• Quinta, 20 de Agosto de 2026

Com 5 já identificados, famílias aguardam análise genética de 11 carbonizados

Caso não seja possível obter a confirmação por impressões digitais, a identificação seguirá por exame de DNA

LUCIA MOREL / CAMPO GRANDE NEWS


Caminhão ficou carbonizado após acidente às margens da BR-163 no domingo, 16. (Foto: Juliano Almeida)

Com cinco vítimas já identificadas dos dois acidentes em estradas de Mato Grosso do Sul que deixaram 16 carbonizados na última semana, os corpos das demais 12 ainda dependem de exames de DNA para serem liberados. Novas quatro identificações ficaram prontas hoje.

Além de Valderlanio Daniel Santos, que era o condutor de um Chevrolet Onix envolvido em acidente na BR-163, que já teve o corpo liberado, agora também deverão ser entregues às famílias os restos mortais de Luna Benites Santos, de 7 anos; Tiago Honorio dos Santos, 34; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, de 14; e Ileo Benites, com 30 anos. Todos foram vítimas de acidente na noite de sexta-feira (14), entre Iguatemi e Japorã.

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Os outros três corpos envolvidos no mesmo acidente ainda dependem de mais testes. A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que uma equipe de peritos papiloscopistas especializada em necropapiloscopia está em deslocamento para a cidade de Naviraí para avaliar as condições técnicas de aplicação do método.

Caso não seja possível obter a confirmação por impressões digitais, a identificação seguirá por exame de DNA, cujas amostras já estão em processamento no IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses).

Das quatro vítimas, desta vez do acidente na BR-163, em Bandeirantes, os nomes já são conhecidos, mas ainda não se sabe quem é quem. Eram ocupantes do Toyota Etios: José Doná, Natalina Petrelini Doná, Ana Maria Doná Marques e Sergio Doná, integrantes da mesma família, e todos dependem de DNA para identificação.

Complexo - Apesar da espera longa das famílias enlutadas, o IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses) explica que o fogo degrada o material genético das amostras e inviabiliza as formas convencionais de identificação, exigindo um trabalho complexo e demorado. Com isso, ainda não há data prevista para que os corpos sejam liberados para velório e enterro.

O material extraído precisa passar por limpeza, moagem e repetição de fases em laboratório para garantir a confirmação do parentesco antes da liberação dos restos mortais. E caso as primeiras amostras não tenham condições de identificação, novas precisam ser coletadas.

A diretora do IALF, Josemirtes Socorro Fonseca Prado da Silva, explica que “como essas amostras sofreram ação do fogo, de temperaturas elevadas, a tendência é essas amostras estarem com seu DNA degradado. Então ela vai levar mais tempo na realização dos seus exames'.

Ela ainda destaca o passo a passo, falando que a identificação de corpos em acidentes segue uma ordem de métodos. A primeira tentativa ocorre pelas impressões digitais, conduzida pelo Instituto de Identificação. Quando o calor ou a decomposição destroem a pele dos dedos, a equipe do IMOL (Instituto Médico-Odontológico Legal) entra em ação e busca comparar a estrutura dos dentes com fichas ou exames fornecidos pelos parentes.

Se esses dois caminhos não puderem ser aplicados ou ficarem sem resultado, o caso segue então para o laboratório de análise genética do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses. “A partir daí, a gente vai extrair esse DNA. Extraindo o DNA, a gente vai quantificar. O que seria quantificar? A gente vai ver se nessa amostra tem DNA suficiente para a identificação', destaca Josemirtes.

Depois disso, se porventura não houver capacidade de identificação nessa amostra, é preciso passar por todo processo novamente. “Então, muitas vezes, você faz todo esse processo da limpeza, purificação, pulverização, e aí você leva para para ver a quantidade de DNA, você vê que a quantidade não é suficiente. Então nós temos que voltar novamente para iniciar o processo'.

Na tentativa de tranquilizar as famílias, a diretora afirma que a Polícia Científica está na fase de processamento das amostras, mas pondera que não é possível ter uma previsão de quanto tempo vai levar o exame, porque isso depende da qualidade do DNA que tem em cada amostra.

“Mas a Polícia Científica, ela está empenhada nesses casos, porque a gente sabe que é uma comoção popular. A gente sabe que a família quer dar um enterro digno para seus parentes, quer fechar um ciclo', estabelece.

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