Coronel Sapucaia
Sem imóvel vazio, Avenida Euler de Azevedo reúne história e expansão comercial
Via concentra comércios de diversos segmentos e prédio histórico de nove décadas
IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
Quem percorre a Avenida Euler de Azevedo percebe uma realidade cada vez mais rara em Campo Grande: praticamente não há imóveis comerciais vagos. No trecho entre as avenidas Ernesto Geisel e Tamandaré, a via é vista como um corredor de comércio diversificado, reunindo lojas, restaurantes, hotel, postos de combustíveis e prestadores de serviços.
Importante ligação entre o Centro e a região norte da Capital, a avenida tem 4,5 quilômetros de extensão. Em determinado trecho, passa a se chamar Dom Antônio Barbosa, conforme a Lei Municipal nº 3.077, de 1994. A via dá acesso a bairros como Coophasul, Vila Nasser e Santo Amaro, além de servir como saída para Rochedo.
Nos últimos anos, a Euler de Azevedo recebeu obras de revitalização, com duplicação da pista, implantação de ciclovia e iluminação em LED.
Mesmo com a modernização, o local preserva parte da história da cidade. Entre os imóveis que resistem ao crescimento comercial está a Escola Estadual Patronato São Francisco, fundada em 1957. Outra construção histórica de destaque é uma pequena residência tombada como patrimônio, classificada como arquitetura eclética pelos detalhes ornamentais próximos ao telhado, que remetem ao classicismo.
Comércio - Há 1 ano instalada na avenida, a proprietária de uma loja de variedades, Angela Soares, afirma que escolheu o endereço pela proximidade de casa e avalia positivamente o movimento comercial da região.
'Aqui tem fluxo só de movimentos de carro, pedestre é muito pouco. A loja em si atende, acho que foi a melhor coisa que fizemos na região. É uma avenida boa. Tem o pessoal da escola, quem passa, precisa de impressão. O nosso forte aqui é impressão, essa parte de gráfica rápida mesmo e aqui na região não tem', pontuou.
No entanto, Angela destaca que há coisas a melhorar. “A Euler é de acesso a outras cidades, o pessoal que vem de lá para cá, desce direto para o Centro e perguntam onde tem salgado. Aqui falta uma padaria, que não tem, era uma coisa que eu também queria investir. Só que não tem ponto pra isso. Esse trecho tem comércio, da rotatória para lá já não tem', completou.
Angela conta que paga R$ 2 mil de aluguel e se surpreende com a valorização da avenida. 'Eu não sei porque é uma avenida de tantos comércios.'
Apesar da boa localização, ela relata um problema recorrente. “A única preocupação é quando chove, o bueiro da frente alaga e sobe a água. Eu não gosto quando chove', disse.
A expansão da atividade econômica também é percebida por Janete Gomes, sócia de uma empresa de locação de equipamentos de limpeza doméstica, instalada há 5 anos na via. Para ela, a ocupação dos imóveis demonstra o fortalecimento da região.
'Desenvolveu bem, abriu muito comércio. Está sempre movimentado, nada parado, está bem desenvolvido. Está tudo ocupado, não tem nada desocupado. Tem postos de gasolina, tem restaurante, hotel, tem roupa, tem papelaria, acho que atende bem', relatou.
Proprietário de um açougue há quase 8 anos na avenida, Rafael Ribeiro avalia que as melhorias viárias trouxeram consequências para quem depende do comércio local.
'A avenida estreitou, ficou muito veloz, fluxo alto de carro, caminhão. O que ficou ruim foi justamente esse estreitamento. Essa aqui é uma das ruas mais antigas de Campo Grande, aquela escola ali embaixo é histórica', disse, indicando a direção da escola.
Segundo ele, clientes enfrentam dificuldades para estacionar e até mesmo para atravessar a via. 'É uma rua muito movimentada e causa um pouco de complicação para o pedestre atravessar.'
Na avaliação do comerciante, ainda faltam alguns serviços essenciais. 'Padaria não tem, mercearia não tem.'
A atendente de uma floricultura, Regina Aureliano acompanha a transformação da avenida há mais de uma década. Ela lembra que, anos atrás, havia imóveis desocupados, cenário que mudou completamente com a chegada de novos empreendimentos.
'Era um pouquinho mais calmo, mas agora a coisa está feia. Agora está mais movimentada a avenida. O povo mudou tudo para cá, porque uns anos atrás teve aquele negócio de mudança lá no centro. Acho que o aluguel ficou pesado depois da pandemia, aí o povo mudou para cá',
Regina também sente os efeitos da valorização dos imóveis. 'O aluguel está caro, eu estou pagando dois mil reais, mas só que está muito pesado.'
Além de trabalhar na floricultura, ela mora nos fundos do estabelecimento e relata dificuldades enfrentadas diariamente.
“A noite inteira tem barulho. Moro por necessidade, porque se você for pagar passe, tem comida, é tudo difícil', finalizou.
Curiosidades - Muito antes da intensa movimentação de veículos e do comércio consolidado, a Avenida Euler de Azevedo teve outra função. Em 1975, a área era utilizada como lixão e, posteriormente, tornou-se ponto de encontro de moradores que acompanhavam campeonatos amadores de motocross.
Os nomes da via também homenageiam personagens importantes da história sul-mato-grossense. Euler de Azevedo foi médico em Campo Grande, enquanto Dom Antônio Barbosa foi arcebispo de Mato Grosso do Sul e dá nome ao trecho final da avenida.
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