Coronel Sapucaia
Famílias de assentamento recebem orientação para planejar futuro da propriedade
Em Nova Andradina, 15 grupos participam de encontros sobre gestão, produção e continuidade da atividade rural
INARA SILVA / CAMPO GRANDE NEWS
Decidir quem dará continuidade a uma propriedade rural envolve conversar sobre o trabalho, a renda e os planos de cada integrante da família. No assentamento Santa Olga, em Nova Andradina, 15 famílias aceitaram participar de um plano de sucessão rural desenvolvido pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A proposta é ajudá-las a organizar essas conversas e preparar o futuro das propriedades.
A iniciativa integra o projeto de extensão 'UFMS vai ao campo', desenvolvido desde 2019, e é coordenada pelo professor Fabiano Greter, da unidade de Nova Andradina. Segundo ele, a sucessão nem sempre é discutida dentro de casa, embora as decisões sobre a produção e a gestão da propriedade afetem diferentes gerações. “A ausência de diálogo e os conflitos entre gerações são elementos que interrompem os processos sucessórios nas propriedades', afirma.
O trabalho começa com os responsáveis pelas propriedades, que tomam as decisões sobre o negócio da família. A partir daí, a equipe busca abrir uma conversa com os possíveis sucessores, incluindo os jovens. A ideia é discutir quem tem interesse em participar da atividade rural e como responsabilidades podem ser distribuídas. Isso não significa que todos os familiares precisarão trabalhar na propriedade.
As famílias participam de encontros mensais, sendo que o primeiro abordou gestão, sucessão familiar, conflitos e a relação entre família e propriedade. Entre os temas previstos para os demais encontros estão custos de produção, formação de preços, técnicas para tornar a produção mais eficiente e comercialização. O plano reúne professores e estudantes da UFMS e prevê a participação de instituições.
Além dos encontros, as famílias interessadas em iniciar o processo de sucessão poderão receber acompanhamento na propriedade. Segundo a UFMS, a orientação será ajustada às necessidades de cada núcleo familiar e à disponibilidade dos professores e parceiros do projeto.
Fabiano diz que planejar a continuidade inclui conhecer o funcionamento do negócio, preparar quem deseja participar dele e definir responsabilidades ao longo do tempo. O professor também vê na possibilidade de gerar renda e de empreender dentro da propriedade um caminho para ampliar a participação das novas gerações.



