• Quarta, 07 de Outubro de 2026

Investigação do MP entra na reta final e reúne indícios para pedido de intervenção no Corinthians

Promotores ainda não decidiram se entrarão ou não com ação na Justiça, mas cenário do momento é desfavorável ao clube

GLOBOESPORTE.COM / GABRIEL OLIVEIRA


André Pascoal e Luiz Ambra Neto, promotores do Ministério Público, em entrevista coletiva — Foto: Vitor Chicarolli

O Ministério Público de São Paulo avança para a reta final da investigação sobre a administração do Corinthians, com os indícios, ao menos neste momento, apontando para um pedido de intervenção judicial no clube.

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Os promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, da Promotoria de Patrimônio Público e Social de São Paulo, ainda não tomaram a decisão de entrar ou não com a ação civil pública pedindo intervenção, nem sobre qual seria a extensão dessa medida, porque a apuração segue em andamento.

Entretanto, pessoas ligadas à investigação ouvidas pelo ge dizem que, pela documentação reunida e pelos depoimentos tomados até agora, não veem outro desfecho para o inquérito civil que não seja o pedido de intervenção. Se a investigação terminasse hoje, haveria o pedido à Justiça.

Essas fontes só não cravam a decisão porque ainda há documentos a serem recebidos, situações a serem analisadas e depoimentos a serem tomados. Teoricamente, podem surgir novas informações que mudem o entendimento do momento.

Desde o início efetivo do inquérito, em meados de maio, os promotores avançaram muito na investigação, recebendo denúncias e informações publicadas na imprensa, ouvindo pessoas ligadas ao clube e acessando documentos. O inquérito já tem mais de dez depoimentos e 3 mil páginas de extensão.

Recentemente, o promotor Silvio Antônio Marques, famoso pela atuação em casos de improbidade administrativa, se juntou à dupla que vinha conduzindo o inquérito.

Também integrante da Promotoria de Patrimônio Público e Social, Silvio se interessou pela investigação no Corinthians e, por se tratar de um caso volumoso e complexo, os promotores decidiram trabalhar em três nesta reta final.

Independentemente dos acontecimentos no passado recente do Corinthians, o que é determinante para a decisão de pedir intervenção ou não é a conclusão se a atual estrutura do clube tem sido capaz de lidar com os problemas e resolvê-los: se as irregularidades são corrigidas, se há providências para atenuar as dificuldades financeiras, se os órgãos internos têm conseguido exercer seus papéis, se o clube está cumprindo sua finalidade social como associação.

A investigação está baseada em três eixos: financeiro, devido à dívida na casa dos R$ 2,8 bilhões; político-estrutural, focado na organização, na administração e no funcionamento dos poderes internos; e atos e contratos lesivos, referentes a irregularidades e prejuízos ao clube.

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O MP não estabeleceu um prazo para finalizar o inquérito, mas é possível que isso ocorra antes das eleições para presidência e Conselho Deliberativo do Corinthians, marcadas para 28 de novembro. O período de registro de candidatos e chapas já está aberto.

Recentemente, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, admitiu o risco de as eleições não serem realizadas, devido à possibilidade de intervenção judicial.

Ele disse que, se fosse o presidente Osmar Stabile, procuraria o MP para propor e negociar a celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para fazer as correções necessárias apontadas pelos promotores, de modo a evitar uma intervenção. Stabile não contatou os promotores depois disso.

Caso o MP entra com uma ação civil pública pedindo intervenção no clube, é o Judiciário que decide e autoriza ou não a medida, bem como a extensão dela.

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