, assistiu à televisão e acompanhou o debate eleitoral antes de dormir.
De acordo com Berenice, ele passou mal durante a noite e sofreu um infarto. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas não conseguiu reanimá-lo. A morte ocorreu por volta das 22h, segundo o relato da irmã.
Marisa Serrano destaca atuação política - Amiga da família e ex-senadora, Marisa Serrano também compareceu ao velório e ressaltou a presença de Elias na política municipal. Para ela, a morte representa uma perda para Campo Grande, especialmente pela atuação que o ex-vereador manteve durante os quatro mandatos.
“A perda do Gib é grande para nós. Um pai muito novo ainda, que tinha muito a contribuir com a nossa cidade e com o nosso Estado. Ele foi um grande vereador. Acompanhei muito de perto a trajetória dele, sou muito amiga da Ana, da Aninha', declarou.
Marisa também destacou a participação de Ana Dib na vida política do marido. Segundo ela, Aninha sempre esteve envolvida nas atividades e caminhadas ao lado do ex-vereador.
A ex-senadora afirmou que Elias representava um perfil de parlamentar que considera importante para a cidade: atuante, participativo e presente. Por isso, disse ter se surpreendido com o fato de o velório não ocorrer na Câmara Municipal.
“Eu achei até que o velório fosse ser na Câmara, porque ele representa muito daquilo que a gente espera de um vereador: atuante, participante, sempre presente. Foram quatro mandatos, sempre presente', afirmou.
Para Marisa, a trajetória de Elias Dib deixa uma marca na política local e sua ausência será sentida por quem acompanhou sua atuação pública.
A Câmara Municipal de Campo Grande decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-vereador. A medida, assinada pelo presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), prevê o hasteamento das bandeiras a meio-mastro.
O velório foi realizado na Capela Monte Fuji, na Rua 13 de Maio, e o sepultamento acontece no Cemitério Santo Antônio, em Campo Grande.
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