Esportes
Análise: Argentina dá recado e mostra que é a melhor seleção do mundo com toque especial de Messi
Com time alternativo, atual campeã mundial venceu a Jordânia e não tirou o pé mesmo com a liderança do grupo garantida
GLOBOESPORTE.COM / RAFAEL BIZARELO
Não existe seleção como a Argentina na Copa do Mundo. A afirmação não é justificada apenas pelo brilho de Messi ou pela taça levantada há quatro anos. Neste sábado, a equipe alternativa escalada por Lionel Scaloni mostrou que não deve ao time principal e venceu a Jordânia por 3 a 1 para fechar a fase de grupos com 100% de aproveitamento.
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Sem o camisa 10 de titular, venceu a Jordânia em uma partida que colocou a moral dos "reservas" no topo. Gás para o banco, gás também para os titulares que querem mostrar que são melhores. É um conjunto que atua para o coletivo e estimula o individual. Não é apenas sobre Messi ou sobre a camisa, mas também sobre um estádio em Dallas pintado de azul e um país que respira a seleção.
Era a hora de dar chances aos reservas. A Argentina entrou em campo classificada na liderança do Grupo J e com adversário definido na segunda fase. Na sexta-feira, dia 3, enfrenta a surpresa da Copa do Mundo, a seleção de Cabo Verde. Scaloni manteve apenas o goleiro Dibu Martínez e o atacante Lautaro Martínez.
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Escalação da Argentina no começo do jogo: Dibu Martínez; Palacio, Otamendi, Senesi e Tagliafico; Paredes, Lo Celso e Nico Paz; Simeone, Julián Álvarez e Lautaro Martínez.
Scaloni não mudou a forma de jogar com o time alternativo. Mais uma vez, a Argentina trocou passes no meio de campo e explorou a individualidade de um jogador brilhante. Nico Paz foi o cara deste sábado. O jovem do Como, da Itália, é tratado como uma promessa e foi muito acionado no jogo, com passes em profundidade e toques que fugiam do senso comum.
Paz não foi o único do meio que chegou longe. Paredes, na teoria o volante marcador e de pegada do time deste sábado, não parou de subir e chegar na entrada da área. Mas foi dos pés de Lo Celso que a Argentina abriu o placar. Lautaro Martínez ampliou de pênalti e deixou o jogo mais tranquilo, e os hermanos não entraram em desespero com o gol de Al Tamari.
Taticamente é uma seleção que mostrou diversas vezes que é competente, forte e capaz de ganhar títulos. Além da Copa de 2022, levou duas edições de Copa América. Mas a força não está apenas nos planos montados por Scaloni ou nos vídeos que assistem sobre os adversários, mas na dedicação de fazer tudo pela camisa.
Muito se fala de como a seleção joga por Messi, de como jogadores como De Paul fariam tudo para defender o camisa 10 e da alegria que foi para cada atleta ganhar, mas ganhar com Messi. Mas não é tudo apenas pelo craque, e sim também por todos aqueles que estavam em Kansas City e Dallas, estarão em Miami e que estão em Buenos Aires, Rosario e Córdoba com a camisa no corpo enquanto torcem pela seleção. Isso está na fala do técnico antes do jogo deste sábado:
— O que me interessa é que o povo se sinta identificada com a proposta da equipe, que fomos uma seleção que representava o seu povo. Nada mais. Com isso já estaria bem - afirmou Scaloni em entrevista coletiva na sexta-feira.
É um país que está unido pela seleção, seja o torcedor do Boca Juniors ou do River Plate, do Racing ou do Independiente, do San Lorenzo ou do Huracán. Antes dos times, estão com "La Nuestra" (A Nossa). Os títulos ajudam o argentino a se identificar com a seleção, é claro, mas a forma de jogar envolve ainda mais. Para a atual campeã, é importante ter a bola, atacar e vencer. Sem medo e sem tirar o pé, mesmo com a liderança do grupo garantida.
Messi não precisava entrar em campo. Aos 39 anos, poderia descansar após fazer dois jogos brilhantes contra Argélia e Áustria, quando quebrou o recorde de Klose e se tornou o maior artilheiro de Copas. Mesmo assim, substituiu Lautaro e marcou um golaço de falta para chegar ao 19º em Mundiais. Foi o sexto dele nesta Copa, o que o mantém na artilharia.
Ainda falta o teste contra um grande adversário, algo visto poucas vezes durante o ciclo para a Copa do Mundo, apenas na Copa América e nas Eliminatórias. Na Copa, isso deve demorar para acontecer. Cabo Verde será a primeira seleção no caminho e, se avançar, a Argentina enfrenta Austrália ou Egito nas oitavas. Nas quartas, pode pegar Suíça, Argélia, Colômbia ou Gana. Uma campeã mundial (Brasil ou Inglaterra) só apareceria na semifinal.
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Agenda da Argentina na Copa do Mundo
1ª rodada: Argentina 3x0 Argélia, 16 de junho, às 22h, em Kansas City2ª rodada: Argentina 2x Áustria, 22 de junho, às 14h, em Dallas3ª rodada: Jordânia 1x2 Argentina, 27 de junho, às 23h, em DallasSegunda fase: Argentina x Cabo Verde, 3 de julho, às 19h, em Miami
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