• Terça, 16 de Junho de 2026

Saudade antecipada de Messi domina clima de Copa do Mundo na Argentina

ge ouviu os campeões mundiais para entender às expectativas para o Mundial. Despedida de Messi causa grande melancolia em meio a algumas superstições

GLOBOESPORTE.COM / ISABELA REIS


Argentina decora as ruas para a Copa do Mundo 2026 — Foto: Raphael Sibilla

Poucos grupos foram mais felizes no ano de 2022 do que os argentinos. Liderados por Lionel Messi, a seleção de Scaloni voltou a levantar a taça da Copa do Mundo depois de 36 anos em uma final histórica contra a França. Em 2026, o elenco pouco mudou, mas e os torcedores? Estão animados? Acreditam em outra taça seguida? O ge foi atrás de respostas.

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— Os argentinos, por natureza, entram no clima da Copa quando há um evento como esse. As expectativas são sempre altas. Certamente, os Estados Unidos estarão lotados de argentinos na expectativa de ver a Argentina chegar à final e, quem sabe, conquistar seu quarto título. Aqui, todos estão empolgados, comprando pacotes de TV a cabo para assistir aos jogos, e os cafés provavelmente estarão lotados, como sempre — contou Adrian Santagada, jornalista de Lanús.

Momento diferente, paixão de sempre

A Argentina chega em 2026 com um contexto bem diferente do início da última Copa do Mundo. Em 2022, além dos longos anos sem o título, havia um sabor amargo deixado pelo Mundial anterior.

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Na Copa da Rússia, em 2018, a seleção argentina só conseguiu uma vitória na fase de grupos e caiu para a França nas oitavas de final, por 4 a 3. A última vez que os hermanos tinham sido eliminados tão cedo foi em 2002, quando não conseguiram passar da fase de grupos. Suécia e Inglaterra ficaram com as vagas do Grupo F naquela edição.

— O pessoal tá bastante confiante, mas é uma sensação bem diferente da Copa de 2022. Claro, querem que a Argentina ganhe, mas com uma cobrança muito menor e com muita gratidão por esse grupo de jogadores pelo título passado. Há muita animação, mas é uma Copa sem peso nas costas, sem tantas obrigações — Raphael Sibilla, correspondente da Globo na Argentina desde 2019.

A Copa do Catar curou todas as feridas com direito a emoção. A Argentina foi campeã pela terceira vez nos pênaltis, por 4 a 2, depois que argentinos e franceses empataram em 3 a 3 no tempo normal. Messi fez dois gols, Dí Maria completou para os campeões, enquanto Mbappé marcou três vezes para a França.

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Os entrevistados pelo ge contam que o desempenho na Copa passada tira um pouco da pressão para 2026. Eles concordam que a seleção chega mais leve, e a torcida ainda não tão focada. Mas tudo tende a mudar quando a competição começar de verdade.

— Não há uma atmosfera de Copa do Mundo que houve na última Copa. Acho que muito disso se deve ao fato do torneio está sendo realizado em um país onde o futebol não é tão popular quanto em outros lugares, como o Brasil ou a Argentina. Parece não ter tanta expectativa de ganhar o título como em 2022, mas a verdade é que sempre há. Tem toda essa história sobre a lógica do inesperado, né? — Matías Vegas, de Buenos Aires.

— Há um fenômeno muito particular que acontece conosco, que é o seguinte: assim que a bola começa a rolar e a primeira partida acontece, as pessoas imediatamente esquecem tudo e se concentram novamente, ficando obcecadas com a Copa do Mundo e com o apoio à seleção. Sinto que na preparação talvez esse entusiasmo esteja um pouco diluído, mas quando começar, todos nós ficaremos entusiasmados novamente e totalmente confiantes de que esse time pode vencer novamente — Agustina Valsangiacomo, de Buenos Aires.

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Uma similaridade com a torcida brasileira é o apreço pela festa e pelas decorações nas ruas. Os entrevistados contaram que pintar as "calles" também é uma tradição por lá. Os enfeites estão por todos os lugares e alcançam até mesmo em um dos maiores símbolos do país: o Obelisco, tradicional monumento no centro de Buenos Aires, é iluminado com as cores azul e branca nos dias de jogos.

O último tango do ídolo

A Copa de 2026 também começa diferente para a Argentina por um motivo: Lionel Messi. Aos 38 anos e prestes a fazer 39 no dia 24 de junho, o craque pode viver seu último Mundial na edição sediada por Canadá, México e Estados Unidos.

Logo após a conquista de 2022, Messi disse que estava "satisfeito e agradecido" e que provavelmente não voltaria a jogar a competição.

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— Como disse antes, não creio que eu participe da próxima Copa. Não sei o que vai acontecer no futuro, mas não mudei de opinião quanto a isso. Gostaria de estar lá para assistir, mas não vou participar — disse Messi ao jornal chinês "Titan Sports" em 2023.

— Olha, a verdade é que o simples fato dele estar nesta Copa do Mundo já é um milagre, considerando a idade e tudo o que ele representa para a seleção. Acho que pouquíssimas pessoas imaginavam que ele estaria aqui, mas com o passar do tempo, e conforme ele foi jogando bem, tudo meio que se encaixou para que ele pudesse jogar — Matías.

A idolatria dos argentinos por Messi não é em vão: o capitão soma 199 jogos pela seleção, 117 gols marcados, uma medalha de ouro olímpica, duas Copas Américas, uma Finalíssima, uma Copa do Mundo principal e uma Copa sub-20. Além de ter sido o grande protagonista do time na conquista de 2022.

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— Os jogadores (da Argentina) jogam pelo ídolo e querendo ganhar por ele. Desta vez, eles ainda podem querer fazer isso para que Messi possa se aposentar com a glória máxima. Ele já conquistou, mas não faria mal ganhar duas Copas do Mundo seguidas. Além disso, ele é um modelo a ser seguido, um grande ídolo. Todos que jogam com ele querem vê-lo feliz — Vanessa Rodríguez, de Avellaneda.

A saudade já é grande pela falta que Messi vai fazer, mas também há argentinos confiantes mesmo em um futuro sem ele.

No creo en brujas, pero que las hay, las hay

Um elemento que se repetiu nas conversas sobre a Copa do Mundo foi a superstição — algo central na relação dos argentinos com o futebol, segundo os argentinos com quem o ge conversou. Apesar da "pouca pressão" descrita anteriormente, a Argentina não quer dar sorte ao azar.

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Uma brincadeira curiosa contada por Vanessa foi sobre a popularização do "3+1". O termo foi criado para que não se fale (ou escreva) a palavra "quatro" ou "quarto" — número que a Argentina pode alcançar na soma de títulos mundiais.

— Um novo torneio significa novas superstições, e você vai, se adaptando. Acho que, aos poucos, o cenário global vai crescer, e todos nós esperamos que nessa venha o 3 + 1. É tudo assim, 3+1, você não fala por superstição, pra não dar azar, sei lá, está todo mundo assim. Pelo menos as pessoas que eu conheço dizem: vamos lá ver a seleção e tomara que a gente consiga o 3+1 — explicou Vanessa Rodríguez.

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Agustina diz que no seu ciclo a brincadeira é repetir tudo que foi possível: local para assistir, grupo com quem estava, camisa. Além de não contar vantagem para não zicar o jogo.

Como diz o famoso ditado espanhol, "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay" (Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem). Ou seja, na dúvida, Vanessa e Agustina preferem não brincar com as possibilidades.

— É como se nós (argentinos) procurássemos oportunidades para se encontrar com os amigos ou para cumprir a superstição. Onde você viu? Da última vez, igual a sempre que começa — disse Vanessa.

Agenda da Argentina na Copa do Mundo

1ª rodada: Argentina x Argélia, 16 de junho, às 22h, em Kansas City2ª rodada: Argentina x Áustria, 22 de junho, às 14h, em Dallas3ª rodada: Jordânia x Argentina, 27 de junho, às 23h, em Dallas



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