• Domingo, 04 de Outubro de 2026

Expositores encontram na ExpoNorte uma vitrine para crescer no bairro

Feira reuniu participantes da Região Norte e mostrou que empreender vai muito além da venda

AMANDA FERREIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Mais de 50 expositores participaram da 1ª ExpoNorte CG, que reuniu pequenos negócios, artesãos e produtores da Região Norte de Campo Grande(Foto: Amanda Ferreira)

Por trás dos shows, da movimentação e das barracas da 1ª ExpoNorte CG, realizada neste sábado (3), no Nova Lima, existe uma parte da história que não aparece no palco. É a dos empreendedores que chegaram ao evento carregando produtos, experiências e histórias construídas muito antes de a feira abrir as portas.

Para eles, ocupar um estande significa mais do que vender: é apresentar o próprio trabalho, encontrar novos clientes e mostrar que há negócios sendo construídos todos os dias dentro e fora dos bairros da Região Norte.

Entre os expositores estava Jeová José de Paiva, conhecido como Paiva, responsável pelo Rancho Peão Folgado. Morador antigo da região do Nova Lima e produtor rural, ele mantém o empreendimento em uma propriedade localizada a cerca de 11 quilômetros dali. A rotina do rancho mistura produção agrícola, gastronomia, eventos e artesanato, em uma espécie de negócio que nasceu do modo de vida do campo e encontrou no contato direto com o consumidor uma forma de crescer.

O Rancho Peão Folgado levou para a ExpoNorte uma pequena amostra dessa produção. Na mesa, produtos que carregam a identidade rural do empreendimento: cucas artesanais de chocolate, doce de leite e goiabada, cueca virada, bolachas, bolos, pudins, doce de leite, doce de abóbora feito no fogão a lenha, ovos caipiras e banha de porco. São produtos que, segundo Paiva, fazem parte de uma cadeia construída dentro do próprio rancho e que ganha outro alcance quando chega a uma feira.

Mas o negócio não termina na comida. O rancho também produz peças artesanais, como porta-temperos e casinhas de passarinhos, e recebe o público para cavalgadas, bailes e almoços tradicionais. É um exemplo de empreendedorismo que mistura produção e experiência e que depende, cada vez mais, de divulgação. Paiva conta que conheceu a ExpoNorte pelas redes sociais, procurou informações, fez a inscrição e levou o empreendimento para dentro da feira.

Se para o produtor rural a ExpoNorte serviu como uma ponte entre o campo e a cidade, para Maria Diva o espaço representou a oportunidade de apresentar um negócio criado dentro da própria comunidade. Agente comunitária de saúde e assistente social, ela participa de uma iniciativa que transforma óleo usado em matéria-prima para uma linha artesanal de produtos de limpeza e higiene.

A ideia tem uma preocupação ambiental, mas também econômica. O projeto foi criado para estimular o empreendedorismo feminino na comunidade Los Angeles, fazendo com que o trabalho das mulheres também gere renda dentro do próprio território. A produção inclui detergente, desinfetante, lava-roupa, lava-banheiro, álcool em gel e sabonetes de diferentes fragrâncias, formando uma linha que, segundo Maria Diva, já conta com 26 produtos registrados.

O que existe por trás desses sabonetes e produtos de limpeza é uma tentativa de transformar uma atividade comunitária em negócio. Em vez de descartar o óleo usado nas casas, as mulheres encontram uma maneira de reaproveitar o material e convertê-lo em produtos que podem voltar para o consumo. A feira, nesse contexto, funciona como uma vitrine para explicar ao público não apenas o que está sendo vendido, mas por que aquele produto existe.

É justamente esse tipo de história que dá outra dimensão à ExpoNorte. Quando o consumidor passa por um estande, pode enxergar apenas uma cuca, um sabonete ou uma peça artesanal. Para quem produz, entretanto, cada item representa horas de trabalho, investimento, matéria-prima, divulgação e, muitas vezes, a tentativa de transformar uma habilidade ou uma atividade familiar em uma fonte de renda permanente.

A própria realização da feira parte dessa lógica. A ExpoNorte abriu espaço para mais de 50 expositores e reuniu diferentes segmentos, incluindo gastronomia, roupas, artesanato e outros pequenos negócios. Em uma região extensa como a Norte de Campo Grande, colocar esses empreendedores diante de um público maior significa criar uma oportunidade que dificilmente surgiria apenas com a rotina das vendas do dia a dia.

Para alguns, o primeiro passo é justamente ser visto. Redes sociais, indicação e eventos acabam funcionando como ferramentas de divulgação para negócios que ainda não possuem grandes estruturas.

No caso do Rancho Peão Folgado, por exemplo, o Instagram se tornou uma extensão do empreendimento e uma maneira de manter o contato com quem conhece o rancho ou descobre os produtos pela internet. A feira entra nessa estratégia como o encontro presencial entre a marca e o consumidor.

A ExpoNorte também revela que empreender não significa necessariamente abrir uma loja ou montar uma grande empresa. Pode significar plantar, cozinhar, reaproveitar óleo, produzir sabonetes, fazer artesanato, organizar uma experiência rural ou transformar aquilo que já existe dentro de uma comunidade em produto. São modelos diferentes de negócio, mas com um ponto em comum: a necessidade de criar mercado para aquilo que é produzido.

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