Coronel Sapucaia
Minha Casa, Minha Vida: corretores relatam entraves com usados e renda informal
Liberação do recurso demora e critérios estão mais rígidos; Caixa não divulgou mudança nas políticas
CASSIA MODENA / CAMPO GRANDE NEWS
Corretores de imóveis de Campo Grande relatam que o momento é de maior espera entre quem quer financiar um imóvel usado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Outro entrave atual está na comprovação de renda dos trabalhadores informais, já que a análise estaria mais rigorosa. A Caixa Econômica Federal, responsável pelo aporte de recursos, não divulgou nenhuma mudança interna.
Na área há 12 anos, Paulo Nogueira tem explicado aos clientes da faixa 1 (renda familiar até R$ 3,2 mil) e da faixa 2 (renda de até R$ 5 mil) do programa que a liberação do valor financiado pela Caixa Econômica Federal está demorando de dois a três meses. “Isso acontece nos momentos em que se dá preferência aos imóveis novos, como agora', avalia.
- Leia Também
- Agehab divulga 82 pré-selecionados para apartamentos do Manoel de Barros
- Um a cada três beneficiários de programas habitacionais está inadimplente
Ele cita um contrato já aprovado cujo tempo de espera pelo dinheiro ultrapassa 50 dias. Ultimamente a agilidade é mais difícil, mas ele cita como exceção a liberação em apenas 15 dias para um cliente.
O corretor acredita que questões políticas e econômicas influenciam nos prazos e no grau de facilidade de se financiar um imóvel. “Inadimplência, taxa de juros alta, número de fraudes e não estarmos mais no início de um governo, quando recursos são abundantes, influenciam e dão um direcionamento à Caixa', resume.
Informal - Corretor há dois anos na Capital, Pablo Chaves tem percebido que clientes com renda informal andam enfrentando uma saga ainda maior para comprovar que podem honrar o financiamento. Essa mudança foi notada por ele há cerca de um mês e meio.
“A Caixa tem adotado critérios mais rigorosos na análise de crédito, principalmente para clientes com renda informal, que muitas vezes encontram mais dificuldade para comprovar sua capacidade de pagamento. As entrevistas e conferências de documentos estão mais detalhadas. O processo está mais demorado e criterioso', afirma.
Além disso, para esse público, a Caixa está exigindo o extrato do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), o que antes não era solicitado, segundo Pablo. Segundo informações do site da Caixa, somente precisam apresentá-lo aqueles que pretendem financiar imóveis usando a reserva.
“A Caixa aumentou os requisitos. Antes, era mais tranquilo para o trabalhador com renda informal. Ficou muito difícil, estão muito rígidos nas entrevistas. A análise de documentos está muito mais detalhada', reforça o corretor.
A reportagem ouviu um terceiro corretor, que pediu para não ser identificado. Para ele, que atua no setor há mais de 30 anos e não costuma atender trabalhadores autônomos, o maior problema tem sido mesmo a espera prolongada pela dotação. 'Nunca demorou tanto. Está mais difícil liberarem R$ 150 mil para a faixa 1, mesmo com tudo em conformidade', falou.
Trabalhadores de aplicativo - Não houve anúncio oficial, mas sites do mercado imobiliário afirmam que o banco atualizou regras internas para facilitar o acesso de trabalhadores de aplicativos de mobilidade e entregas ao Minha Casa, Minha Vida. Segundo as especulações, a divulgação será feita em breve.
Paulo Nogueira acredita que a postura mais inflexível com relação aos trabalhadores informais tenha relação com a formalização de requisitos para atender o grupo que tira renda dos aplicativos.
A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal foi questionada se houve ou haverá mudanças nas políticas de financiamento. Não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.
Leia mais


Primeira página

