• Quarta, 23 de Setembro de 2026

MS mais que dobra número de trabalhadores com ensino superior em 13 anos

Estado amplia participação do setor público no emprego, enquanto agropecuária e serviços domésticos diminuem

JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Candidatas a vaga de emprego aguardando atendimento na Funsat (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O mercado de trabalho de Mato Grosso do Sul mudou de perfil ao longo dos últimos 13 anos, com aumento expressivo da escolaridade dos trabalhadores e alterações na distribuição dos empregos entre os diferentes setores da economia. Em 2025, o Estado tinha 376 mil pessoas ocupadas com ensino superior completo, mais que o dobro das 147 mil registradas em 2012, segundo dados da PNAD Contínua (Características Adicionais do Mercado de Trabalho), divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (23).

O crescimento foi de 156% no período. Com isso, a parcela de trabalhadores com graduação completa passou de 12,5% para 25,6% do total de ocupados, avanço de 13,1 pontos percentuais.

A mudança também aparece entre aqueles que concluíram o ensino médio ou chegaram ao ensino superior sem concluí-lo. Esse grupo passou de 363 mil trabalhadores em 2012 para 589 mil em 2025, aumento de 62,3%. A participação no conjunto dos ocupados subiu de 30,9% para 40%.

Com isso, em 2025, trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto formavam o maior grupo por escolaridade no mercado de trabalho sul-mato-grossense.

Na outra ponta, caiu de forma significativa a presença de trabalhadores com menor nível de instrução. Em 2012, havia 445 mil ocupados sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, o equivalente a 37,9% do total. Em 2025, eram 296 mil, ou 20,1%.

Isso representa redução de 149 mil pessoas nesse grupo e queda de 17,8 pontos percentuais em sua participação entre os trabalhadores ocupados.

Mais gente na força de trabalho - A transformação ocorreu em um período em que também cresceu a população em idade de trabalhar. Entre 2012 e 2025, a população de 14 anos ou mais em Mato Grosso do Sul passou de 1,902 milhão para 2,284 milhões de pessoas.

Foram 382 mil pessoas a mais, crescimento de 20,1%. - Dentro desse universo, a força de trabalho (formada por pessoas ocupadas e desocupadas) aumentou de 1,251 milhão para 1,517 milhão. O acréscimo foi de 266 mil pessoas, equivalente a 21,3%.

Apesar do aumento no número absoluto, a proporção da população de 14 anos ou mais que estava na força de trabalho variou pouco. O indicador passou de 65,8% em 2012 para 66,4% em 2025, alta de 0,6 ponto percentual.

Já o número de pessoas fora da força de trabalho subiu de 651 mil para 767 mil no período, crescimento de 17,8%. Proporcionalmente, porém, esse grupo perdeu participação, de 34,2% para 33,6%.

Serviços públicos ganham espaço - A distribuição dos trabalhadores entre os setores da economia também mudou ao longo da série histórica.

O grupo que reúne administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais aumentou sua participação de 17,1% em 2012 para 20,2% em 2025. Foi uma alta de 3,1 pontos percentuais.

Com o resultado, esse grupamento passou a responder por cerca de um quinto do pessoal ocupado no Estado.

O transporte, armazenagem e correio também ganhou participação. O setor representava 4% dos trabalhadores em 2012 e chegou a 6% em 2025, avanço de 2 pontos percentuais.

Já atividades tradicionalmente importantes na estrutura de emprego do Estado perderam participação.

A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura caiu de 12% para 10,2% do pessoal ocupado entre 2012 e 2025, redução de 1,8 ponto percentual.

Nos serviços domésticos, a retração foi ainda maior. O segmento representava 8,1% dos trabalhadores em 2012 e passou a 6,5% em 2025, queda de 1,6 ponto percentual.

Comércio continua entre os maiores empregadores - Mesmo com as mudanças na composição do mercado, o comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas continuou concentrando uma parcela importante dos trabalhadores de Mato Grosso do Sul.

Em 2025, o grupamento representava 19,4% do pessoal ocupado, praticamente o mesmo percentual observado em 2012, quando correspondia a 19,4%.

O setor, porém, oscilou ao longo da série. Chegou a representar 20,7% em 2023 e recuou para 19,9% em 2024, antes de chegar aos 19,4% registrados em 2025.

A indústria geral também apresentou aumento na participação, de 11,3% em 2012 para 11,4% em 2025. Já a construção passou de 4,8% para 6,9%.

O grupamento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas oscilou de 8,3% em 2012 para 9,1% em 2025, enquanto alojamento e alimentação passou de 4,8% para 5,7%.

Mulheres ganham espaço no trabalho noturno - Outra mudança destacada pelo IBGE está relacionada à composição por sexo dos trabalhadores com jornadas noturnas ou parcialmente noturnas.

Em 2012, Mato Grosso do Sul tinha aproximadamente 82 mil homens e 24 mil mulheres nessa modalidade de trabalho. As mulheres representavam cerca de 23% do total.

Treze anos depois, em 2025, eram aproximadamente 100 mil homens e 64 mil mulheres trabalhando em jornadas noturnas ou parcialmente noturnas. Com isso, a participação feminina passou para cerca de 39%.

O crescimento foi especialmente forte entre as mulheres: o número de trabalhadoras nessa condição aumentou 167% no período. Entre os homens, o avanço foi de 22%.

Na comparação com as demais unidades da Federação, Mato Grosso do Sul registrou em 2025 a sexta maior participação feminina entre os trabalhadores em jornadas noturnas ou parcialmente noturnas, com 39%. A maior proporção foi observada na Paraíba, com 40,8%.

O que mudou no perfil do trabalhador de MS - Os dados de 2025 mostram, portanto, um mercado de trabalho sul-mato-grossense diferente daquele observado no início da série.

Além de ter mais pessoas na força de trabalho, o Estado passou a contar com uma parcela muito maior de trabalhadores com níveis elevados de escolaridade. O grupo com ensino superior completo praticamente dobrou sua participação, enquanto caiu quase pela metade a proporção de ocupados sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.

Ao mesmo tempo, a composição setorial também se alterou. Atividades ligadas à administração pública, educação, saúde e serviços sociais ganharam espaço, assim como transporte, armazenagem e correio. Já a agropecuária e os serviços domésticos passaram a representar uma fatia menor do conjunto de trabalhadores.

O levantamento do IBGE considera o período de 2012 a 2025 e integra a PNAD Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, que reúne informações sobre força de trabalho e também investiga temas como associação a sindicatos e cooperativas, cobertura de CNPJ entre empregadores e trabalhadores por conta própria e local de exercício do trabalho.



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