• Domingo, 27 de Setembro de 2026

Da angústia ao delírio: todas as emoções da torcida do Santa Cruz à beira do acesso

Torcida do time pernambucano vive um misto de sensações em jogo contra o Floresta, em Fortaleza, que deixou o time muito perto de subir para a Segunda Divisão

GLOBOESPORTE.COM / CAMILA SOUSA


A um ponto do acesso à Série B, torcida do Santa Cruz vai à loucura — Foto: Camila Sousa/ge

O roteiro de Floresta 1 x 1 Santa Cruz, em Fortaleza, pela quadrangular decisivo da Série C, demonstrou como o futebol pode ser tão dinâmico, volátil. Ao ponto de aflorar várias emoções em apenas 90 minutos: angústia, apreensão, esperança e alívio.

Todos eles representaram o que sentiram os mais de 2 mil torcedores do clube pernambucano que foram ao estádio Presidente Vargas, neste sábado, em busca de uma vitória que garantiria o acesso à Série B. Ela não veio e o objetivo foi adiado. Mas isso não significa frustração.

A festa

Antes de a bola rolar, o clima era de festa nos arredores do estádio. Ou melhor: de Carnaval. A torcida do Santa Cruz se reuniu em bares no entorno para compartilhar o bom momento na reta final do campeonato: se vencesse o adversário cearense, time pernambucano garantiria o acesso à Série B com duas rodadas de antecedência.

Uma orquestra de frevo foi contratada pelos torcedores do Tricolor pernambucano para animar o pré-jogo. Fogos, sinalizadores e cartazes em referência às caravanas que saíram do Recife até a capital cearense marcaram presença na folia.

Consumada, aliás, com a recepção calorosa ao time na chegada do time ao estádio, recebido com cânticos de incentivo, como "Vamos subir, Santa!" e "Avante, Santa!". Para levar às lágrimas quem estava à flor da pele.

- O Santa Cruz significa tudo pra mim. O Santa Cruz é história, é o povo de Pernambuco, as minhas raízes. As raízes de amor do meu pai, do meu avô, que fazem a gente estar aqui hoje. Minha filha é isso, eu sou isso, meu pai é isso, meu bisavô é isso. Isso é Santa Cruz - declarou um torcedor.

A angústia

Mas o futebol, por vezes, oferece momentos de anticlímax. E a torcida do Santa Cruz passou por eles: assim que a bola começou a rolar, o sentimento de euforia logo se transformou em angústia.

Era o Floresta quem dominava a partida, envolvendo o Tricolor pernambucano. Até dar o primeiro golpe: abriu o placar aos 15 minutos de jogo, com Rafinha marcando de cabeça.

O segundo viria pouco tempo depois. Aos 34, o goleiro Thiago Coelho espalmou mal a finalização de fora da área de Nonato, e Rafa Marcos, no rebote, fez o 2 a 0. Foi aí que o roteiro começou a mudar a favor do Santa Cruz: o atacante estava em posição de impedimento, e o gol foi anulado.

Porém, restava à equipe coral fazer a própria parte: bater de frente à pressão adversária e reagir. Numa rara escapada ao ataque, Everaldo finalizou aos 36 do primeiro tempo. Era muito pouco.

O Santa Cruz desceu para os vestiários derrotado. Entre vaias e aplausos, que rapidamente viraram maioria. Um gesto de apoio e confiança. Porque o jogo ainda não havia acabado.

A esperança

Então, depois de muito sofrer na primeira etapa, os tricolores se reencontraram com um terceiro sentimento: a esperança. Aos cinco minutos do segundo, Everaldo já assustava o gol do Floresta. O Santa Cruz voltou melhor para os últimos 45 minutos do jogo. Embora as doses de tensão seguissem ali.

Thiago Coelho, aos 21, levou a melhor em chute cara a cara de Rafa Marcos. Aos 27, o goleiro operou novo milagre. Com os pés, defendeu finalização à queima roupa de Rafael Índio.

Até que, aos 39, Renato ativou de novo o modo protagonista no Santa Cruz.

"Olha o gol do acesso aí. Filma, filma", dizia a torcida, no desejo de antecipar o que estava por vir.

O atacante tricolor bateu a falta no capricho, no canto direito do gol do Floresta, para levar a arquibancada visitante ao delírio. Era o gol de empate. O Santa Cruz estava de volta ao jogo.

O alívio e o delírio

O sofrimento, claro, não havia acabado. Voltou com tudo logo na cabeçada perigosa de Islan, triscando a trave, no minuto seguinte ao empate.

Depois, na expulsão de Alex Ruan, já nos acréscimos, por conta de falta que o lateral-esquerdo cometeu próxima à linha central do gramado. A falta que tirou o fôlego da torcida do Santa Cruz, porque dela se originou o gol de João Vitor. Era o Floresta mais uma vez à frente do placar.

A incredulidade e a revolta tomaram conta dos tricolores. Porém, o futebol, como o texto lá em cima descreveu, é dinâmico. E o juiz alagoano Márcio dos Santos Oliveira, chamado pelo árbitro de vídeo, confirmou o impedimento de João Vitor no lance e encerrou o jogo.

Para o delírio da torcida do Santa Cruz, que comemorou a marcação como se fosse um gol. Compreensível: o resultado deixa o clube a um empate de retornar à Segunda Divisão do futebol brasileiro após nove temporadas.

No próximo sábado, 3 de outubro, o time enfrenta o Maringá, na Arena de Pernambuco. Podendo confirmar o acesso matemático dentro de casa e com quem nunca lhe abandonou: a sua torcida.



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