Esportes
Flamengo alega reorganização financeira, suspende comissões e empresários vão à CBF
Associação de agentes usa exemplo para pedir para ser incluída em escopo do fair play financeiro. “Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo', disse o presidente rubro-negro, Bap
GLOBOESPORTE.COM / RAPHAEL ZARKO
A Associação Brasileira de Agentes de Futebol solicitou à Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol a inclusão de empresários no fair play financeiro da CBF, citando atrasos do Flamengo no pagamento de comissões.
O clube carioca enviou e-mails notificando a necessidade de reprogramar e adiar as comissões pactuadas até o fim de 2026 para o ano de 2027.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, confirmou as renegociações de contratos cujas condições anteriores não pareciam razoáveis para a atual gestão do clube.
A medida coincide com a postura cautelosa do clube no mercado, após o alto investimento de R$ 315,7 milhões na contratação do meia Lucas Paquetá.
A Associação Brasileira de Agentes de Futebol argumenta que a suspensão unilateral de obrigações pelo clube mais solvente do país gera um grave risco sistêmico para todo o futebol brasileiro.
A Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) enviou ofício ao presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), Caio Resende, pela inclusão dos empresários no Sistema de Sustentabilidade Financeira, o fair play criado pela CBF este ano.
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O manifesto cita como exemplo o atraso em pagamentos de comissões: "A gravidade do episódio se acentua pelo fato de o Flamengo ser, reconhecidamente, o clube em melhor situação financeira do futebol brasileiro", justifica a carta assinada pelo presidente da Abaf, Jorge Moraes, à qual o ge teve acesso.
O movimento não é novo, porque os empresários já se mobilizam para serem incluídos no "rol de credores legitimados a reportar inadimplementos" à Anresf, nome da agência reguladora. A Abaf reforçou o pedido devido a alegada "reorganização financeira" do Flamengo.
No cenário atual, se qualquer clube não pagar uma dívida com algum empresário, ele pode cobrar na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF ou na Justiça Comum. Caso a Abaf entre para o fair play, os agentes poderão cobrar através da Anresf, com isso os clubes inadimplentes correm risco de sofrer punições esportivas.
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O departamento de negociação e contrato do Flamengo enviou série de e-mails aos empresários nos últimos dias. Em mensagem, o clube alega que "identificou-se a necessidade de renegociar e reprogramar determinados pagamentos relacionados às comissões pactuadas até o final de 2026".
Em outra mensagem à qual o ge teve acesso, o Flamengo explicou que "os pagamentos pendentes de 2026 serão postergados para 2027", sem informar o novo cronograma de pagamentos.
A reportagem do ge procurou o Flamengo, e o clube reforçou seu posicionamento através da declaração do presidente Luiz Eduardo Baptista em entrevista ao canal "Vene Casagrande", no YouTube, na semana passada, quando Bap confirmou as renegociações e explicou o ponto de vista da diretoria:
– É possível (renegociação) porque em alguns casos a gente entende que as condições não eram necessariamente adequadas. A vantagem é o seguinte: como o Flamengo paga, tem credibilidade na praça. Pergunta para esse empresário se ele está recebendo de todo mundo em dia? Ou se ele está recebendo? Ele sabe que não. Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo. Pode fazer negócio com os outros clubes, não tem problema. Agora, alguns contratos, alguns negócios que foram feitos com o Flamengo, algumas condições que o Flamengo aceitou contratualmente e não nos parecem razoáveis, nós temos, sim, buscado renegociar. Faz parte, é do jogo – comentou.
Não é a primeira vez
Esta não é a primeira vez que o Flamengo entra em rota de colisão com empresários por causa de comissões. No início do ano passado, o clube fez o mesmo e adiou os pagamentos para aumentar o fluxo de caixa no início do mandato de Bap. Esta foi uma das primeiras ações do presidente após assumir o cargo com cerca de R$ 3 milhões disponíveis nos cofres.
Agora, a medida ocorre novamente em meio a um momento em que o clube não tem tanto poder de compra para atacar o mercado em busca por reforços na janela. Publicamente, a diretoria já deixou claro que o alto investimento na contratação de Paquetá (o custo total foi de R$ 315,7 milhões, sendo cerca de R$ 155 milhões à vista) faz o clube ser mais cauteloso financeiramente nos próximos alvos.
Demanda recorrente
A Abaf solicita a inclusão no fair play desde o início de julho. Enviou cartas à agência no dia 1º e no dia 3, na segunda delas com relato da situação no Flamengo. "A presente reiteração ganha caráter de urgência em razão de fato concreto levado ao conhecimento desta Associação: o Clube de Regatas do Flamengo, por meio de comunicação eletrônica subscrita por sua Diretoria de Negociação e Contratos, informou de forma unilateral a 'renegociação e reprogramação' de comissões contratualmente pactuadas até o final de 2026", cita trecho da carta.
"Se mesmo a agremiação mais solvente do país recorre a reorganizações internas para suspender unilateralmente o cumprimento das obrigações já pactuadas com agentes, o risco sistêmico para os demais clubes, inclusive aqueles em situação financeira mais crítica, é consideravelmente maior", argumenta a Abaf.
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