Coronel Sapucaia
Você não está fazendo um favor. Está trabalhando.
Insatisfação com o trabalho não justifica grosseria, descaso ou falta de empatia
LARISSA ALMEIDA (*) / CAMPO GRANDE NEWS
Durante uma semana, acompanhei meu filho internado em um hospital público de Campo Grande. Foi uma semana de preocupação, medo e muitas horas observando o funcionamento de um lugar onde pessoas trabalham, todos os dias, cuidando de pessoas. E uma coisa me chamou especialmente a atenção: sob as mesmas condições de trabalho, com os mesmos desafios e, muitas vezes, dentro do mesmo setor, existem profissionais completamente diferentes.
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Alguns acolhem. Explicam. Escutam. Têm paciência. Demonstram interesse. Tratam o paciente pelo nome e a família com respeito. Outros reclamam o tempo inteiro. Reclamam do hospital, do salário, do horário, dos colegas, da vida. Reclamam pelos corredores e, em algum momento, parece que o paciente passa a ser mais um inconveniente em uma rotina que já lhes desagrada.
E aí vem a parte que mais me incomoda: alguns parecem acreditar que estão fazendo um favor. Não estão. Você pode não gostar do seu emprego. Pode estar cansado. Pode estar insatisfeito com a empresa, com o salário ou com a profissão que escolheu. Tudo isso é legítimo. O que não é legítimo é transformar a sua insatisfação em grosseria com quem depende do seu trabalho. Principalmente quando esse alguém está doente.
Quem trabalha cuidando de gente precisa entender que, do outro lado, existe uma pessoa. Uma pessoa com medo, dor, dúvidas, ansiedade. Uma mãe preocupada com o filho. Um marido esperando uma notícia. Uma família tentando entender o que está acontecendo. Nessas horas, um tom de voz também é cuidado. Um olhar também é cuidado. Uma explicação também é cuidado. E isso vale muito além dos hospitais.
Já reparou como algumas pessoas são encantadoras quando o chefe está por perto? Sorriso no rosto, gentileza, disponibilidade. Mas basta a autoridade sair de cena para aparecer a verdadeira personalidade profissional? Pois é. Seu chefe não é o único que avalia você. O cliente avalia. O paciente avalia. O colega avalia. A recepcionista avalia. A pessoa que você atende, quando acredita que ninguém importante está olhando, também forma uma opinião sobre você.
Reputação profissional é justamente isso: o que as pessoas concluem sobre você a partir da experiência que têm com você. Não adianta ter um currículo impecável, uma roupa impecável, um discurso impecável e um comportamento deplorável quando ninguém que pode promovê-lo está por perto.
A imagem profissional não é apenas aquilo que você veste, publica ou fala em uma entrevista. É a soma de tudo aquilo que as pessoas experimentam quando estão diante de você. O crachá identifica a sua profissão, mas o comportamento revela o profissional que você é. E talvez valha a pena se perguntar: se hoje ninguém estivesse olhando, você continuaria tratando as pessoas da mesma maneira?
(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.
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