Coronel Sapucaia
MS moderniza transporte para acompanhar avanço da indústria e do agronegócio
Projetos incluem reativação da Malha Oeste, ampliação dos aeroportos e melhorias na malha rodoviária estadual.
JOSé CâNDIDO / CAMPO GRANDE NEWS
A logística deixou de ser apenas um desafio de infraestrutura para se tornar um dos principais pilares da estratégia de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Com uma economia impulsionada pela industrialização, expansão da celulose, crescimento do agronegócio e atração de investimentos bilionários, o Estado aposta na integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos para reduzir custos, aumentar a competitividade e sustentar o ritmo de crescimento econômico.
O pacote de investimentos e planejamento prevê desde a pavimentação de centenas de quilômetros de estradas até a modernização da malha aeroportuária, além da retomada de projetos ferroviários considerados estratégicos para ampliar a capacidade de escoamento da produção.
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A principal meta é preparar Mato Grosso do Sul para uma nova fase da economia, em que a eficiência logística poderá ser um diferencial competitivo, especialmente após a implementação da reforma tributária, quando os incentivos fiscais perderão peso na atração de empresas.
'Estamos fazendo nosso dever de casa, qualificando e preparando nossa logística para o futuro. Só assim vamos acompanhar as demandas desse crescimento exponencial do Estado e transformar desenvolvimento em qualidade de vida para a população', afirmou o governador Eduardo Riedel.
Plano vai definir prioridades para as próximas décadas
Um dos principais instrumentos desse planejamento é a elaboração do novo Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT), que atualizará o diagnóstico da infraestrutura de Mato Grosso do Sul e estabelecerá prioridades de investimentos.
O estudo analisará toda a movimentação de cargas e passageiros, abrangendo rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, portos e terminais logísticos. A proposta é integrar os diferentes modais, identificar gargalos e direcionar investimentos para as regiões onde a economia cresce com maior velocidade.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, o objetivo é abandonar a visão isolada de cada modal e construir uma rede logística integrada.
'A competitividade do Estado dependerá cada vez mais da eficiência logística, conectando produção, indústria e transporte.'
O plano também servirá de base para alinhar obras públicas às demandas do agronegócio, da indústria florestal, do setor mineral, do turismo e da integração com os países vizinhos.
Estradas concentram maior volume de investimentos
Como principal meio de transporte de cargas do Estado, a malha rodoviária continua recebendo a maior parte dos investimentos públicos.
Até o fim deste ano, Mato Grosso do Sul deverá alcançar 5.988 quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas.
Entre 2023 e 2026, serão entregues 857 quilômetros de novas rodovias asfaltadas, enquanto a projeção para 2030 aponta um marco inédito: o Estado poderá passar a ter 6.660 quilômetros de estradas pavimentadas, superando pela primeira vez os 5.940 quilômetros de vias não pavimentadas.
Além de reduzir o custo do transporte de cargas, a melhoria das estradas deve diminuir o tempo de deslocamento, ampliar a segurança viária e fortalecer a ligação entre polos industriais, agrícolas e centros consumidores.
Aeroportos recebem R$ 250 milhões
O modal aéreo também faz parte da estratégia estadual. O Governo prevê investir R$ 250 milhões até o final de 2026 na ampliação e modernização da infraestrutura aeroportuária.
Desde 2023, já foram aplicados R$ 140 milhões, permitindo que oito aeródromos voltassem a operar e que sete aeroportos passassem a receber voos diurnos e noturnos.
Entre os principais projetos estão a ampliação do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, e a implantação de balizamento noturno nos aeródromos de Porto Murtinho, Inocência, Paranaíba, Coxim, Naviraí, Maracaju, Nova Andradina e Jardim.
Também estão previstos investimentos em estruturas no Pantanal, como Porto São Pedro e Nhecolândia, além de melhorias em Amambai, Ribas do Rio Pardo, Aquidauana, Iguatemi e Mundo Novo.
Ferrovias voltam ao radar
O Estado também acompanha projetos considerados estratégicos para ampliar a participação do transporte ferroviário.
Entre eles está a reativação da Malha Oeste, ferrovia que percorre cerca de 600 quilômetros em Mato Grosso do Sul, ligando Corumbá a Mairinque (SP). A expectativa é reduzir custos logísticos e ampliar o acesso da produção estadual aos mercados nacional e internacional.
Outra aposta é a Nova Ferroeste, que pretende conectar o sudoeste de Mato Grosso do Sul ao Porto de Paranaguá (PR), criando uma nova rota para exportação.
O setor privado também começa a investir na expansão ferroviária. A Arauco anunciou a construção da primeira short line do Brasil, com 54 quilômetros de extensão, ligando sua futura fábrica em Inocência à Malha Norte, operada pela Rumo.
Hidrovias ganham espaço
Os rios Paraguai e Paraná também integram o planejamento logístico.
A proposta é ampliar a utilização das hidrovias para transporte de cargas, fortalecendo principalmente os portos de Corumbá e Porto Murtinho, conciliando expansão econômica com preservação ambiental.
Logística como diferencial competitivo
Para o governo estadual, a infraestrutura logística será decisiva para manter Mato Grosso do Sul entre os estados que mais crescem no país.
Com investimentos simultâneos em estradas, aeroportos, ferrovias e hidrovias, a estratégia busca reduzir o chamado 'custo Brasil', facilitar o escoamento da produção industrial e agropecuária, aumentar a competitividade das empresas e criar condições para a chegada de novos investimentos privados, consolidando o Estado como um dos principais corredores logísticos do Centro-Oeste.
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