Esportes
Da angústia ao delírio: todas as emoções da torcida do Santa Cruz à beira do acesso
Torcida do time pernambucano vive um misto de sensações em jogo contra o Floresta, em Fortaleza, que deixou o time muito perto de subir para a Segunda Divisão
GLOBOESPORTE.COM / CAMILA SOUSA
O roteiro de Floresta 1 x 1 Santa Cruz, em Fortaleza, pela quadrangular decisivo da Série C, demonstrou como o futebol pode ser tão dinâmico, volátil. Ao ponto de aflorar várias emoções em apenas 90 minutos: angústia, apreensão, esperança e alívio.
Todos eles representaram o que sentiram os mais de 2 mil torcedores do clube pernambucano que foram ao estádio Presidente Vargas, neste sábado, em busca de uma vitória que garantiria o acesso à Série B. Ela não veio e o objetivo foi adiado. Mas isso não significa frustração.
A festa
Antes de a bola rolar, o clima era de festa nos arredores do estádio. Ou melhor: de Carnaval. A torcida do Santa Cruz se reuniu em bares no entorno para compartilhar o bom momento na reta final do campeonato: se vencesse o adversário cearense, time pernambucano garantiria o acesso à Série B com duas rodadas de antecedência.
Uma orquestra de frevo foi contratada pelos torcedores do Tricolor pernambucano para animar o pré-jogo. Fogos, sinalizadores e cartazes em referência às caravanas que saíram do Recife até a capital cearense marcaram presença na folia.
Consumada, aliás, com a recepção calorosa ao time na chegada do time ao estádio, recebido com cânticos de incentivo, como "Vamos subir, Santa!" e "Avante, Santa!". Para levar às lágrimas quem estava à flor da pele.
- O Santa Cruz significa tudo pra mim. O Santa Cruz é história, é o povo de Pernambuco, as minhas raízes. As raízes de amor do meu pai, do meu avô, que fazem a gente estar aqui hoje. Minha filha é isso, eu sou isso, meu pai é isso, meu bisavô é isso. Isso é Santa Cruz - declarou um torcedor.
A angústia
Mas o futebol, por vezes, oferece momentos de anticlímax. E a torcida do Santa Cruz passou por eles: assim que a bola começou a rolar, o sentimento de euforia logo se transformou em angústia.
Era o Floresta quem dominava a partida, envolvendo o Tricolor pernambucano. Até dar o primeiro golpe: abriu o placar aos 15 minutos de jogo, com Rafinha marcando de cabeça.
O segundo viria pouco tempo depois. Aos 34, o goleiro Thiago Coelho espalmou mal a finalização de fora da área de Nonato, e Rafa Marcos, no rebote, fez o 2 a 0. Foi aí que o roteiro começou a mudar a favor do Santa Cruz: o atacante estava em posição de impedimento, e o gol foi anulado.
Porém, restava à equipe coral fazer a própria parte: bater de frente à pressão adversária e reagir. Numa rara escapada ao ataque, Everaldo finalizou aos 36 do primeiro tempo. Era muito pouco.
O Santa Cruz desceu para os vestiários derrotado. Entre vaias e aplausos, que rapidamente viraram maioria. Um gesto de apoio e confiança. Porque o jogo ainda não havia acabado.
A esperança
Então, depois de muito sofrer na primeira etapa, os tricolores se reencontraram com um terceiro sentimento: a esperança. Aos cinco minutos do segundo, Everaldo já assustava o gol do Floresta. O Santa Cruz voltou melhor para os últimos 45 minutos do jogo. Embora as doses de tensão seguissem ali.
Thiago Coelho, aos 21, levou a melhor em chute cara a cara de Rafa Marcos. Aos 27, o goleiro operou novo milagre. Com os pés, defendeu finalização à queima roupa de Rafael Índio.
Até que, aos 39, Renato ativou de novo o modo protagonista no Santa Cruz.
"Olha o gol do acesso aí. Filma, filma", dizia a torcida, no desejo de antecipar o que estava por vir.
O atacante tricolor bateu a falta no capricho, no canto direito do gol do Floresta, para levar a arquibancada visitante ao delírio. Era o gol de empate. O Santa Cruz estava de volta ao jogo.
O alívio e o delírio
O sofrimento, claro, não havia acabado. Voltou com tudo logo na cabeçada perigosa de Islan, triscando a trave, no minuto seguinte ao empate.
Depois, na expulsão de Alex Ruan, já nos acréscimos, por conta de falta que o lateral-esquerdo cometeu próxima à linha central do gramado. A falta que tirou o fôlego da torcida do Santa Cruz, porque dela se originou o gol de João Vitor. Era o Floresta mais uma vez à frente do placar.
A incredulidade e a revolta tomaram conta dos tricolores. Porém, o futebol, como o texto lá em cima descreveu, é dinâmico. E o juiz alagoano Márcio dos Santos Oliveira, chamado pelo árbitro de vídeo, confirmou o impedimento de João Vitor no lance e encerrou o jogo.
Para o delírio da torcida do Santa Cruz, que comemorou a marcação como se fosse um gol. Compreensível: o resultado deixa o clube a um empate de retornar à Segunda Divisão do futebol brasileiro após nove temporadas.
No próximo sábado, 3 de outubro, o time enfrenta o Maringá, na Arena de Pernambuco. Podendo confirmar o acesso matemático dentro de casa e com quem nunca lhe abandonou: a sua torcida.
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