Coronel Sapucaia
Quanto custa manter as prisões? MS gasta R$ 1,46 milhão por dia
Despesas com pessoal concentram 56,5% do total; alimentação e serviços essenciais somam R$ 195 milhões
IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
Manter o sistema prisional de Mato Grosso do Sul custou R$ 1,46 milhão por dia em 2025. A despesa total foi de R$ 533,1 milhões no ano passado, segundo dados da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais). Em 2024, foram gastos R$ 531,45 milhões.
Do valor gasto em 2025, R$ 301,17 milhões foram destinados a despesas com pessoal, o que corresponde a aproximadamente 56,5% de todo o orçamento usado pelo sistema prisional. R$ 231,96 milhões foram classificados como outras despesas.
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Dentro desse segundo grupo, os principais gastos estão relacionados à própria manutenção das unidades prisionais. Despesas com água, energia elétrica, telefone, coleta de lixo e esgoto somaram R$ 110,24 milhões. A alimentação dos presos aparece em seguida, com um gasto de R$ 85,21 milhões.
Somadas, as despesas com serviços essenciais e alimentação chegaram a aproximadamente R$ 195,46 milhões em 2025.
Redução - Apesar do aumento na comparação com 2024, o gasto de 2025 ainda ficou abaixo do registrado dois anos antes. Em 2023, a despesa total do sistema prisional chegou a R$ 572,08 milhões. Com isso, houve uma redução de aproximadamente R$ 38,94 milhões, equivalente a 6,8%. A comparação considera valores nominais, sem descontar a inflação.
Os números do sistema prisional também fazem parte de um cenário mais amplo dos gastos de Mato Grosso do Sul com segurança pública. Segundo levantamento do Justa, com dados de 2024, o orçamento total do Estado chegou a R$ 22,9 bilhões. Na análise dos recursos destinados à área de segurança, a maior parcela foi direcionada às polícias.
O levantamento aponta R$ 486 milhões para a manutenção do sistema prisional e aproximadamente R$ 1,7 bilhão para as polícias. O valor referente às prisões difere dos R$ 531,45 milhões informados pela Senappen para o mesmo ano; os dados apresentados não esclarecem a razão dessa diferença.
Quase R$ 3 mil por detento - O custo individual também foi tema de entrevista ao Campo Grande News em agosto, quando o secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, citou os presos do sistema prisional, que representam despesa individual de R$ 2,7 mil ao mês, segundo ele.
Na mesma entrevista, Videira pontuou que manter um jovem que violou leis penais internado em uma Unei (unidade educacional de internação) exige uma despesa maior do que pagar a mensalidade de um curso de Medicina. Seriam R$ 14 mil por mês, segundo o titular da Sejusp. Nesse caso, o valor se refere ao atendimento socioeducativo de adolescentes.
Ressocialização – A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que, conforme previsto no Plano Plurianual, 20% do orçamento da agência é destinado à Assistência Penitenciária e às políticas desencarceradoras.
Em janeiro deste ano, os relatórios da Diretoria de Assistência Penitenciária registraram 6.475 pessoas trabalhando. Ainda em 2026, o órgão ampliou as oportunidades de formação profissional, com a oferta de mais de 2 mil vagas em diferentes áreas.
Na área da educação, o órgão desenvolve ações de ensino básico, profissionalizante e superior, além de iniciativas como a Remição pela Leitura e cursos de qualificação.
Além disso, o órgão criou o Escritório Social, que atende pré-egressos, egressos e familiares.
“Os serviços incluem acolhimento, documentação, assistência social, qualificação profissional e encaminhamento para o mercado de trabalho. Este ano, foram registrados centenas de encaminhamentos para o mercado de trabalho pelos serviços de atendimento a egressos do sistema prisional de Mato Grosso do Sul', disse o órgão.
A Agepen também promove a inserção profissional de egressos por meio do Projeto Portas Abertas, em parceria com diferentes instituições, aproximando esse público de empresas e da rede de apoio. A iniciativa já foi realizada em diversos municípios e está sendo implantada em Naviraí. Em 2026, também foi firmado o Emprega Lab, voltado à ampliação de oportunidades de trabalho e geração de renda para pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional.
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