Coronel Sapucaia
Do cinema para o parque, Bela, Ravena e Elsa viram atração no Sóter
Com personagens que saíram da tela, ação transformou a data em uma tarde de fantasia
AMANDA FERREIRA / CAMPO GRANDE NEWS
Quem chegou ao evento da Ação CG encontrou um verdadeiro encontro de mundos. De um lado, crianças correndo, brincando e esperando ansiosas pelos brinquedos. Do outro, Bela, Ravena, Mulher-Aranha, Elsa e outros personagens famosos prontos para posar para fotos, distribuir abraços e, por algumas horas, transformar a realidade em um lugar onde superpoderes e princesas eram possíveis.
A expectativa era receber cerca de 300 crianças na ação especial de Dia das Crianças, realizada em parceria com a Ação CG e o projeto Amor em Ação. A programação teve distribuição de brinquedos, lanches, pintura e muita interação com os personagens. Para os pequenos, porém, a festa parecia ter uma missão ainda maior: descobrir qual herói ou princesa conseguiria roubar a cena.
A resposta apareceu rapidamente. Bastava um personagem surgir para os olhares se voltarem, levantarem os celulares e os pequenos correrem para conseguir uma foto. Entre uma pose e outra, os voluntários também entravam na brincadeira, conversando com as crianças e tentando arrancar delas aquele sorriso que não cabe em fotografia.
A psicóloga Adriane Alves de Alteira, vice-presidente do projeto Amor em Ação, explica que esse tipo de encontro tem um significado que vai muito além da diversão. O grupo realiza ações em hospitais, abrigos infantis e também com idosos. Na avaliação dela, permitir que a criança entre em contato com o universo da fantasia é uma forma de estimular sonhos, criatividade e possibilidades.
“A criança precisa desse mundo que ela faz', resume Adriane. Para ela, heróis, princesas e personagens ajudam os pequenos a imaginar o futuro e até a descobrir aquilo que gostariam de ser ou fazer quando crescerem. Naquele dia, portanto, a fantasia não era apenas uma fantasia: era também uma ferramenta de afeto.
Quem levou essa ideia a sério foi Isabela Silva, de 16 anos, estudante e intérprete da Bela. Fã da personagem, ela conta que chegou a cantar uma música da princesa durante o processo para entrar no projeto. Deu certo. Agora, é ela quem aparece do outro lado do vestido, recebendo os olhares encantados de outras meninas que também sonham em viver um dia de princesa.
Isabela entrou no projeto depois de conhecer uma ação social em um shopping e ficar impressionada com o trabalho dos voluntários. Desde então, passou a participar das atividades e descobriu que fazer alguém feliz também pode ser uma experiência transformadora. Para as meninas que olham para a fantasia e pensam em ser uma princesa, ela deixa um recado simples: “Todas nós somos princesas'.
Enquanto Bela encantava as pequenas, Ravena apostava em outro tipo de magia. As voluntárias entraram no personagem e brincaram com a ideia dos poderes da heroína, prometendo usar a energia da personagem para desejar às crianças muita saúde, inteligência, felicidade e prosperidade. A brincadeira arrancou risadas e ajudou a aproximar ainda mais personagens e público.
E se havia uma armadura capaz de chamar atenção, era a do Homem de Ferro. O personagem apareceu para cumprir uma missão diferente daquela dos filmes: usar seus “poderes' para fazer o bem. Para o voluntário que veste a fantasia, a experiência de estar diante das crianças é justamente a chance de transformar a energia dos heróis em solidariedade.
No meio da festa, as crianças também tiveram seus próprios momentos de protagonismo. Uma delas contou de quais personagens mais gostava e explicou que queria aproveitar o evento para se divertir. Outra exibiu orgulhosa a pintura feita no braço. Havia borboleta azul, borboleta roxa e muita criatividade porque, naquele dia, aparentemente, até a cor da borboleta podia ser escolhida sem seguir regra nenhuma.
Teve também quem já tivesse escolhido a próxima missão: conseguir uma foto com a Mulher-Aranha. A pequena fã ainda não tinha encontrado a personagem, mas já sabia exatamente o que faria quando o encontro acontecesse. “Vou tirar uma foto', disse, com a naturalidade de quem sabe que algumas lembranças precisam ser registradas.
Para os cerca de 300 pequenos esperados na ação, o Dia das Crianças ganhou cara de aventura. Para os voluntários, ficou a certeza de que, às vezes, fazer o bem é tão simples quanto vestir uma fantasia, se abaixar na altura de uma criança e entrar por alguns minutos no mundo dela.
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