• Sábado, 30 de Maio de 2026

Jardim revela indicação de Jorge Jesus e comemora "solução" para o Flamengo com boa fase de Lino

Campeão da Libertadores de 2019, que esteve no Maracanã neste sábado, indicou o atual treinador rubro-negro como substituto há seis anos

GLOBOESPORTE.COM / EMANUELLE RIBEIRO


Leonardo Jardim em Flamengo x Palmeiras — Foto: André Durão

O Flamengo fechou a parada para a Copa do Mundo com estilo: vitória por 3 a 0 contra o Coritiba, no Maracanã, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado e a atuação renderam elogios do treinador Leonardo Jardim.

— Foi um jogo completamente dominado pelo Flamengo. No 11 x 11 o Coritiba já tinha dificuldade, até na transição, algo que eles dominam. Neutralizamos o Josué, que faz os lançamentos da equipe. Fizemos o nosso jogo, jogo da passe, de movimentações. Samuel Lino foi quase um segundo atacante, ele tem essas características. Agradeço a ele pelos dois gols, foi uma mensagem positiva — analisou.

A torcida teve presença especial: Jorge Jesus. O técnico do time histórico de 2019 recebeu aplausos de parte dos torcedores presentes no Maracanã. Perguntado se a vinda do compatriota lhe pressionou, Jardim negou e destacou a boa relação com o treinador.

— Ainda não (falou com Jesus). Vou aproveitar para ver se vamos jantar ou almoçar amanhã. Estive sempre trabalhando. Quando se trabalha o tempo é pouco. Hoje foi dia de concentração, ontem teve treino à tarde. Houve pouco tempo, mas se tiver essa possibilidade óbvio que queremos estar juntos. Uma coisa é o futebol, outra é a nossa relação. O Jesus em 2020 quando saiu (do Flamengo) me telefonou para vir para cá. Ele acreditava que eu era boa solução para o Flamengo. Acabou que não aconteceu, somente em 2026 — contou.

O Flamengo fecha a primeira fase da temporada na 2ª colocação do Brasileirão, nas oitavas da final da Conmebol Libertadores, campeão carioca e eliminado da Copa do Brasil.

— Conseguimos ganhar o Carioca, fizemos uma boa campanha na Libertadores, a melhor campanha há algum tempo. Em termos do campeonato, queríamos ter mais pontos, perdemos cinco pontos logo nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. O último jogo, contra o Palmeiras, perdemos pontos importantes. Mas temos dois jogos para terminar o primeiro turno e, se ganharmos, estaremos numa posição boa, como esteve o Flamengo nos últimos anos — afirmou.

Mais declarações de Leonardo Jardim

Base — Eu como treinador tenho sempre esse registro na carreira, que é dar atenção aos jovens da base. Aqui com jogos a cada três dias não demos atenção em termos de jogos, mas demos em termos de análise do que fizeram no sub-20. O João tem jogado muito no sub-20 e ano passado treinou no principal. Hoje tinha duas opções, entrar o Saul e colocar um volante para trás, ou acreditar e colocar um jovem. Eu não gosto de mudar posições, ele está aqui e tenho que acreditar nele. Eu disse: "João, você sabe as regras, tem que jogar seu futebol". Acho que ele fez um bom jogo e não por acaso é um dos melhores zagueiros jovens do futebol brasileiro. Espero que seja um primeiro passo para no futuro jogar mais em bem. Essa é a minha orientação.

Sorteio da Libertadores — O sorteio foi contra uma das equipes que tem também um objetivo sorte na Libertadores. Reforçou esse ano e já vem construída de um ano para o outro. Sabemos que vai se rum jogo intenso na ida e na volta. Nós vamos ter o objetivo de vencê-los. Sabendo que a decisão vai ser aqui no Maracanã. Procurar fazer um bom jogo no Mineirão primeiro. Uma coisa que vai na minha cabeça neste momento é preparar para os jogos de entrada, porque ainda não sabemos quais jogadores vamos ter. Porque não se sabe quando as equipes da Copa vão ser eliminadas, se os jogadores vêm saudáveis ou não, se vêm de folga, se vão ter férias. Essa parte é o meu foco neste momento. Depois darei atenção a esse jogo. Cada coisa em seu momento.

Mercado — Uma medida importante é saber quanto teremos para investir. Temos necessidades, mas vamos ver o que o dinheiro será suficiente para buscar. Com essa diretriz, vamos reforçar a equipe com mais qualidade. Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam acrescentar. Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, o Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente. O Boto está a trabalhar essa situação. De resto, temos que ver posição por posição e colocar mais qualidade.

Posicionamento de Samuel Lino — A nossa opção em termos de decisão do meio foi por um jogador que casasse bem com o Pedro. O Pedro infiltrou bastante e o Lino entrou, o Luiz (Araújo) flutuou e o Royal entrou... Era uma dinâmica que queríamos proporcionar, porque os volantes do Coritiba poderiam pressionar e nos incomodar entrelinhas. Conseguimos essas boas dinâmicas, que aumentaram depois da expulsão (do Pedro Rocha, do Coritiba). O Lino é um jogador com essas características. Se vocês repararem, o Arrasca também faz esses movimentos às voltas do atacante. É importante que esse meia crie espaços não só na frente da linha defensiva, mas também por trás. Foi o que pedi a ele e foi o que aconteceu.

Tranquilidade no comportamento — Acho que a idade me permite criar maturidade. São muitos anos treinando jogadores em vários clubes. Controlo a emoção, não do jogo que eu vivo, mas de decidir na loucura. O que é muito bom hoje, amanhã é muito ruim. Essa maturidade, 30 anos de carreira, me permitem olhar para as coisas com melhor equilíbrio. Mesmo em termos pessoais. Costumo a dizer quem trabalha comigo que eu tiro um dia de luto quando o time não ganha. No dia seguinte, não falem comigo porque é meu dia de luto. Esse dia serve para que no dia seguinte eu tenha energia para dar a quem trabalha comigo. Essa é a minha ideia. Um clima positivo ajuda o trabalho de todo mundo. Claro que sou exigente e rigoroso, mas de uma forma que tem que ser educado e de fazer as pessoas entenderem o que é profissionalismo. Profissionalismo não é gritar, falar alto. É fazer o nosso melhor a cada dia e momento. É isso que eu peço aos meus jogadores e a quem trabalha comigo. Talvez seja a idade que me permite esta abordagem às coisas de forma menos emocional. Com certeza fico triste quando perco, você vê no último dia. Às vezes temos que chamar as coisas pelos nomes, mas não gosto de estar fora de mim em termos emocionais. Quando você sai do equilíbrio, diz besteiras que no dia seguinte vai se arrepender.

Estratégia para o jogo — A estratégia foi a mesma do que há três dias ou há seis dias: não deixar jogar. Na nossa casa, temos que nos impor, não podemos dar confiança ao adversário. Criamos muitas chances, como criamos contra o Cusco e contra o Palmeiras quando estava 11 contra 11. Roubamos bolas na saída deles, poderíamos ter feito mais gols por detalhes. Acredito que os jogadores estão se esforçando para criar, para recuperar a bola como equipe. Quando cheguei, diziam que tinham jogadores que não pressionavam. Nossos jogadores pressionam, e isso é importante. Somos uma equipe grande, não podemos deixar a equipe adversária pensar. Os jogadores estão entendendo esse pensamento.

Perfil de um novo atacante para o Flamengo — Se tivesse que escolher um atacante para a equipe, se essa fosse a prioridade, eu iria escolher um meio a meio entre Pedro e Bruno, para ficar com três soluções dentro da estrutura. É um pouco o que o Lino faz também. Foi muito bom esse jogo, para percebemos que temos mais uma solução como meia avançado ou segundo atacante. Nosso lado esquerdo está sobrecarregado, temos muita gente que gosta de jogar daquele lado. No lado direito temos menos gente. Gosto de um plantel equilibrado. Se eu tivesse que escolher, teria três atacantes diferentes. Não quero um igual ao Pedro ou igual ao Bruno, porque já temos ele.

Recuperação de Lino e Plata — Quando eu falava do casamento entre dois jogadores, que cada um tem sua característica, eram Lino e Pedro por exemplo. Como treinador, tenho que observar, saber as características e conseguir colocá-los em um bom ambiente para desenvolvê-las melhor. Lino e Plata, por motivos diferentes, por vezes não estavam no melhor habitat para desenvolver suas características. O Plata por estar saindo fora daquilo que eram as regras da equipe. Em um primeiro período ele ficou de fora e depois começou a fazer aquilo que a gente queria. Por isso seu crescimento. E o Lino porque deixou de jogar em cima da linha e a se envolver em outros movimentos que gosta, de atacar espaço de buscar. Isso permitiu a evolução dentro do seu habitat natural. Não é o treinador que é importante na performance dos jogadores. Eles que tem capacidade de perceber as ideias e se colocar no melhor nível. E foi isso que aconteceu tanto com o Plata quanto o Lino.

Flamengo vai buscar jogadores mais jovens? — Queremos trazer jogadores que não temos, em termos de características, ou melhores ou do mesmo nível com mais saúde. Isso vai dentro daquilo que é o planejamento de todas as grandes equipes. Jogadores que possam competir por muito tempo, sejam jovens ou não. Para o nosso plantel, jogadores de 25 anos são jovens. Jogadores que para a médio prazo ou o futuro próximo. Essa é uma ideia que tenho passado para a direção. Não é uma ideia da equipe do Jardim, é a ideia de qualquer equipe.

Flamengo piorou nas bolas paradas? — Nosso número de bolas paradas não é muito alto. Nosso melhor batedor ofensivo está fora, que é o Arrascaeta. Isso nos cria dificuldades. Não há ninguém comparado ao Arrascaeta em bolas paradas. Há quem bata bem, mas ele bate muito bem. Em termos defensivos, sofremos gols, mas acho que não existem muitas diferenças. Não estou com os dados aqui, posso trazer na próxima entrevista. É uma coisa que trabalhamos todas as semanas.

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