• Sábado, 04 de Julho de 2026

Cenipa chega a Campo Grande e inicia investigação sobre queda de avião

Piloto e pesquisadora alemã morreram após a decolagem do Aeroporto Santa Maria; causas ainda são desconhecidas

GABI CENCIARELLI E INEZ NAZIRA / CAMPO GRANDE NEWS


Equipe trabalhando no local (Foto: Maya Severino)

 Investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) chegaram a Campo Grande neste sábado (4) para iniciar a apuração da queda do avião que matou o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff. O acidente ocorreu na manhã de sexta-feira (3), poucos instantes após a decolagem do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas.

A equipe especializada começou os primeiros levantamentos na área onde os destroços foram encontrados, em uma região de mata próxima ao Condomínio Atlântico. O trabalho inclui análise da aeronave, documentação, condições meteorológicas, histórico operacional do voo e demais fatores que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu.

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A aeronave de matrícula PT-WYQ decolou por volta das 6h20 com destino à região pantaneira. Pouco tempo depois, caiu em uma área de mata ao lado da pista. Os destroços foram localizados por um funcionário do hangar que participava das buscas a pé desde as primeiras horas da manhã.

Confira a galeria de imagens:

Os dois ocupantes morreram no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave ficou completamente destruída com o impacto.

Neblina marcou a manhã do acidente - Uma das informações que deverá integrar a investigação é o registro das condições meteorológicas em Campo Grande no momento da decolagem.

A Capital amanheceu sob efeito de uma frente fria, com nevoeiro, garoa e sensação térmica de 7,6°C. A baixa visibilidade já havia afetado a operação do voo. Conforme apurado pelo Campo Grande News, a decolagem estava prevista inicialmente para as 5h, mas foi adiada em razão das condições climáticas.

Também chamou atenção de profissionais da aviação o fato de o Aeroporto Santa Maria aparecer classificado para operações VFR (Visual Flight Rules), ou regras de voo visual, nas publicações aeronáuticas oficiais do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo).



Nesse tipo de operação, o piloto precisa manter referências visuais do terreno e do horizonte durante o voo. Já operações IFR (Instrument Flight Rules), realizadas com auxílio de instrumentos e procedimentos específicos, são utilizadas em condições de baixa visibilidade.

Pilotos ouvidos pela reportagem ressaltam, no entanto, que ainda não é possível estabelecer qualquer relação entre as condições da manhã e o acidente. A avaliação caberá aos investigadores do Cenipa.

Aeronave estava regular - Conforme consulta ao RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a aeronave era um modelo Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983.

O avião estava com situação regular, possuía Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até junho de 2027 e era operado pela empresa Amapil Táxi Aéreo.

O registro também indica autorização para operações IFR, modalidade em que a navegação pode ser feita com apoio dos instrumentos da aeronave.

Reforma do aeroporto - O acidente ocorre poucos meses após o anúncio de investimentos para modernização do Aeroporto Santa Maria. Em fevereiro deste ano, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) homologou licitação de R$ 45,7 milhões para recuperação e ampliação da estrutura.

O projeto prevê melhorias na pista de pouso e decolagem, áreas de taxiamento, pátio de aeronaves e implantação de novas estruturas de apoio aos passageiros.

Quem eram as vítimas - O piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff morreram no local da queda.

Henrique era conhecido no meio da aviação sul-mato-grossense e trabalhava havia cerca de um mês na Amapil Táxi Aéreo. Antes, atuou como instrutor de voo. Casado e pai de uma menina, ele compartilhava nas redes sociais registros da rotina entre os hangares e momentos ao lado da família. Em entrevista ao Campo Grande News, a esposa lamentou a perda e relembrou a trajetória construída pelo marido na aviação.

Já Lydia, de 45 anos, era uma pesquisadora reconhecida internacionalmente pelos estudos desenvolvidos no Pantanal. Zoóloga, ecóloga tropical e doutoranda na Alemanha, ela dedicou anos ao monitoramento e à conservação de mamíferos silvestres da região, especialmente tamanduás. Parceira de longa data do Instituto Tamanduá, era presença frequente em expedições científicas no Estado e seguia para mais uma etapa de pesquisas quando ocorreu o acidente.

A morte da pesquisadora provocou comoção entre cientistas, ambientalistas e profissionais que atuam na conservação da fauna pantaneira, enquanto familiares, amigos e colegas de Henrique prestaram homenagens ao piloto ao longo do dia.

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