Coronel Sapucaia
Multa de quem não votou nas eleições pode somar meio milhão de reais na Capital
Cálculo considera 137,7 mil eleitores com voto obrigatório que não compareceram em 2024
KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
Deixar de votar e não apresentar justificativa pode custar menos de R$ 4. A multa eleitoral varia de R$ 1,05 a R$ 3,51 por turno, valores mantidos desde 1993, apesar da inflação acumulada nas últimas três décadas.
Em Campo Grande, 137.707 eleitores para os quais o voto era obrigatório não compareceram ao primeiro turno das eleições municipais de 2024. O grupo representava 23,51% dos 585.743 moradores da Capital obrigados a votar, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
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Caso todos esses eleitores tivessem deixado de justificar a ausência e fossem cobrados pelo valor máximo, as multas somariam quase meio milhão de reais, exatamente R$ 483.351,57. O cálculo, porém, é apenas uma projeção. O painel do tribunal informa quantas pessoas faltaram, mas não mostra quantas justificaram posteriormente, tiveram a cobrança dispensada ou efetivamente pagaram a penalidade.
Também não entram nessa conta os 27.098 eleitores de Campo Grande com voto facultativo que se ausentaram. Para adolescentes de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e eleitores analfabetos, o comparecimento não é obrigatório e a falta não gera multa.
Em Mato Grosso do Sul, 385.108 pessoas obrigadas a votar não compareceram no primeiro turno de 2024. Se todas fossem multadas pelo teto de R$ 3,51, o valor chegaria a R$ 1.351.729,08. Novamente, não se trata da arrecadação efetiva da Justiça Eleitoral, mas de uma simulação baseada no total de ausentes.
Valor congelado - A multa é calculada sobre uma base de R$ 35,13, mantida após a extinção da UFIR (Unidade Fiscal de Referência), em 2000. Pela regulamentação eleitoral, o juiz pode estabelecer a cobrança entre 3% e 10% dessa base, resultando em valores de R$ 1,05 a R$ 3,51 por turno.
Os sistemas de regularização costumam emitir a cobrança pelo teto de R$ 3,51. O pagamento pode ser feito pela internet, inclusive por Pix no aplicativo e-Título.
O novo Código Eleitoral, previsto no PLP (Projeto de Lei Complementar) 112 de 2021, propõe elevar a multa para R$ 5. A matéria ainda depende de votação no plenário do Senado.
Com o valor sugerido pelo projeto, a cobrança hipotética sobre os 137.707 eleitores obrigados que faltaram em Campo Grande chegaria a R$ 688.535, aumento de pouco mais de R$ 205 mil em relação ao teto atual.
Mesmo com a alteração, a penalidade continuaria distante da correção integral pela inflação. Conforme o cálculo apresentado pela Folha de S.Paulo, os R$ 3,51 de 1993 equivaleriam hoje a aproximadamente R$ 27. Aplicado ao mesmo grupo da Capital, esse valor produziria uma cobrança hipotética de R$ 3,7 milhões.
Consequências - Embora o valor seja baixo, deixar a situação irregular pode trazer outras restrições. O eleitor que não vota nem justifica fica sem a certidão de quitação eleitoral enquanto não resolver a pendência.
O documento é exigido para procedimentos como inscrição em concurso público, obtenção de passaporte e matrícula em estabelecimento oficial de ensino. Quem acumula três ausências consecutivas sem regularização ainda pode ter o título cancelado.
Em Campo Grande, o TSE identificou 34.920 eleitores que faltaram aos três últimos pleitos analisados. Até junho de 2025, 33.308 já apareciam com o título cancelado e apenas 1.373 haviam regularizado a situação.
O número reforça a principal contradição da regra: a multa isolada custa pouco, mas ignorar repetidamente a Justiça Eleitoral pode resultar em consequências administrativas bem maiores que os R$ 3,51 cobrados por turno.
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