• Quarta, 01 de Julho de 2026

Armazéns que recebem importados têm alto índice de risco sanitário

Relatório da Anvisa aponta falhas em controle de qualidade e armazenamento no país

KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS


Armazém alfandegado com algumas prateleiras cheias (Foto: Reprodução)

A maioria dos armazéns alfandegados do Brasil ainda apresenta alto risco sanitário, segundo relatório da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O levantamento indica que 70% dessas estruturas estão classificadas na categoria de maior risco (C), o que inclui falhas em controle de qualidade e armazenamento de produtos importados.

Os armazéns alfandegados são pontos onde mercadorias vindas do exterior ficam armazenadas sob fiscalização sanitária antes de serem liberadas para o mercado. Entre os produtos estão medicamentos, alimentos e insumos industriais, todos sujeitos a regras de vigilância sanitária.

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Documento mostra que o país possui 119 recintos com autorização de funcionamento, dos quais 60 foram inspecionados no último ano. Mesmo com o cenário ainda considerado crítico, a Anvisa aponta redução de irregularidades em relação a 2024, indicando avanço gradual na fiscalização.

As principais falhas identificadas envolvem problemas em sistemas de gestão da qualidade, controle de temperatura e umidade em áreas de armazenamento, além de falhas em validação de equipamentos e na correção de desvios operacionais. Segundo o documento, essas fragilidades podem comprometer a integridade de produtos sensíveis, especialmente aqueles que dependem de conservação térmica rigorosa.

Embora o relatório seja nacional, o tema tem reflexos indiretos em Mato Grosso do Sul por causa da posição estratégica do Estado em rotas de entrada de mercadorias que passam pela fronteira com Paraguai e Bolívia. Produtos importados que entram no país podem circular por centros logísticos e armazéns até chegar ao consumidor final, o que torna o controle sanitário em toda a cadeia um ponto sensível.

A Anvisa destaca ainda avanços na estrutura de fiscalização, como a centralização das inspeções, a capacitação de 52 profissionais e a implantação de sistemas digitais para registro das ações. Também foram criados painéis públicos para consulta de dados, com o objetivo de aumentar a transparência do processo regulatório.

A expectativa da agência é realizar cerca de 60 novas inspeções em 2026, priorizando os estabelecimentos com maior nível de risco sanitário. O modelo de fiscalização segue critérios baseados em risco, o que define a intensidade das inspeções conforme a gravidade e o histórico de cada recinto.

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